* Por Cristovão Wanderley

Você já pensou em quantas inovações o food service tem colocado em prática nessa pandemia? E já pensou também que elas são uma saborosa lição de marketing para praticamente todos os segmentos de negócios? De cara acreditava-se que o distanciamento social e os apelos do #ficaemcasa decretariam o fim da maioria dos restaurantes, lanchonetes e afins. 

É bem verdade que alguns não sobreviveram às duras regras do distanciamento e realmente não tem sido fácil. O setor foi violentamente atingido porque foi cerceado naquilo que faz de melhor: reunir pessoas em torno de uma boa comida. 

Portas fechadas, mesas vazias e muita incerteza no horizonte fizeram desandar a receita de muitos negócios, infelizmente.

Mas é incrível como alguns rapidamente fizeram um movimento de reação. Uma grande sacada foi perceber, por exemplo, que dentro de casa as pessoas teriam tempo para preparar a própria comida. Isso as ajudaria a superar a ideia do isolamento e para alguns até criaria momentos lúdicos e criativos com a participação de toda a família. 

O que fizeram os restaurantes antenados? Criaram kits “faça você mesmo” e mandaram para a casa do cliente o prato meio pronto, ou o que os franceses chamam de mis en place: ingredientes selecionados, manuseados com capricho e prontinhos para virar uma refinada iguaria, sem exigir muito esforço ou habilidade especiais do cozinheiro. 

Os aplicativos como Ifood, Rapi, Uber Eats entraram com suporte tecnológico, ampliando o alcance dos menus e entregando a refeição com agilidade, garantindo aroma e crocância na medida exata. Isso fez as cozinhas criarem uma logística de entrega just in time que tornou os processos mais dinâmicos e produtivos também no backoffice.

Serviços de delivery cruzando as ruas o tempo todo mudaram até as feições das cidades, num fluxo incessante de bicicletas, motos, além de garçons e ajudantes de cozinha seguindo a pé até a casa do cliente.  

Os dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), mostram que a indústria brasileira de alimentos e bebidas como um todo registrou crescimento de 12,8% em faturamento no ano de 2020, em relação a 2019, atingindo R$ 789,2 bilhões, somadas exportações e vendas para o mercado interno. 

Nos Estados Unidos onde as pesquisas têm sempre um viés de futuro, estima-se que mercado de alimentos online deve crescer para US $ 117 bilhões até 2023,  de acordo com o Business Insider. 
E o Statista prevê que a receita no segmento global de entrega de alimentos online chegará a cerca de US $ 182 bilhões em 2024 .

Entregar conteúdo sob medida do jeito e na hora que o cliente precisa tem impulsionado as estratégias omnichannel da cadeia food service. 

Em seus blogs, boletins informativos, plataformas sociais, e até mesmo nas bem cuidadas embalagens (isso é tema, aliás para um outro artigo) o ingrediente que não falta é conteúdo saboroso e útil para alimentar um consumidor com fome de novidade.

Aí está um segredo importante dessa receita: dar às pessoas o que elas queriam, mesmo que ainda não soubessem: de receitas deliciosas a informações nutricionais, de conversas com chefs até aulas de “faça sua mini horta”, e muitos outros conteúdos inspiradores, com uma pitada de afeto. Histórias que muitas vezes começam no site e se espraiam pelas mídias sociais. 

Até o WhatsApp entra na ciranda, porque já é um meio de comunicação natural entre quem tem fome e quem oferece um bom prato.

Estratégias que têm turbinado a régua de relacionamento, criando novos vínculos e espaço para mais e mais valor agregado. E o ritmo das inovações não dá nenhuma pinta de que vai enfraquecer com o fim do isolamento social.

Ao contrário, sempre haverá boas ideias rolando entre a cozinha e a mesa do consumidor.  Prestar atenção a esse movimento é jamais deixar o angu desandar e aprender na prática como fazer do limão uma deliciosa limonada.


Cristovão Wanderley é responsável por inovação, estudo de tendências de tecnologia e adoção de novas ferramentas, além de desenvolver estratégias de negócio por meio do marketing digital na Stratlab Inteligência Digital. Faz a análise de dados dos clientes e seus concorrentes, transformando essas informações em ações que resultam em aumento de ROI, receita e geração de leads. Formado em Design Gráfico pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e com especialização em MKT, Comunicação, Gestão de Mídias Sociais, DMB, Digital Transformation & Big Data – todos pela Escola Superior de Propaganda e MKT (ESPM), Cristovão tem ainda larga experiência em Growth Strategy, SEO estruturado para vendas e Social Selling.