Criado há três anos pelo Startupi, o Innovation Tour ganhou sua primeira versão virtual esta semana. Uma oportunidade única de se conectar com o ecossistema de inovação e startups em todos os locais de disrupção no Brasil. Essa foi a experiência que empreendedores, investidores e heads de tecnologia e negócios de grandes empresas de todo o país tiveram durante os dois dias do Startupi Innovation Tour Virtual.

Todos que participaram foram recebidos pelos fundadores ou executivos principais das mais inovadoras startups e empresas, tanto de tecnologia quanto de diferentes setores que possuem projetos de open innovation. Além disso, também conheceram os principais casos de sucesso no Brasil, tiveram acesso de forma remota a sede dessas empresas e tiraram dúvidas com os anfitriões. Confira como foi:

VISA

No primeiro dia da imersão, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais do Visa Innovation Studio, espaço de cocriação de ideias dentro do escritório da Visa em São Paulo. Criado em setembro de 2016, o local é dedicado à troca de experiências da empresa com importantes players do mercado brasileiro, visando o futuro das soluções de pagamento. O espaço também faz parte do plano global de inovação da Visa.

“A gente foca muito na cocriação, gera ideias e vai refinando-as através de um processo de prototipar essas ideias. A parte da pesquisa é muito grande. Não adianta nada a gente entender o problema, desenhar o negócio, mas não conseguir entregar. A intersecção desses três pontos é o que norteia a nossa inovação dentro da empresa”, explicou Erico Fileno, head de Inovação da Visa. O lugar é bastante lúdico, essencial para estimular a criatividade. “O que é mais importante são as pessoas trabalhando no nosso espaço. Ele é aberto, porém lúdico, onde as pessoas consigam trabalhar e cocriar”.  

Erico Fileno, head de Inovação da Visa.

O Studio pertence a uma rede com 11 centros espalhados pelo mundo, sendo o primeiro lançado há 7 anos, em São Francisco, nos Estados Unidos. Erico explicou que mais dois espaços seriam lançados este ano, mas os planos foram adiados por conta da pandemia. No caso do Brasil, segundo Fileno, há uma triangulação entre os espaços de Miami e México. “Há uma troca intensa de informações, soluções que são desenvolvidas aqui e que podem ser implementadas em outros países da América Latina e o caminho inverso”.

Unidades do Visa Innovation Studio.

O head ainda destacou o intenso trabalho de testes e pesquisas feitos no Visa Innovation Studio, no qual é preciso entender, em um primeiro momento, quais são as dores, necessidades e desejos dos consumidores. Em seguida, trabalhar para chegar em algumas soluções e, se necessário, fazer o caminho contrário para testar novamente. 

“Aprender fazendo e aprender através dos nossos erros. Como a gente consegue gerar soluções, prototipar rapidamente, para obter o sucesso mais cedo e entender que os erros vão acontecer sempre? Como trabalhar a inovação sabendo que a gente vai errar? É importante a gente ter isso porque no processo de inovação, a gente vai trabalhar o tempo inteiro com a incerteza do nosso lado”, destacou.

Fileno também ressaltou os programas de aceleração promovidos pela Visa, que tem como objetivo fomentar o ecossistema de startups no País e promover o empreendedorismo, inovação, talento e tecnologia. A iniciativa, que já está em seu quarto ano, anunciou na semana passada as startups que participarão do Programa em 2020. Já passaram pelo programa 66 startups, sendo que 29% já fecharam negócios. Até o momento, são 28 negócios fechados, sendo 50% destes negócios com parceiros Visa, 46% com a própria Visa e 4% entre as startups.

“Tudo o que nós realizamos e trouxemos à Visa até hoje não significa nada que vai levar a Visa daqui para o futuro. A gente precisa repensar constantemente como trabalhar frente ao ecossistema, frente ao contexto atual, e como a gente vai tirando essas ideias velhas e jogando fora para oxigenar e gerar ideias novas”, finalizou.

INLOCO

A Inloco, empresa brasileira de tecnologia de localização, também esteve presente no Startupi Innovation Tour. Direto da Califórnia (EUA), André Ferraz, CEO e fundador da startup, destacou as principais atividades exercidas pela empresa, que usa sua tecnologia para atender diversos segmentos que vão de varejo e indústria a aplicativos O2O (online to offline).

Graduado em Ciência da Computação, Ferraz iniciou a conversa comentando sobre a sua principal inspiração na hora de criar a empresa, um artigo que seu pai, professor, o indicou para leitura certa vez. Nele, dizia que a computação se tornaria presente em todos os objetos e que ela se torna totalmente inteligente num nível em que nossa vida passaria a ser completamente automatizada. 

“Essa inspiração veio com alguns questionamentos: o que essa automação poderia trazer de negativo para nossa vida? Claramente, a consequência disso está relacionada a segurança e a nossa privacidade. A nossa vida vai ser cada vez controlada por tecnologia, Inteligência Artificial, e isso tem uma série de vantagens. Em contrapartida, isso traz alguns riscos. Então a intenção de criar a empresa foi justamente tentar resolver isso. A gente entendeu que é inevitável que essa tecnologia aconteça, então a nossa ideia foi fazê-la da forma correta”, disse.

Em um primeiro momento, de acordo com Ferraz, a base de tudo estaria relacionada a como conseguir ter uma forma de localizar o dispositivo do usuário, onde quer que ele esteja, com alta precisão. Em seguida, como conectar as pessoas de maneira segura, mantendo um alto nível de personalização, mas ao mesmo tempo protegendo sua identidade. 

“A gente entendeu que, através da localização, a gente conseguiria criar uma identidade digital para cada usuário que seria baseado no seu comportamento e não em quem ele é. Mas o problema é que a gente estava tentando resolver um problema que não existia”. Ele conta que naquela época, não existiam as várias tecnologias disponíveis atualmente. “Ainda não existia IoT, redes 5G. Não existia infraestrutura básica para que esse mercado se tornasse relevante o suficiente”.

André Ferraz, CEO e fundador da Inloco.

André contou que esse foi um dos grandes desafios para a criação da empresa. “Eram estudantes universitários, ninguém tinha empreendido ou trabalhado no mercado, e a gente precisava aplicar uma tecnologia em problemas do mercado que a gente não tinha tanto conhecimento”. Ele ressaltou que, no início, a empresa criou diversas ferramentas para vários segmentos, porém, sem sucesso. 

Foi então que, segundo André, a organização resolveu se conectar com o mercado publicitário, com atenção especial para as grandes lojas do varejo. “De um lado, a gente colocava essa tecnologia de localização em diversos aplicativos móveis, do outro lado a gente tinha as grandes marcas anunciando nesses aplicativos móveis”. 

O CEO destacou que, naquele momento, se o produto não desse certo, a empresa corria o risco de não conseguir nenhum novo investidor, já que ainda não tinha conseguido tracionar no mercado. Por fim, o produto se tornou um grande sucesso.

“Então ou esse produto dava certo, ou a empresa falia. Acabou que ele ganhou uma tração muito rápida. Em 2 meses, a empresa já estava lucrativa. Talvez a gente seja um dos raros casos de startups em que boa parte do crescimento veio da própria geração de caixa, do lucro de fato. A gente reinvestiu tudo isso que a gente gerou, porque no final das contas, a gente continuava com a cabeça fixada no nosso objetivo final, que era impedir que a IoT se tornasse uma ameaça a nossa privacidade e a nossa segurança”. Ferraz disse que, como esse produto estava crescendo muito rápido, boa parte da receita que ele gerava era usada para investir em outros produtos. 

Desde o ano passado, segundo André, quando resolveu fazer uma captação de investimento e levar a empresa para os Estados Unidos, tem observado uma transformação muito grande. Com o coronavírus, o produto que representava grande parte do lucro da empresa foi bastante prejudicado, mas a adaptação foi imediata.

“Perdemos 90% da receita, tivemos que nos adequar muito rápido. Ao mesmo tempo que a covid foi negativa para o negócio de publicidade, foi benéfica para o produto de segurança, porque todo mundo migrou para o digital. Muitos passaram a usar e commerce e, consequentemente, as fraudes e os problemas de segurança no ambiente digital cresceram exponencialmente durante a pandemia. Então o nosso mercado cresceu muito”. E completou: “em março, a gente olhou para essa empresa completamente desesperada. Hoje, a gente está com uma empresa que potencialmente deveria valer o dobro da empresa de 4 ou 5 meses atrás. Essa é um pouco da emoção de empreender”.

Mesmo com altos e baixos no meio do caminho, André comemorou o momento da Inloco, que está começando a exportar tecnologia para as maiores empresas do mundo. “A gente está bem animado com essa nova fase. É uma pivotada muito violenta. A gente mudou de mercado, de produto, mas a gente continua crescendo agressivamente, e enfrentando cada vez mais desafios”, destacou.

No final, deixou um recado para quem quer empreender. “Só existe, na minha visão, uma coisa em comum a todos os empreendedores de sucesso, e essa coisa é a capacidade de reagir às adversidades de maneira positiva. Você pode ter figuras como Steve Jobs, que é um gênio criativo, ou Bill Gates, que é um gênio dos negócios, ambos foram extremamente bem sucedidos, criaram empresas fantásticas, mas uma coisa que era comum aos dois era essa persistência no seu trabalho e nunca desistir de continuar trabalhando, seguindo em frente, independente do que acontecesse. A história mostra o que aconteceu com eles e tantos outros empreendedores que tiveram esse tipo de atitude. Não existe fórmula mágica para empreender, mas uma coisa em comum é o trabalho e a persistência”, finalizou.

BOSSA NOVA INVESTIMENTOS

A Bossa Nova Investimentos foi representada por Danilo Alves, analista de Marketing, que contou um pouco da história da empresa responsável por fomentar a economia do país através de investimentos em startups com produtos digitais escaláveis. Considerada o micro venture capital mais ativo da América Latina, a Bossa Nova investe em startups de pré-seed, isto é, abaixo de R$1 milhão em investimentos. Além disso, possui uma rede de fundadores e cofundadores que promovem uma série de atividades, como programas de mentoria, por exemplo. “Esse é um grande diferencial nosso”, destacou Danilo. 

Geraldo Santos, diretor do Startupi, ressaltou que mais do que o investimento em si, o ponto-chave da Bossa Nova é a relação que possui com seus parceiros. “Muitas vezes, essa rede para troca de conhecimento e parcerias é mais importante do que aquele dinheiro que está sendo investido. É o chamado smart money, inclusive título de um dos livros do João Kepler. O que uma startup precisa é desenvolver negócios, faturar, vender para poder efetivamente crescer, tracionar e escalar o Brasil inteiro. Esse é um dos pontos mais importantes”, ressalta.

Alves ainda destacou que, mesmo com a pandemia, a Bossa não parou de investir. “A gente fez questão de continuar investindo, porque esse é um grande ideal da Bossa Nova. Nesse momento em que a economia mais precisa, a gente não poderia parar e recuar com os investimentos. A única coisa que mudou é que a gente está trabalhando de casa e os eventos presenciais agora são digitais, mas de resto, a gente está mantendo o mesmo fluxo e trabalho pesado”, apontou.

Time (parcial) da Bossa Nova Investimentos

No fim do mês de julho, a Bossa Nova anunciou a criação do grupo específico para investimento em fintechs, formado por profissionais respeitados do mercado. No total, eles terão R$ 5 milhões disponíveis para encontrar negócios pelo país, confira aqui.

MOVILE

O ecossistema Movile reúne um grupo de empresas de tecnologia, que trabalha em conjunto para atingir crescimento exponencial no mercado global e impactar a vida de 1 bilhão de pessoas por meio dos seus aplicativos. Hoje, com mais de 4 mil funcionários, o ecossistema é formado por iFood, MovilePay, PlayKids, Sympla, Wavy e Zoop e, mais recentemente, a plataforma colombiana de entregas expressas Mensajeros Urbanos

Brunella Biancucci, analista de RP e Comunicação da Movile, apresentou todas as atividades do grupo e destacou as ações estratégicas da empresa, que está em franca expansão e crescimento de suas operações na América Latina. “A gente acredita muito no potencial da tecnologia como um poder de transformação. A gente muda desde a maneira como a gente se alimenta, até a maneira como as vezes a sociedade funciona”, disse.

Brunella Biancucci, analista de RP e Comunicação da Movile.

Ela destacou que, para outra empresa do grupo, a Sympla, plataforma de venda e gestão de ingressos, os impactos da pandemia foram inevitáveis. Porém, mesmos suspensos por conta da pandemia, viu nos eventos pela internet e em formato drive in uma forma de inovar seu produto e não perder faturamento. “Uma das coisas mais bonitas do ecossistema é o poder de inovação rápido. A gente trabalha bastante com inovação e como responder muito rápido ao que a gente enxerga como tendência”, afirmou.

Espaço de inovação da Movile.

A analista ainda ressaltou o que a empresa leva em conta na hora de escolher um investimento. “A gente sempre procura ter um time bastante forte saber o que está acontecendo no mercado e quem são essas possíveis organizações que podem se juntar a nós, sempre pensando em como a gente fortalece o nosso ecossistema. Quando eu digo que a gente é um ecossistema, é porque a gente fala muito que as empresas trocam muito e fortalecem umas os produtos das outras”. 

Ela acrescentou que o grande diferencial da Movile é o de aportar nessas organizações outros valores, estes que vão além do financeiro. “A gente coloca gente, cultura forte, nossa visão estratégica e nosso modelo de gestão, que é o que a gente acredita que faz as empresas crescerem a longo prazo”. Ao final, Brunella levou os participantes do Startupi Innovation Tour para um passeio virtual pela empresa.

Espaços de convivência da Movile.

MERCADO LIVRE

O Mercado Livre, gigante de tecnologia para o e-commerce e serviços financeiros e tida como uma das mais valiosas do mundo, encerrou o primeiro dia do Innovation Tour Virtual. Os números não deixam mentir: a organização está presente em 18 países, com mais de 12 mil colaboradores e até o fim do ano, quer chegar a 15 mil. 

Ela ainda coleciona 11 milhões de vendedores, mais de 270 milhões de itens publicados na plataforma e mais de 360 visitas no site por segundo. Além dos Centros de Distribuição (CD) Fulfillment em Louveira e Cajamar, no estado de São Paulo, em junho, anunciou a abertura de um novo CD em Lauro de Freitas, na Bahia, consolidando a expansão da marca no país. 

Atualmente, atua em 4 frentes: Mercado Pago, Mercado Envios, Mercado Livre Publicidade e Mercado Shops. Durante a pandemia, o valor de mercado da companhia cresceu de forma acentuada. “Quase duplicou do começo do ano para cá. O MELI fala de US$ 58 bilhões”, explicou Henrique Teixeira, corporate development da empresa. Só no e-commerce, segundo ele, já foram 402 milhões de vendas e US$ 14,3 bilhões no marketplace transacionados.

Henrique ainda destacou um número curioso sobre o Mercado Pago, fintech do Mercado Livre. Segundo ele, nos últimos 12 meses, o valor transacionado pela plataforma foi de US$ 31 bilhões, mais da metade que o volume total transacionado pelo próprio Mercado Livre, que foi de US$ 14 bilhões. “Foram 8 milhões de pagadores só no primeiro trimestre deste ano. É a maior carteira digital da América Latina”, apontou.

Henrique Teixeira, corporate development do Mercado Livre.

Apesar dos números satisfatórios, Teixeira conta que a empresa ficou em alerta no começo da pandemia, uma vez que viu a inadimplência crescer. “A gente tomou um grande susto, mas logo acertou os modelos de crédito e acelerou nossa concessão de crédito, porque a gente entende que muitos negócios vão precisar de dinheiro para sobreviver agora. A gente antecipou o prazo de pagamento aos nossos lojistas e reduzimos algumas taxas. Diria que foi nessas três frentes que a gente atuou para ajudar nosso ecossistema nesse momento”.

O Mercado Livre ainda possui um fundo de investimentos, o MercadoLivre Commerce Fund (MeLi Fund), composto por cerca de 20 empresas. Henrique explicou como funciona o programa e como se dão as participações. “A gente busca investimentos com participações bem minoritárias, chega a ter 5% da empresa. Tem algumas exceções maiores, mas a ideia do MeLi Fund é que a gente busque um valor estratégico, que é aprender com inovação de novos mercados, estar próximo, participar de segmentos que a gente gosta e que não estão atuando”. Além de empresas nacionais, o fundo ainda investe em organizações na Argentina, México, Colômbia e Chile.

      Academia dentro do Mercado Livre.

Ao fim do primeiro dia, Henrique circulou virtualmente com os participantes do Startupi Innovation Tour pelo Melicidade, uma verdadeira cidade com mais de 30.000m2 e que teve um investimento de mais de R$100 milhões. Além de mostrar todo ambiente corporativo, áreas de atendimento e negócios da empresa, todos tiveram oportunidade de conhecer os espaços de convivência, academias e salas de dança, entre outras.

MICROSOFT PARTICIPAÇÕES

O segundo dia da imersão também contou com participantes de peso no Startupi Innovation Tour Virtual. Franklin Luzes, COO da Microsoft Participações, iniciou a palestra contando um pouco de sua história antes da Microsoft: foi empreendedor, recebeu investimentos, e já passou pelas fases que passa hoje uma startup. Ele ainda ressaltou que aceitou trabalhar na empresa por conta da sua missão. “Quando ela fala que a missão é empoderar cada pessoa e cada organização do planeta a conquistar mais eu leio pessoa, empreendedor e organização, startup. Então tem uma conexão direta com o tema”.

Franklin Luzes, COO da Microsoft Participações.

Luzes também comentou sobre o Programa Women Entrepreneurship (We), que tem como objetivo fomentar o empreendedorismo feminino e ajudar no desenvolvimento de iniciativas disruptivas, de base tecnológica e que tenham pelo menos uma mulher como sócia do empreendimento. No último mês de março, a empresa anunciou as primeiras startups selecionadas para participar do programa. Ele destacou importância do fomento de iniciativas para este público em específico. “As mulheres tomam menos risco, são melhores para gerenciar o negócio na crise. Fomentar nesse momento é muito estratégico”, disse.

A baixa participação de startups de base tecnológica, que possuam mulheres na liderança – no Brasil o percentual é de apenas 2%, segundo pesquisa do Distrito 100 Super Founders –, é percebida pelas dificuldades das empreendedoras na busca de qualificação para gerir o negócio ou pelas barreiras culturais do ambiente corporativo e das startups, que têm em sua maioria homens como fundadores.

O Fundo WE tem o objetivo de captar R$ 100 milhões em até cinco anos, já nasceu com R$ 50 milhões captados. Os aportes nas startups irão de R$ 500 mil a R$ 5 milhões. Atualmente, é baixa a oferta de capital semente, algo agravado em startups com sócias mulheres. Por este motivo, o foco do Fundo WE é apoiar, por meio de investimento, as startups que tenham participação feminina durante uma fase conhecida como “vale da morte”, na qual existe um alto risco de mortalidade e os recursos financeiros estão abaixo do necessário para permitir que a startup consiga expandir os seus negócios rapidamente. “A startup a ser investida pode ter homens no time, mas é obrigatório que tenha uma sócia mulher com no mínimo 20% de participação e atuação em tempo integral”, conclui Franklin.

Waldemir Cambiucci, technical sales manager da Microsoft, também participou do bate-papo. Ele é diretor do Microsoft Technology Center (MTC), ambiente colaborativo dentro da organização que fornece acesso às tecnologias mais recentes e um time especializado para permitir aos representantes de setores públicos e privados idealizar, desenvolver e implementar soluções Microsoft e de seus parceiros. A unidade de São Paulo, uma dentre várias espalhadas pelo mundo, completou 8 anos em 2020.

Waldemir Cambiucci, technical sales manager da Microsoft.

“Desde 2000, o MTC traz esse tipo de engajamento. Você acaba tendo vários tipos de experiências dentro de um centro em que você elabora e cria a visão para você dar o próximo salto. Isso para a startup é sensacional, porque você consegue trazer algumas necessidades de mercado e ao mesmo tempo, fazer alguns insights de inovação de uso melhor de algumas ferramentas que às vezes passa batido pelo time técnico da startup e que pode ser uma super oportunidade”, destacou. Entre os temas principais de foco tecnológico do MTC destacam-se Cyber Securiry, LGPD,  IoT e Varejo.

Cambiucci afirmou que, durante a pandemia, tem observado várias empresas digitalizando o trabalho remoto. Segundo ele, apesar da transformação digital ainda não ter ocorrido de forma plena, já enxerga uma mudança de comportamento por parte das empresas. “Num primeiro momento, o que a gente tem visto de março até agora é muito mais uma virtualização das discussões, dos eventos, o que já é um primeiro passo essencial. Até fevereiro, as empresas estava dark to cloud, elas não queriam sequer falar sobre digitalização. Agora, elas já estão na nuvem”. 

GYMPASS

O Gympass, plataforma de benefício corporativo de atividade física, também esteve presente no evento. Tatiana Floh, VP de SMB da empresa, destacou alguns pontos da companhia, que tem como uma das missões principais o combate ao sedentarismo, oferecendo em sua plataforma várias atividades físicas, além de planos de bem estar com uma mensalidade acessível. A empresa trabalha em três frentes: as academias, que fazem parte dos planos, os profissionais que ensinam nas atividades e os clientes corporativos, isto é, empresas que adquirem o benefício para que ele esteja disponível para o funcionário.

Tatiana explicou que o Gympass criou nos colaboradores das empresas uma cultura de se movimentar. “70% dos usuários não tinham nenhuma matricula antes de ter o benefício”. Ela destacou os perfis de cada usuário da plataforma. “São três: os que já são usuários e já praticam; aquele que vê os outros fazendo e é engajado e o outro que é o sedentário”. Segundo a VP, o Gympass está presente em mais de 50 mil academias em 12 países espalhados pelo mundo. “Como a companhia é global, você pode usar em qualquer lugar do país”.

Tatiana Floh, VP de SMB.

O novo coronavírus afetou de forma acentuada os negócios do Gympass. Com as academias fechadas por conta da pandemia, a empresa acabou tendo que ampliar o escopo de profissionais para sua plataforma, como psicólogos, nutricionistas e personal trainers. “Um cenário novo, realidade difícil. Ninguém podia prever. Nosso segmento foi absolutamente afetado”, ressaltou Tatiana. Ela ainda citou os incentivos dados pelo Gympass às academias, além de campanhas de benefício. 

Apesar das dificuldades durante o processo de digitalização do meio, Tatiana reforçou a importância da inovação no momento de virada do Gympass. “Talvez você tenha que ser sua inovação. Ninguém vai falar pra você se não tiver isso internamente. E se você não enxergar, dificilmente vai inovar. Precisa de disciplina”. Ao final, os participantes do evento ainda tiveram uma sessão de mindfulness com o CEO da Guia da Alma, Rodrigo Roncaglio. A técnica, além de reduzir o estresse e a ansiedade, atua na prevenção e tratamento à depressão, totalmente voltada para o bem-estar e saúde emocional.

Rodrigo Roncaglio, CEO da Guia da Alma.

Squid

A Squid também fez parte do Startupi Innovation Tour. A empresa, especializada em marketing de influência, oferece uma ampla linha de serviços para atuar com grandes anunciantes, dentro do meio de marketing digital. 

Rafael Arty, head de Negócios da empresa, comentou sobre a tecnologia baseada no mercado de influenciadores e como ela tem gerado resultados positivos para a Squid. “Conforme a gente foi trazendo soluções de tecnologia, e cada vez mais trazendo dados para a tomada de decisão, a gente foi pivotando o negócio para muito além de criadores de conteúdo, como mapear e executar campanhas, pegando todo o funil de marketing e trazendo uma percepção comprovada do impacto que isso gera ponta a ponta”. 

Rafael Arty, Head de Negócios da Squid.

Desde a sua criação, foram mais de 3 mil campanhas executadas, 150 delas só no último mês de julho. Apesar dos números satisfatórios, Arty ressaltou que realizou diversos testes até acertar o modelo de negócio ideal para a Squid. “Dentro desse mercado, baseando nos números, a gente foi errando e acertando por muito tempo, gerando essa expertise para hoje conseguir debater com os dados o que dá certo e o que não dá”, explicou. Recentemente, a empresa contratou 30 pessoas e continua com mais de 15 vagas em aberto.

Conjunto de soluções trabalhadas pela Squid.

Um dos pontos importantes destacados por Rafael e que são essenciais para a empresa é o de identificar, em cada campanha, qual a comunidade que aquele cliente possui e quem vai impactar, trazendo conteúdos autênticos, qualidade e muito engajamento. “Na nossa visão, quando a gente consegue automatizar toda a régua com os influenciadores, eu consigo ter muito mais tempo para me relacionar com eles. A gente consegue gerir os influenciadores não só como influenciadores, mas como talentos. Como eu posso pegar essa pessoa e extrair o máximo dela?”, disse.

Segundo Arty, o grande desafio da organização é trazer, dentro dos modelos tradicionais de marketing de influência, uma solução onde aquele investimento não seja apenas pontual. “A Squid acredita muito que a criação de comunidade é o futuro, dentro do marketing digital, porque a gente trabalha de uma forma orgânica, o investimento é menor e o resultado é maior a longo prazo”. Rafael também levou os participantes do evento para conhecer as instalações da Squid em São Paulo.

BRAIN – Grupo Algar

O Brain, Centro de Inovação e Negócios Digitais do Grupo Algar, com sede em Uberlândia (MG), fechou com chave de ouro o Startupi Innovation Tour Virtual. Os participantes puderam interagir diretamente com Zaima Milazzo, presidente do Brain, iniciativa que faz parte do Grupo Algar, presente no setor de telecomunicações, tecnologia, agronegócios e entretenimento.

No próximo dia 8 de agosto, o Brain completa 3 anos de existência e desde a sua criação, expandiu suas atividades para São Paulo e Recife. No início do mês de julho, a empresa anunciou o lançamento da Brain Innovation Academy, um braço de educação voltado tanto para profissionais que estejam procurando capacitação quanto para empresas, com foco nas organizações que precisam treinar seus funcionários.

O Brain possui várias parcerias com empresas e universidades, desenvolvendo soluções e protótipos que permitem a automatização da indústria 4.0. Além disso, trabalha com soluções que, de alguma forma, gerem menos valor para as empresas do Grupo Algar, mas que tragam um resultado mais rápido. “A gente consegue lançar produtos e serviços em pouco tempo, no máximo 6 meses”, destacou Zaima.

Zaima Milazzo, presidente do Brain.

Além da metodologia ágil, atualmente, a empresa possui todo o know how para desenvolver novos negócios, colocando o cliente no centro da produção da inovação. “A gente desenvolve o produto muito focado em entender o que a gente tá gerando de valor para o cliente, e ter o feedback dele, construir esse produto. E quando a gente coloca esse produto em escala, a gente tem muito mais certeza que esse produto vai dar resultado”.

Escritório do Brain em Uberlândia (MG).

Zaima destacou como o Brain está trabalhando para minimizar os impactos da pandemia para o Grupo Algar, apontando a importância da criação de novas soluções neste momento. “A tecnologia vem sofrendo evoluções numa forma muito acelerada. Nós estamos antenados e entendendo essa transformação digital de certa maneira acelerada pela pandemia, para que a gente evite de alguma forma que esse braço do Grupo Algar sofra ameaças e, principalmente, por meio desse entendimento, que a gente gere novos negócios, que possam trazer essa perenidade para o grupo”. No final do dia, quem estava acompanhando o Startupi Innovation Tour Virtual, também teve a oportunidade de conhecer as instalações da empresa.

Para Geraldo Santos, diretor do Startupi, “o Innovation Tour em sua edição virtual superou todas as expectativas, tanto das empresas parceiras, quanto dos participantes. Desta vez não estivemos fisicamente nas empresas, mas pudemos ter muito mais gente participando do Brasil todo. Pudemos falar com o Andre Ferraz, founder da InLoco direto da California no dia em que ele estava anunciando a venda de parte da InLoco para Magazine Luiza, isso foi incrível”, destacou.

Geraldo Santos, diretor do Startupi (à esquerda), ao lado de Tatiana Floh, VP de SMB da Gympass e Rodrigo Roncaglio, CEO da Guia da Alma (à direita).

“O Startupi Innovation Tour acontece mensalmente há três anos e temos uma edição (Plus Day), super especial que é feita em parceria com a ABStartups na véspera do CASE. Na edição 2019 recebemos em São Paulo 300 pessoas que visitaram 30 empresas em 3 dias. Tudo isso teve que ser interrompido por causa da pandemia, porém o mercado pediu e não quisemos esperar mais pelo retorno aos escritórios, por isso a edição virtual foi criada. Agora vamos ouvir os participantes, lapidar e lançar o calendário com as próximas edições mensais em breve, pois o Startupi Innovation Tour Virtual veio para ficar”, concluiu.

Quer participar das próximas edições, fique ligado nas redes sociais do Startupi.