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Vendas, mkt de influência, AI, VR e muito mais: confira a 2º edição virtual do Innovation Tour

Mais uma vez, o Startupi reuniu grandes nomes do ecossistema de inovação e tecnologia para realizar uma imersão nas principais startups e empresas do mercado. A segunda edição do Startupi Innovation Tour Virtual foi especialmente criada para anteceder o Digitalks Expo 2020, maior evento de negócios da economia digital e tecnologia.

A imersão, criada pelo Startupi para permitir gerar mais cultura de inovação e startups, já acontece há 3 anos. Nesta edição, os participantes puderam conhecer os projetos e bater um papo com fundadores e executivos do Linkedin, Cubo Itaú, Squid, Flex Interativa e Grupo Movile, investidores do iFood e Sympla, entre outros.

Para Fernanda Santos, editora-chefe do Startupi, este novo formato do Innovation Tour traz um novo alcance, permitindo assim, que pessoas de diversos lugares tenham acesso a mesma experiência. “O que importa não é o espaço físico, mas as conexões que ele gera não só presencialmente”.

Além disso, o novo formato permite que mais pessoas tenham acesso a essa imersão, bem como fique mais fácil conciliar a agenda dos executivos. Como exemplo, ela citou a presença do André Ferraz, CEO e fundador da Inloco, que participou da primeira edição online do evento entre os dias 04 e 05 de agosto, diretamente do Vale do Silício, dois dias antes de anunciar a venda do seu braço de publicidade para o Magazine Luiza. 

Confira abaixo como foi a 2º edição do Innovation Tour Virtual!

DIGITALKS

Há 10 anos no mercado, o maior evento de negócios da economia digital e tecnologia, também foi para o online. Flavio Horta, CEO do Digitalks, compartilhou com os participantes como foi o processo de adaptação em pouco tempo para garantir a mesma experiência para os mais de 14 mil inscritos no evento.

Ele contou que o formato online começou a ser desenhado há 4 meses, após perceber que não seria possível realizá-lo em espaço físico. Para isso, a empresa teve todo o cuidado de pensar em como continuar o propósito do evento de desenvolver o mercado e transformar as pessoas através do digital.

Segundo Flávio, será uma experiência diferente de qualquer evento que já acontece, seja aqui no Brasil ou no exterior. “Claro que a gente pegou o que tem de bom aqui e lá fora e incluiu, mas a gente repensou o evento para um evento único e diferente de todos os outros eventos que estão acontecendo”.

Flavio Horta, CEO do Digitalks.

Assim, nesse novo formato, o Digitalks Expo traz quatro auditórios com transmissão simultânea e um aplicativo onde será possível acessar a programação e gerar conexão entre os participantes.

O evento, que terá mais de 100 palestras contará com nomes como Abílio Diniz, renomado empresário brasileiro; Tim Ash, autoridade reconhecida em psicologia evolutiva e marketing digital; Henrique Meireles, atual Secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo; Aaron Ross, empreendedor americano e autor do best-seller Receita Previsível; Cris Arcangeli, empresária e apresentadora do Shark Tank Brasil;  e Alberto Serrentino; consultor, palestrante e fundador da Varese Retail.

LINKEDIN

Os participantes desta edição do Innovatior Tour Virtual também tiveram a oportunidade de falar com João Bevilacqua, gerente de Vendas da América Latina do LinkedIn, que trouxe para o bate-papo um estudo que mostra o cenário das vendas no Brasil.

Atualmente, a rede social está presente em mais de 200 países, com mais de 706 milhões de usuários no mundo inteiro, sendo esse número composto por mais de 30 milhões de empresas e mais de 96 milhões de tomadores de decisão (CEOs, diretores, gerentes e executivos, no geral). Só no Brasil já são mais de 45 milhões de usuários.

“Cada um desses perfis sejam eles pessoais, corporativos ou de universidades, são de fato pontos de dados que nos permitem criar mais e mais inteligência sobre o mercado, sobre tendências e trazer aos usuários e clientes mais insights para uma melhor tomada de decisão”, destacou.

A pesquisa feito pelo LinkedIn, portanto, abrange principalmente as tendências que estão se consolidando nos últimos anos, que foram aceleradas pela pandemia e pela dinâmica do trabalho remoto.

Em sua terceira edição aqui no Brasil, o estudo realizou entrevistas diretas tanto com a parte de vendedores, como com a parte de compradores. Ao todo, foram entrevistadas mais de mil pessoas, sendo basicamente dividido em 50%, 50%.

O primeiro ponto destacado por ele foi o impacto da pandemia de covid-19 como um todo, resultando em uma queda no PIB de 1,5% no primeiro trimestre, com perspectiva de índices negativos na maior parte do ano.

Além disso, as expectativas de futuro também tiveram uma queda. Dados complementares de um relatório da McKinsey aponta que o otimismo dos compradores caiu 20% e tem 47% das empresas planejando cortes de despesas futuramente.

Diante desse cenário na economia, empresas e profissionais têm procurado formas de se reinventar e se transformar. Para isso, a adoção de táticas mais modernas, para impactar o cliente, e conteúdos mais elaborados, tem sido as estratégias mais utilizadas. Um exemplo disso é a queda de 39% em cold calling, aquelas mensagens ou ligações automáticas em que o interlocutor é desconhecido, que vem sendo substituídas por abordagens mais amigáveis com informações colhidas da internet e embasamento nas redes sociais.

Esse período também contribuiu para que 2/3 dos profissionais de vendas valorizem mais as relações digitais do que as tradicionais. “Ou seja, se não tenho mais a alternativa de encontrar alguém, de ir a um evento, etc., a valorização das dinâmicas digitais vai crescendo”. Segundo ele, esse tipo de relação vem ganhado cada vez mais força, semana após semana.

O uso de dados em informações foi outra tendência apresentada no estudo, bem como o investimento em tecnologia para venda remota. A pesquisa apontou que 64% dos gerentes de vendas entrevistados entendem que o investimento em tecnologia é importante para responder às mudanças impostas pela crise, e o Brasil apresenta-se como o país com maior porcentagem de empresas que planejam aumentar o investimentos em tecnologia de vendas em 10% ou mais, seguido pelo México e Estados Unidos.

“O uso de dados e captura de informações em redes sociais é o que vai direcionar e refinar de fato decisões de negócio por esses tomadores de decisão”, explicou João.

João Bevilacqua, gerente de Vendas da América Latina do LinkedIn.

Ele também destacou a importância de fortalecer os relacionamentos com os clientes e manter-se sempre conectado digitalmente com o uso de inteligência e mensagens consistentes, já que 49% dos compradores entrevistados para a pesquisa afirmaram que a confiança é a principal qualidade nos relacionamentos de vendas bem-sucedidos.

Falando sobre o mercado em geral, também aparece uma mudança: 94% dos negócios B2B mudaram seus modelos de Go to Market. “Ou seja, eu preciso acompanhar meus clientes diariamente, eu preciso ter vendas mais consultivas, eu preciso ter processos que sejam mais tecnológicos e eu preciso apresentar minhas soluções de uma maneira que seja digital e remota”, exemplifica o gerente

O gerente ainda relembrou que dados devem ser sempre o primeiro passo, pois suas análises e suas ações a partir disso é o que os tornam fundamentais. Entre os entrevistados, os principais pontos de uso de dados e insights foram: análise de padrão dos negócios, segmentação por indústria e segmentação de contas (já em um nível mais individual, onde é levado em conta o olhar para o portfólio de clientes de uma forma mais inteligente através de priorização e segmentação, por exemplo, a fim de otimizar esse processo).

Além disso, o alinhamento do marketing com o setor de vendas também vem ganhando força nos últimos anos. “O uso de tecnologia efetivamente está achatando o funil de negócios e isso está gerando uma integração cada vez maior entre as duas áreas: de um lado o marketing consegue utilizar automação e narrativas de múltiplos toques que vão levando eles até as etapas bem finais de conversão; e do outro, o vendedor individual consegue utilizar as redes sociais e se tornar uma unidade de multiplicação muito forte da mensagem da marca, criando impacto, awareness e educação do cliente desde o iniciozinho do processo”, contou João.

Por fim, o gerente destacou que o cenário de vendas e negócios aqui no Brasil vem evoluindo e acelerando muito, mostrando um cenário otimista, principalmente com o auxílio da tecnologia. Entretanto, ele ressaltou que ainda existem alguns pontos a serem melhorados, mas que para isso as empresas precisam estar preparadas para lidar com esse ritmo constante de mudança e atentas a três pontos: a pessoas, que pensem em um novo modelo de go to Market e estejam preparadas para enfrentar novos desafios; aos seus processos, para que eles sejam eficientes e flexíveis em caso de necessidade de adaptação; e tecnologia, para que seja empregada de uma maneira que ela possa trazer inteligência e agilidade ao negócio, além de tornar o seu business e seus profissionais indispensáveis.

“Num cenário de alta volatilidade apenas os mais adaptáveis irão prosperar. Sua empresa está pronta para vencer no mundo em constante transformação?”, finalizou deixando essa reflexão.

CUBO ITAÚ

O cubo Itaú é um hub de inovação fundado em 2015 pelo Itaú Unibanco e pela Redpoint eventures com o objetivo de fomentar o empreendedorismo tecnológico no Brasil.

Pedro Prates, co-head do Cubo Itaú, relembrou um pouco de como o mercado estava na época do lançamento. Segundo ele, o Itaú queria se aproximar do ecossistema de startups para começar a identificar oportunidades de sinergia já que todo o mercado brasileiro já esperava grandes transformações na indústria financeira causadas por novos entrantes, seja grande ou pequenas empresas de tecnologia.

A Redpoint, por sua vez, também visava um aumento no número de bons empreendedores no País, para que, dessa forma, houvesse também um aumento no número de investimentos.

Dessa forma, buscando inspiração em outros ecossistemas empreendedores internacionais mais avançados, como Londres, Israel e China, eles perceberam uma particularidade que não tinha no Brasil que era a falta de um local físico onde empreendedores tivessem a oportunidade de se conectar com outros empreendedores, com grandes empresas e com investidores para fazer bons negócios.

“Se você pegar, por exemplo, o Vale do Silício, considerada a América do empreendedorismo tecnológico, toda ela se forma ao redor de Stanford. Ou seja, tem a escola, da escola sai os bons empreendedores que criam suas empresas, os fundos de venture capital estão ali perto, investem nesse empreendedor que com esse dinheiro pega e contrata outros alunos da escola e, as grandes empresas sabendo que os melhores estão ali, estão ali por perto também para estar na fronteira da tecnologia, ou seja, sempre consumindo a fronteira da tecnologia”, contou ele.

Pedro Prates, co-head do Cubo Itaú.

Assim nasceu o Cubo Itaú que, através de curadoria e conexão, fomenta o ecossistema de inovação e tecnologia. “A gente não é uma aceleradora nem uma incubadora. O que a gente basicamente faz é: selecionar os melhores e conectar eles entre si para que dessas conexões saiam negócios”, explicou ele.

Percebendo também a necessidade de escalar, a entidade buscou fazer isso de forma digital e criou uma plataforma de desafios que tem como objetivo fazer a conexão entre uma empresa, que tem um desafio, com startups que possuem a solução para a dor específica postada. Além disso, o Cubo Itaú também possui uma plataforma de talentos que une as pessoas que querem trabalhar em startups com startups que estão contratando.

Em 2018, a mudança também ocorreu de forma física. Atualmente, o hub ocupa um espaço na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo (SP), com 13 andares e área total de mais de 20 mil m². João disse que na base do Cubo Itaú já existem mais de 300 startups e mais de 25 mantenedores.

São dezessete segmentos e cinco principais verticais: educação; saúde; varejo; finanças; logística e mobilidade. Ele explicou ainda que já existem algumas discussões sobre expandir essas frentes, mas que no momento permanece esse formato.

Pensando ainda em continuar gerando valor para o ecossistema, o hub anunciou recentemente um novo modelo de membership que oferece diversos benefícios para startups que fizeram parte de sua comunidade.

Pedro ainda destacou que apesar de algumas mudanças, o processo de seleção e curadoria das startups residentes continua o mesmo. Com o mesmo método desde 2015, o hub possui quatro critérios: qualidade do empreendedor; escalabilidade e tecnologia do produto; tamanho do mercado; além de um nível de maturidade e faturamento mais avançado que faça com que a startup esteja pronta para as conexões feitas por ela e grandes empresas, por exemplo.

SQUID

Marketing de influência também foi um dos assuntos no Innovation Tour Virtual. Para falar disso, o Startupi convidou a Squid, plataforma de marketing de influência que automatiza todo o processo de recrutamento e gestão de microinfluenciadores, fundada em 2015.

Felipe Oliva, um dos fundadores da startup, contou que a ideia surgiu a partir de uma observação no mercado de comunicação como um todo. “Se as marcas e agências não começassem a fazer uma comunicação cada vez mais humana, elas não iam engajar as novas gerações”, relembrou ele.

Assim, trazendo automatização ao mercado e um processo mais qualificado, baseado em dados e métricas, em campanhas criadas por influenciadores, nasceu a startup. O fundador disse que atualmente já são mais de 42 mil criadores de conteúdos cadastrados no marketplace da empresa que passam por todo um processo de auditoria, ou seja, a Squid observa se não há compra de seguidores, qual o target dele, entre outros.

Além dessa curadoria, a startup participa de outras fases da campanha desde o briefing, passando pelo match, gestão dos influenciadores e parte legal como contratos e pagamentos.

Ele destacou ainda a importância do marketing influência, principalmente para a nova geração. “As pessoas, em geral, já não confiam mais do jeito que confiavam cegamente nas marcas. Aí quando você coloca a lupa na nova geração é mais gritante ainda. E essa nova geração vai ser o novo consumidor, então por isso que as marcas precisam aprender a conquistar eles desde já. Pessoas confiam em pessoas”, afirmou.

Além disso, segundo ele, os influenciadores já podem ser usados para outras estratégias além de vendas como conteúdo, pesquisas e RP.

Com mais de 800 clientes e agências parceiras atendidos, Felipe apresentou alguns cases de grandes marcas como Spotify, Sensodyne, Magalu e Unilever. Apesar disso, ele ressaltou que a startup também atende empresas de médio porte. “A gente democratizou o marketing de influência. Então as empresas conseguem testar e a partir do momento que ela testa e valida que o canal funciona, ela vai investindo cada vez mais”.

Felipe Oliva, cofundador da Squid.

Como dica para os empreendedores, Felipe também destacou a importância de manter os clientes. “Um dos pilares que a gente tem aqui na Squid é que a gente precisa desse cliente extremamente feliz. É muito mais fácil termos o cliente que a gente já conquistou trazendo mais e mais investimento, indicando a gente para outros clientes, do que ir atrás de novos”.

Para manter esse ritmo, os sócios estão sempre de olhos no NPS e, caso surja alguma insatisfação e a nota caia para abaixo de 7, são os próprios que entram em contato com o cliente para entender o que aconteceu e como podem ajudá-los.

O empreendedor também falou sobre o crescimento da empresa e expectativa para o futuro. Um dos planos da empresa anunciado por ele é a internacionalização, sendo a LATAM o primeiro passo. “A gente vai fazer, nesse semestre mesmo, muita coisa no México, Argentina e Colômbia”, revelou.

Além disso, ele disse que esta semana a Squid lançou o trabalho com nanoinfluenciadores, que precisam ter ao menos 1 mil seguidores nas redes sociais, para expandir o trabalho de marketing de influência. Nessa nova unidade de negócios, o nanoinfluenciador poderá encontrar marcas que se identifica, que gosta e que gostaria de viver experiências e se aplicar para interagir com essas empresas.

O trabalho com os microinfluenciadores também continua e, para isso, a empresa busca criadores de conteúdo com 5 mil seguidores, taxa estabelecida de engajamento e postagens frequentes. As pessoas com esses requisitos conseguem acessar o portal da Squid, criar mídia kit, realizar cursos, entre outros benefícios.

Outra novidade destacada por Felipe foi a aquisição recente da Duopana, startup de comunidades online que deve contribuir com a nova estratégia da Squid em que os influenciadores ajudem os próprios anunciantes a criarem comunidades que sejam importantes para as empresas.

De forma resumida, a startup atua como se fosse um blog colaborativo permitindo que a própria comunidade produza conteúdo, saindo, portanto, do formato tradicional de um blog que é unidirecional. Um dos cases citados por ele é o Sebrae que, após criar uma comunidade em parceria com a startup, começou a ter mais de 300 artigos produzidos mensalmente, de forma orgânica, para o blog da entidade.

Assim, com a nova aquisição, a Squid passa a ter um novo modelo de negócio onde ela ajudará os criadores de conteúdo a monetizarem suas próprias audiências, sem, necessariamente, depender de publicidade.

Sobre novas compras, Felipe revelou que está de olho no mercado, mas que novas transações não devem acontecer este ano. “Estamos passando por uma fase de integrar as empresas, o que na pandemia foi um desafio. A gente contratou umas 35 pessoas mais ou menos, então já tem esse desafio extra de integrar cultura, de fazer tudo isso. Então, a gente prevê novas aquisições, sim, mas acho que este ano seja mais difícil”, conclui.

Ao final de sua apresentação, os participantes do Innovation Tour Virtual tiveram a oportunidade de conhecer a sede da empresa localizada em Pinheiros, zona sul de São Paulo.

Sede da Squid em São Paulo.

FLEX INTERATIVA

Próxima estação: transformação digital. Esse foi o tema do bate-papo com Fernando Godoy, sócio da Flex Interativa, empresa que desenvolve projetos unindo criatividade e tecnologia através de soluções interativas e imersivas com o uso das realidades virtual, aumentada, mista e de projeção mapeada.

Para ele, mesmo diante de toda a aceleração da transformação digital, algumas empresas ainda encontram dificuldade em inovar, isso porque as pessoas ainda se prendem a ser especialistas, em vez de genéricas.

“Hoje a gente entende que a transformação digital passa por esse conhecimento mais amplo. Então você vê engenheiro estudando biologia, médico estudando Inteligência Artificial E advogado indo para filosofia. Enfim, você tem uma combinação e é isso que, às vezes, é um paradigma a ser quebrado”.

Outro ponto seria a forma como as empresas enxergam a criatividade. Segundo ele, elas ficam presas a cargos como design, quando ser criativo é resolver problemas. No caso da transformação digital, o problema dentro de uma organização pode ser resolvido de diversas formas: seja com um profissional interno, um talento externo que pode ser recrutado ou um software – trazido aqui, principalmente, por startups.

Fernando destacou ainda que mesmo com o passar dos anos, raramente os problemas mudam, o que muda na verdade é a resolução desses. Como exemplo, ele citou a mobilidade urbana que teve algumas soluções trazidas pela Uber, pelos patinetes elétricos, bicicletas, entre outros.

Para o primeiro passo em direção à transformação digital, portanto, as empresas devem começar pela transformação cultural. Isso porque, não adianta disponibilizar diversas ferramentas se as pessoas não entenderem como utilizá-las a favor de seus negócios.

“A gente fala muito do longlife learning que é um termo bastante utilizado. Se a gente não tiver a plena ciência que a gente é um eterno estudante, um eterno aprendiz, cada vez mais, vai ser difícil, não só fazer a transformação, como você se manter no mercado”, afirmou.

Sobre a transformação digital propriamente dita, ele explicou que existem duas formas de fazê-la: melhorar a eficiência de um processo já existente ou a mudança no modelo de negócio.

Fernando Godoy, sócio da Flex Interativa.

Assim, considerando que a tecnologia é o core de uma empresa, e que o principal objetivo a ser alcançado é a satisfação do cliente, o empreendedor deve olhar com atenção para tudo que fica entre esses dois pilares, ou seja, visão estratégicas, novas ideias, investimento, entre outros. Em suma, analise os 3 aspectos da sua empresa: escalabilidade, eficiência e resultados.

Sobre a transformação digital na prática, para Fernando, o importante é a experiência do cliente. Na Flex Interativa, por exemplo, o uso das realidades estendidas permite oferecer uma boa experiência em diversas frentes como em pontos de vendas, aprendizagem, entretenimento, entre outros. Na educação, segundo ele, a Realidade Virtual pode aumentar de 70% a 80% a capacidade de absorção no aprendizado, já que distrações do mundo real, como WhatsApp, são deixadas de lado.

O empreendedor também mostrou alguns cases de Realidade Aumentada criados pela Flex Interativa. Em um deles, a Dark Side, editora do Rio de Janeiro, oferece aos clientes um livro em que, ao folhear as páginas apontando um aplicativo, aparecem diversas imagens interativas relacionadas ao conteúdo.

A startup também desenvolveu um projeto para a Grow em que o aluno consegue estudar o corpo humano e toda sua anatomia. “É uma forma lúdica de aprender, só que muito mais interativa, muito mais atraente do que ficar lendo um texto e procurando”, ressaltou.

Projeto desenvolvido em parceria com a Grow para estudo sobre o corpo humano.

Mostrando ainda que essas tecnologias podem ir além da educação, ele compartilhou o projeto da Cerveja Leuven que também usa a tecnologia em seus rótulos. Fernando falou sobre as diversas opções que podem ser exploradas nesse sentido: informações extras no rótulo, harmonizações ou até mesmo um chef mostrando a produção da cerveja.

Fernando também falou sobre Inteligência Artificial. Para ele, ao contrário do que muitos pensam, ela não veio para acabar com os empregos e sim para transformá-los, isso porque a tecnologia ajuda qualquer funcionário na tomada de decisão, principalmente em um momento onde a coleta de dados faz toda a diferença.

Baseada nisso, a Flex Interativa criou, em 2019, uma plataforma chamada Aira que permite às empresas criarem campanhas através dela. Assim, quando um cliente estiver navegando por aquele e-commerce e precisar tirar dúvidas, por exemplo, ele poderá conversar com um avatar em Realidade Aumenta.

Fernando explicou que a plataforma, que pode funcionar como uma espécie de FAQ, nasceu da união entre Inteligência Artificial e Realidade Aumentada e foi equipada também com voz, o que foge do padrão de chatbot e resulta em respostas mais rápidas.

A Polishop, empresa varejista omnichannel, já oferece aos seus clientes um atendimento criado pela Aira. Fernando contou que a ideia da empresa é substituir manual de instalação, dicas e instrução em algo totalmente digital.

A relação entre as duas empresas começou a partir de uma participação da Flex, em 2017, no Shark Tank Brasil, programa de empreendedorismo do Sony Channel. Durante o episódio, dos 5 investidores, a startup recebeu 4 ofertas. Fernando contou que no momento optou em fechar com Camila Farani e Robinson Shiba, mas depois a empresa que tinha mais sinergia com João Apolinário que, atualmente, é sócio da empresa.

Sobre a criação dos projetos, Fernando explicou que a Flex Interativa auxilia os clientes em todas as fases, seja de ideação, até o desenvolvimento em si, passando também pela análise e orientação sobre qual a tecnologia ideal para cada negócio.

GRUPO MOVILE

A Movile, que foi criada ainda nos anos 90, atualmente forma um ecossistema de empresas composto pelas marcas Movile, iFood, MovilePay, PlayKids, Sympla, Wavy e Zoop. Com mais de 4 mil funcionários, sua principal missão é impactar a vida de 1 bilhão de pessoas por meio dos seus aplicativos.

Brunella Biancucci, analista de RP e Comunicação da Movile, finalizou o segundo dia do Innovation Tour Virtual contando detalhes sobre o grupo e suas expectativas para os próximos anos.

Logo de início, ela explicou sobre a atuação da empresa, que diferencia, portanto do grupo. “A Movile é uma empresa que investe e desenvolve negócios de tecnologia e pessoas. Então, somos conhecidos por algumas marcas em específico, mas a Movile em si é investidora”.

A empresa adota o modelo de investimento estratégico, ou seja, além do aporte em dinheiro, o Grupo entra com pessoas, cultura, visão estratégica e modelo de gestão, visando também o resultado a longo prazo.

Ainda falando sobre esse valor que o Grupo valoriza, Brunella destacou que a cultura é um dos pilares mais fortes, sendo também um dos diferenciais em relação ao crescimento das empresas que compõem esse ecossistema.

Brunella Biancucci, analista de RP e Comunicação da Movile.

Nomeada como Gente Firme, a cultura do Grupo forma um acróstico, já que seus valores são focados em: Gente, Foco no cliente, Inovação, Resultados, Meritocracia e Ética.

Apesar disso, ela afirmou que cada empresa pode ter sua cultura, o que não é um problema. “Se você olha os valores, todos eles também são derivados de gente firme. Então, às vezes eles têm um nomezinho diferente, mas todas as empresas compartilham dessa mesma cultura, com as suas peculiaridades vizinhas, mas todo mundo sempre nessa base”.

Cultura do Grupo Movile, em painel, na sede da empresa.

Durante a pandemia, Brunella contou que o Grupo também teve preocupações em manter essa cultura e expressou isso tanto através da preocupação com a ergonomia e ambiente de trabalho, oferecendo aos colaboradores cadeiras e materiais de escritório, como em relação ao bem-estar em geral, disponibilizando apoio psicológico e celebrando, mesmo que virtualmente, algumas datas com a Festa Junina.

Ao final do Innovation Tour Virtual, os participantes também puderam conhecer a sede do Grupo Movile que foi pensado, segundo Brunella, para refletir sua cultura: desde os pequenos detalhes como um espelho com a mensagem “Nosso maior ativo” até uma parede de ética onde todos os colaboradores tem os desenhos de suas mãos como uma forma de selar esse compromisso com o Grupo.

Fernanda Santos, Editora-chefe do Starupi.

“Foram dois dias de muito conteúdo onde os participantes puderam interagir e se conectar com o ecossistema de inovação e startups. Fazer perguntas e tirar suas dúvidas com os executivos e líderes das maiores empresas de tecnologia e startups que estão revolucionando o mercado com certeza é um grande diferencial do evento e uma parte muito importante para os participantes. Estamos felizes em continuar levando essa experiência mesmo que virtual”, finaliza Fernanda Santos, editora-chefe do Startupi.


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Janaina Dantas
Jornalista do Startupi, formada pela FAPCOM - Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação em 2015.

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