* Por Fernando Patara

Durante esse ano, foi possível observar o aumento na indústria dos capitais de risco. Fatores como o isolamento social e o aumento de soluções tecnológicas contribuíram para a democratização desse universo. A partir desse avanço, ações que antes eram mais restritas, como o private equity, começaram a chamar a atenção do mercado.

Um fundo financeiro diferente do convencional, voltado para investidores mais experientes ou até mesmo, profissionais. Visto que, a maioria das ações são para quem já possui mais de 10 milhões no mercado financeiro. Segundo a plataforma Distrito, os setores que receberam o maior volume de aplicações desses fundos foram os de healthtech (31,4%), fintech (16,9%) e retailtech (11,3%). Consequentemente, esses foram os que mais cresceram em 2020.

private equity é uma modalidade de venture capital, feita de forma direta em empresas de grande ou médio porte e que já estão consolidadas no mercado. A ideia é de impulsionar o crescimento da companhia e fazer com que ela abra seu capital na bolsa de valores. Hoje, já existem ações abertas para pessoas físicas ou jurídicas feitas através de uma carteira de ações.

No Brasil, temos alguns exemplos de empresas que a partir desse investimento elevaram o seu valor de mercado para além de um bilhão de dólares. Como é o caso da Nubank, que hoje é a principal empresa unicórnio da América Latina. Vale ressaltar que nessa modalidade o investidor tem a participação ativa na empresa, ou seja, além de contribuir com o capital, ele soma à empresa sua experiência de negócio e gestão. Uma aplicação mais complexa e a longo prazo,leva um tempo para que se tenha algum tipo de retorno.

Um dos motivos do private equity ser feito para empresas de médio e grande porte, acontece a partir da lógica de que, geralmente, elas apresentam dificuldades, como uma gestão incapacitada ou até mesmo, dívidas. Em suma, essas companhias apresentam lacunas, oportunidades para melhorias. A partir disso, maiores são as chances de extrair bons retornos ao longo do tempo. A rentabilidade dessa aplicação não vem de forma muito líquida, é acordado através de um contrato uma meta específica de lucratividade. Então, em todos os casos é necessário esperar o processo de desinvestimento, o que pode levar cerca de 4 anos ou mais. Antes disso, não é possível desistir.

Essas empresas realmente existem, ou seja, geram empregos, possuem faturamento e metas. O investimento aplicado vem para estimular e para melhorar a performance da companhia. Por conta disso, são de grande importância, principalmente, para as empresas. Além do mais, o mercado e a economia brasileira também saem ganhando.

Pode-se perceber a efetividade desse fundo, a partir dos resultados das startups investidas que anos após já apresentam lucro e uma enorme potencial de retorno financeiro. As mudanças que aconteceram durante esses dois últimos anos trouxeram um grande destaque para as startups e suas soluções tecnológicas. Em 2021, essas empresas já captaram US $8,6 bilhões em investimentos, mais que o dobro que no ano passado. A tendência é que com o amadurecimento e o crescimento do mercado a demanda por fundos financeiros aumente, tanto aplicações mais conservadoras, quanto às mais complexas como o private equity. Para quem tem interesse nesse universo, é importante ficar de olho, pois trata-se de um mercado em expansão e com grandes oportunidades futuras.


* Fernando Patara é sócio da 2simple, empresa de assessoria e consultoria para startups, que busca criar estratégias para empresas, transformar ideias em negócios sustentáveis e conectar empreendedores.