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Volpe Capital anuncia novo fundo de US$100 milhões para investir em startups

A Volpe Capital, gestora de venture capital fundada pelo ex-Softbank André Maciel e que tem Milena Oliveira e Gregory Reider como sócios, está em processo de captação de um novo fundo de investimento. Com previsão de encerramento para os próximos meses, o valor deve ser fechado em US$ 100 milhões, voltado para empresas nos mais variados estágios de maturação. O ticket médio, por sua vez, deve variar entre US$ 5 milhões a US$ 10 milhões por companhia. 

“A Volpe quer ser oportunista nos investimentos. Nosso foco principal são empresas mais maduras, em que seja possível fazermos diligência nos números e entendermos o unit economics do negócio. Mas também faremos investimentos em empresas mais early stage se entendermos que o preço faz sentido considerando a oportunidade. Como teremos um portfólio mais concentrado, haverá mais tempo para nos dedicarmos às investidas, acompanhando melhor o seu dia a dia e desafios”, conta Maciel. Ele também acrescenta que uma parcela menor do fundo será reservada para oportunidades em seed. 

André Maciel, fundador da Volpe Capital.

E o fundo já realizou seu primeiro investimento. A escolhida foi a edtech do Grupo UOL, que de acordo com Maciel, “está crescendo bem acima das projeções iniciais”. André caracteriza a criação deste mais novo fundo como uma “oportunidade de investimento óbvia”, sobretudo por conta do momento de mercado vivido por essas organizações citadas.

“Essa é uma categoria de investimento que conhecemos muito e com pouco capital disponível. Enquanto nos mercados públicos existem centenas de fundos, no nosso são poucos para um grande número de oportunidades e uma grande oportunidade de retorno. É um pouco do que o Charlie Munger, parceiro do Warren Buffet falou: a primeira regra da pescaria é pescar onde os peixes estão”. 

Potenciais de investimento e o mercado de startups no Brasil

O gestor explica alguns dos fatores mais relevantes que a Volpe leva em consideração na hora de investir em uma startup, como empresas que não tenham um modelo de negócios que exija captações recorrentes, como fintechs de crédito, por exemplo. A organização também deve possuir potencial de escalabilidade, incluindo um plano de expansão para outros mercados. 

Uma outra condição importante passa pela ESG, sigla em inglês para “environmental, social and governance”, usada para medir as práticas ambientais, sociais e de governança de uma companhia. “Se a empresa não tiver um olhar atento para ESG, com um planejamento concreto de como implementar essas medidas, não vamos investir”, diz André.

De um modo geral, ter uma boa governança e processos internos eficientes são alguns dos fatores determinantes para que um empreendedor receba um aporte financeiro, de acordo com André. “Talvez esse seja um dos grandes desafios das startups que crescem em ritmo acelerado: manter uma estrutura organizacional que seja eficiente e ajude a empresa a se organizar internamente, com a divisão de competências e responsabilidades entre os líderes”.

Ele acrescenta que a implementação desses processos internos ajuda não apenas na transparência na matriz de decisão, como também na identificação de eventuais ajustes que devem ser feitos na equipe na medida em que a empresa começa a escalar suas operações. Para o próximo ano, a Volpe deve focar seus investimentos principalmente nas áreas de educação, saúde, software (SaaS), e-commerce e fintechs (infraestrutura). “Entendemos que as principais oportunidades de investimento estarão nesses setores”. 

Ainda de acordo com ele, o mercado de startups no Brasil já cresceu bastante, tendência que deve se manter por alguns anos. “Apesar do mercado de startups brasileiro ser um dos mais maduros da América Latina, estamos distantes do nível de amadurecimento que vemos nos Estados Unidos e China, por exemplo, o que indica que ainda há bastante espaço para desenvolvimento e uma oportunidade incrível de investimento”. 

Mulheres na liderança de fundos de investimentos

Milena Oliveira, partner da Volpe Capital, faz parte de um universo onde apenas 8% dos fundos de investimento contam com mulheres na liderança — segundo dados da International Finance Corporation na América Latina — o que chama a atenção para a necessidade de mudanças e mais inclusão deste público no setor. Ela destaca que alguns dos principais desafios para a entrada neste segmento foram a falta de referência e liderança feminina durante seu crescimento profissional.

“Apesar de hoje conviver com mulheres brilhantes e que me inspiram, durante a caminhada, essa presença feminina mais forte fez muita falta. É diferente ser mulher nesse ambiente – os desafios são muitos e diversos do que os homens enfrentam. É importante ter alguém para conversar e trocar experiência. Hoje eu tenho essa rede de apoio mas não tive durante muito tempo. 

Outro aspecto importante que Milena chama a atenção é o fato de que muitas características vistas como positivas para homens causam o efeito oposto em mulheres. “Me lembro de ter ouvido comentários como “você precisa ser mais doce” ou frases parecidas – meus pares homens não recebiam esse tipo de feedback apesar de terem personalidades bem parecidas. Existe um certo imaginário que uma mulher deve se comportar de uma determinada forma, ter um certo tom de voz, se vestir de um jeito específico, e por aí vai – o maior erro é tentar caber nessa caixa – você acaba se limitando”, lembra.

Para as mulheres que almejam seguir carreira no mercado de investimento, a gestora aconselha que elas acreditem no seu potencial, tendo em vista os melhores resultados.  “Crescemos em uma sociedade desafiadora para mulheres. Muitas vezes o principal obstáculo para o seu crescimento é o seu pé no freio, mesmo que inconsciente”.

Milena Oliveira.

Dicas para quem quer empreender

Em sua carreira como investidor, André coleciona muitos aprendizados e compartilha alguns deles para quem deseja seguir este caminho. Além de controlar a ansiedade e deixar que a empresa amadureça dentro do seu tempo, ele aconselha que o investidor não seja o administrador do negócio. “Somos os conselheiros, escolhemos pessoas e não empresas. Nunca investir por “fear of missing out” e o mais importante: nesse mercado, machuca mais perder a oportunidade de um grande investimento do que perder dinheiro em um investimento do portfólio”, finaliza.


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Jornalista do Startupi, formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduando em Produção e Práticas Jornalísticas na Contemporaneidade na Faculdade Cásper Líbero (FCL), com atuação na RICTV Record Londrina e Folha de Londrina. Quer ter seu texto publicado no STARTUPI? Envie um e-mail para contato@startupi.com.br.

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