A Magazine Luiza já é reconhecida por realizar investimos e aquisições de startups. Em 2019, por exemplo, ela adquiriu a Netshoes por US$115 milhões. Dessa vez, ela deu um passo para entrar no mercado de ads com a aquisição do braço de publicidade da Inloco, startup brasileira especializada em geolocalização.

O valor e os detalhes da negociação não foram revelados. A Prosus (Naspers), que participou da Serie A e investiu também na Serie B, junto com Unbox e Valor Capital Group, continuam como investidores.

Os produtos de publicidade que a Inloco comercializa permitem que uma marca anuncie para usuários de smartphone via rede de displays em apps. O diferencial é utilizar o comportamento de localização para construir segmentações de usuários, como os que vão na loja física da concorrência, ou os que estiveram em sua loja no último mês, por exemplo, para que a comunicação tenha contexto, seja mais relevante para a base, com a possibilidade de influenciar visitas em pontos de venda físicos. 

Segundo Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza, a aquisição faz parte do plano da companhia de monetizar sua audiência. A partir de agora, por meio do Magalu Ads, os parceiros do Magazine Luiza poderão expor seus produtos nos sites do próprio Magazine Luiza, da Netshoes, da Zattini e do Canaltech, por meio de e-commerce content e de publicidade nativa.

“A união de e-commerce, conteúdo e publicidade é um negócio em expansão em todo o mundo. Queremos fazer parte dele e, assim, oferecer novos serviços aos nossos sellers. Nossa plataforma tem tudo para ser uma das maiores e mais eficientes do mercado”, destaca.

Com a solução de localização da Inloco, o seller poderá oferecer seus produtos para clientes que estejam próximos de sua região, reduzindo custos de frete e prazos de entrega. Para lojistas incluídos no Parceiro Magalu – pequenas empresas, ainda essencialmente digitais – a plataforma de geolocalização promove a captação de clientes para as lojas físicas.

Sabíamos que o Magazine Luiza, com a escala que tem, conseguiria levar a solução Inloco Media para um patamar completamente novo. Por já terem um e-commerce forte e uma grande base de clientes em seu marketplace, existem muitas oportunidades para explorar sinergias entre os dados do mundo físico e os dados do mundo online. Tenho certeza que levarão este legado à frente, beneficiando a população, que terá uma experiência cada vez melhor”, destaca André Ferraz, CEO e fundador da Inloco.

A entrada do Magazine Luiza no mercado de ads também fortalece a estratégia de superapp da empresa. Segundo a consultoria americana eMarketer, em 2020, dois terços de todo o investimento mundial em publicidade programática serão destinados a anúncios para celular. E, de acordo com estudo da agência americana de publicidade Adyoulike, o mercado global de publicidade nativa deve crescer 372%, entre 2020 e 2025 – passando dos atuais US$ 85,8 bilhões para 402 US$ bilhões.

Em entrevista ao Startupi, André diz que assim que a compra for concretizada, a startup recifense irá focar em apenas três produtos no Brasil:

  • Incogniasolução de prevenção à fraude, com a verificação e autenticação de identidade de usuários de apps.
  • Inlocoproduto de marketing, permite que apps tenham a capacidade de entender o comportamento de sua base de usuários e engaje-os com mensagens com mais contexto e relevância por notificações push.
  • Insights – solução que auxilia empresas a monitorarem o fluxo de pessoas em locais de interesse. Assim, apresenta dados relevantes sobre a jornada offline, informações de segmentos-chave e aumenta a assertividade das decisões de nossos clientes. 

Segundo ele, a operação da startup terá poucas mudanças: o time que está vendendo mídia e insights, ficará 100% focados em insights. E eles também trarão reforços para o time técnico operando essa solução. 

Internacionalização

Os investimentos já estão sendo feitos desde 2019 para a internacionalização da empresa. Em Junho deste ano, eles lançaram a Incognia nos Estados Unidos e fizeram diversas contratações no país:  John Lindner, CRO, que liderou o crescimento da ThreatMetrix, que se tornou líder global em autenticação baseada em risco; Paula Skokowsi, CMO, que liderou o crescimento da ShapeSecurity, líder no segmento de biometria comportamental, e também, Yubico, líder em autenticação segura via chaves físicas; e Morgan Grandi, diretora de Customer Success, que liderava o time de atendimento da Endeavor Global. André conta que o foco nos EUA acontece pois ainda não existe nenhuma empresa trabalhando com algo parecido por lá. Apesar disso, eles continuarão investindo no desenvolvimento da sua tecnologia no Brasil, o que impulsiona todos os seus produtos.

André, que é graduado em Ciência da Computação, cita dois exemplos que explicam a importância de focar na segurança: “Imagina que você está dirigindo um carro autônomo conectado a internet e ele é rackeado e desligam seu freio, você perde sua vida por conta de um ataque cibernético. Agora imagina que você está está em um hospital, sendo auxiliado por aparelhos e alguém descobre o quarto em que você está, consegue hackear o sistema e desliga o aparelho, mas uma vez você perdeu sua vida por um ataque cibernético. A nossa vida vai ser cada vez controlada por tecnologia, Inteligência Artificial, e isso tem uma série de vantagens. Em contrapartida, isso traz alguns riscos. Então a intenção de criar a empresa e esse produto foi justamente para tentar resolver isso. A gente entendeu que é inevitável que essa tecnologia aconteça, então a nossa ideia é fazê-la da forma correta”, disse.

Covid-19

A empresa, que colocou sua tecnologia à disposição de órgãos públicos e autoridades, também foi impactada pelo coronavírus e teve sua rotina alterada com todo o time em home office. Além disso, André conta que o produto que representava grande parte do lucro da empresa foi bastante prejudicado, mas a adaptação foi imediata.

“Perdemos 90% da receita, tivemos que nos adequar muito rápido. Ao mesmo tempo que a covid foi negativa para o negócio de publicidade, foi benéfica para o produto de segurança, porque todo mundo migrou para o digital. Muitos passaram a usar e-commerce e, consequentemente, as fraudes e os problemas de segurança no ambiente digital cresceram exponencialmente durante a pandemia. Então o nosso mercado cresceu muito”. E completou: “em março, a gente olhou para essa empresa completamente desesperada. Hoje, a gente está com uma empresa que potencialmente deveria valer o dobro da empresa de 4 ou 5 meses atrás. Essa é um pouco da emoção de empreender”.

Mesmo com altos e baixos no meio do caminho, André comemora o momento da Inloco, que está começando a exportar tecnologia para as maiores empresas do mundo. “A gente está bem animado com essa nova fase. É uma pivotada muito violenta. A gente mudou de mercado, de produto, mas a gente continua crescendo agressivamente, e enfrentando cada vez mais desafios”, destaca.

Na última semana também conversamos com André direto do Vale do Silício, que nos contou sobre a motivação da criação da empresa, detalhes sobre o momento de pivotagem e outros detalhes dos bastidores da companhia. Confira abaixo: