Sabemos que os tempos na comunicação estão difíceis, com muito cinismo digital, o que transformou a celebração de anúncios corporativos num exercício de resistência quase ingênuo. Mas não é isso que acontece na notícia de que o Google acaba de consolidar seu Centro de Engenharia para 400 profissionais dentro do campus do IPT, em São Paulo.
O movimento, parte do programa IPT Open, traz para o mesmo teto inteligência artificial, startups e a infraestrutura de um instituto octogenário. E se o ecossistema de inovação no Brasil segue respirando por aparelhos — pelo menos está ainda respira.
Claro que nenhum prédio novo vai salvar o PIB ou reverter nossa desindustrialização histórica. Esperar que uma multinacional resolva o gap tecnológico do país é confundir o palco com o espetáculo. Leis de incentivo que vêm e vão tampouco, pois o que move o ponteiro é a densidade de talentos interagindo no mesmo espaço.
A relevância desse passo, então, não está na promessa de uma revolução, mas na teimosia da direção. O ecossistema brasileiro de tecnologia avança em solavancos: um centro de IA aqui, um hub de acessibilidade ali. É pouco para quem sonha grande, mas é o suficiente para não caminharmos para trás.
No fundo, iniciativas assim nos forçam a encarar o espelho: continuaremos exportando cérebros ou aprenderemos, finalmente, a domesticar a tecnologia global para resolver nossas próprias mazelas?
Longa vida ao IPT Open e muito sucesso ao novo Centro de Engenharia do Google no Brasil!



