Longas viagens de ônibus para ter acesso a produtos; dificuldades de pagamento e capital de giro; insegurança e muita descentralização na hora de buscar fornecedores. Esses são alguns dos problemas enfrentados por 2,5 milhões de lojas e mais de 1 milhão de vendedores independentes que vendem itens de vestuário, calçados e acessórios no interior do Brasil.

Os problemas e ineficiências do setor não se resumem só aos compradores, mas também a quem vende esses itens no atacado, uma vez que se refletem no custo e nos prazos de entrega. Com grande relevância para a economia nacional, o setor tem amplo potencial de transformação digital — algo que está na mira da ZAX, startup que acaba de levantar uma rodada de R$ 32 milhões liderada pelo fundo Atlantico.

Fundada por Bruno Ballardie e Fernando Zanatta, a ZAX é um marketplace B2B que conecta varejistas e atacadistas, trazendo soluções de frete e pagamento para modernizar o atacado. Além do Atlantico, participaram da rodada os fundos FJ Labs e Caravela Capital, bem como o GFC e a firma de venture capital Canary, que, respectivamente, lideraram as duas primeiras rodadas de investimento da Zax. Ao todo, a startup já captou R$ 43 milhões em investimentos.

“No Brasil, existem milhões de lojas e vendedores que dependem de comércio físico descentralizado e têm dificuldade em adquirir capital de giro”, explica o CEO, Bruno Ballardie. “Com tecnologia, a ZAX traz soluções para essas pessoas. O revendedor economiza tempo e recursos, por não precisar mais se deslocar, e tem acesso a centenas de fornecedores em uma mesma plataforma, de modo que pode comparar preços e escolher a melhor opção. Já para o atacadista, é uma forma muito prática de aumentar a visibilidade e a demanda também. Pela plataforma, ele pode conquistar clientes de regiões diversas do País, que talvez nunca tivessem acessado o seu negócio”.

A plataforma, que pode ser acessada por dispositivos móveis, já conta com mais de 700 fornecedores do atacado — muitos deles, sediados em regiões tradicionais do comércio de São Paulo, como Brás, Bom Retiro e 25 de Março. Por meio da plataforma, o comprador pode escolher o tipo de frete ou retirar na loja, além de optar pela melhor forma de pagamento: em até seis vezes no cartão de crédito, PIX, boleto, transferência ou depósito, como for mais conveniente para o seu fluxo de caixa.

Até o final do ano, a startup pretende investir no crescimento de seu time, atualmente em 40 pessoas. A expansão também suportará novos modelos de negócios: além de ser um marketplace, a ZAX também quer oferecer diferentes serviços financeiros para seus usuários. O primeiro passo foi oferecer aos compradores capital de giro de 30 dias, além de uma solução de pagamento no ponto de venda. Uma carteira digital e outras tecnologias de pagamentos também estão no radar da empresa.

Second time founders

A ZAX foi fundada em 2019 por dois empreendedores já experientes. Tanto o CEO, Bruno Ballardie, quanto o CTO, Fernando Zanatta, trazem na bagagem vivências com e-commerce e marketplaces, mas com foco em B2C.

Formado em Ciência da Computação pela USP, Bruno Ballardie já havia criado e operado duas outras startups, incluindo a eÓtica, e-commerce de óculos adquirido por um grupo francês em 2015.

Ballardie continuou à frente do negócio até 2018. Já Fernando Zanatta soma em seu currículo algumas empresas de peso no Brasil: foi CTO da Dafiti, diretor de tecnologia do Grupo Netshoes e COO do Buscapé. Além disso, fundou a Netlolo, ferramenta que conectava clientes e especialistas globais, e uma das principais plataformas OTC de negociação de bitcoins.

Com a ZAX, a dupla resolveu atacar o mercado B2B, e digitalizar um mercado que ainda opera de modo muito descentralizado e analógico. Tendência global, estima-se que marketplaces B2B, devem movimentar até US$ 3,6 trilhões em 2024, segundo dados da consultoria especializada em serviços financeiros, iBe TSD Ltda. No Brasil, o potencial é enorme. Segundo dados da E-Consulting, o mercado B2B movimentou  R$ 2,4 trilhões em 2019 , mas apenas 1% dessas transações foi online.

A pandemia da Covid-19 trouxe uma aceleração do processo de digitalização dos negócios, de modo que a ZAX cresceu 10 vezes na pandemia.Nesse período, a Zax levantou uma rodada de investimentos liderada pela firma de venture capital Canary. “As experiências prévias dos fundadores nos impressionaram muito. Tanto o Bruno quanto o Fernando têm conhecimento técnico e de negócios para construir um marketplace B2B super relevante, capaz de atacar um setor imenso, que ainda carece de tecnologias e movimenta a economia nacional”, afirma o managing partner do Canary, Marcos Toledo.

A startup estreou as operações com foco apenas em vestuário por atacado, no estado de São Paulo. Desde 2020, no entanto, passou a incluir na plataforma calçados, eletrônicos, brinquedos, acessórios e beleza. O desempenho atraiu a atenção de investidores para uma nova rodada e, em setembro deste ano, o Atlantico, fundo irmão do Canary, liderou o aporte no valor de R$ 32 milhões.

“A ZAX é uma startup que demonstrou um excelente fôlego, em um período curto. O potencial de mercado é enorme não só no Brasil, mas em toda a América Latina, onde muitos atacadistas e varejistas podem evoluir muito os seus negócios por meio da tecnologia”, afirma Julio Vasconcellos, managing partner do Atlantico.

*Foto em destaque: Bruno Ballardie e Fernando Zanatta, fundadores da ZAX.


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