Há eventos que assistimos. Para alguns, percebemos que realmente impactam. A RIW possui um mérito que é raro: não apenas preenche um calendário, mas também cria oportunidades para que ideias se desenvolvam, talentos se encontrem e soluções se tornem realidade. Em meio a um debate público que frequentemente se transforma em barulho, a realização de um encontro dedicado à inovação no Brasil já é um indicativo positivo — não porque “tá tudo certo”, mas porque há um esforço genuíno para explorar novas possibilidades.
A cidade que abriga a RIW não apenas recebe palestras e exposições, mas também adquire uma nova energia e a oportunidade de dinamizar o circuito de conhecimento. Palcos são importantes porque reúnem pessoas e diminuem distâncias. Quando a inovação ocorre de forma descomplicada e sem receio de falhar, ela se transforma em uma ferramenta — e não apenas em um discurso.
Mesmo assim, não podemos considerar o ambiente do evento como neutro. Nenhuma cidade se sustenta apenas com boas ideias: ela depende de uma infraestrutura eficiente, de serviços que atendem às necessidades da população e de oportunidades que não estão ligadas a um código postal. Existem sérios problemas sociais que nos cercam no dia a dia — como a desigualdade de acesso, as lacunas na formação profissional, a mobilidade que atrasa rotinas e oportunidades, e as inseguranças — e esses fatores se tornam pesados quando a estrutura falha e a criatividade não se traduz em resultados.
A RIW não se limita ao “networking”. Embora problemas possam gerar oportunidades, não devemos celebrar a dor como uma fonte de motivação: em vez disso, devemos recusar a ideia de desistir e nos perguntar “o que a inovação pode fazer aqui?”. Não é de romantismo que a inovação no Brasil precisa; é de um norte. E de responsabilidade para que o evento não seja uma ilha, mas um início de inclusão, acesso e efetivas melhorias.
Afinal, não é suficiente apenas cruzar o mar: é essencial chegar ao lado oposto, de preferência levando todos junto.



