Muito se fala sobre o avanço do Pix, carteiras digitais e a transformação dos meios de pagamento no Brasil. Mas, longe dos holofotes, o dinheiro físico continua circulando, em algumas regiões em grande escala, gerando desafios bilionários para o varejo. Embora a percepção popular seja de que “ninguém mais usa dinheiro”, supermercados, atacadistas, farmácias, lojas de conveniência e redes varejistas ainda operam diariamente com bons volumes de numerário.
Para Hailton Santos, diretor Comercial da Sesami, o problema já não é mais a existência do dinheiro vivo, mas a complexidade da sua gestão. Dados do Banco Central mostram que o dinheiro em circulação no Brasil ultrapassa R$ 349 bilhões entre cédulas e moedas em 2025. O Banco Mundial aponta que cerca de 38% das compras no varejo brasileiro ainda são feitas em dinheiro, índice que ultrapassa 60% em regiões periféricas e no interior.
Na prática, isso significa que muitas empresas ainda precisam lidar diariamente com perdas financeiras, divergências de caixa, falhas na reconciliação, riscos de segurança, custos elevados com transporte de valores, erros humanos e interrupções operacionais. Segundo Hailton Santos, o custo para controlar dinheiro em espécie pode consumir até 20% do valor movimentado.
Segundo a 9ª Pesquisa de Perdas no Varejo Brasileiro, elaborada pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) em parceria com a Protiviti, as perdas com a gestão de numerário (dinheiro falso, furto e roubo) tiveram participação de 19,59% nas perdas financeiras do varejo, atrás somente das perdas geradas pelo cartão de crédito, com 28,79%, mas à frente de cartão de débito (18,24%), Pix (11,77%) e outros meios de pagamento (11,59%).
O varejo brasileiro registrou R$ 42,1 bilhões em perdas em 2025, segundo a Abrappe e Protiviti. Há estudos também que apontam que as perdas no manuseio e transporte de dinheiro representam entre 0,3% e 0,7% do faturamento anual do varejo. Em uma empresa que fatura R$ 1 bilhão por ano, isso pode significar até R$ 7 milhões em prejuízo.
Tecnologia à disposição para o varejo
É nesse cenário que cresce a demanda por soluções de automação e gestão de numerário, capazes de reduzir riscos e aumentar a eficiência operacional das empresas. “Por isso, contar com a ajuda da tecnologia é essencial. Muitas empresas ainda tratam a gestão de numerário de forma manual, vulnerável e pouco estratégica. Isso gera perdas silenciosas todos os dias”, comenta o diretor da Sesami.
Segundo o executivo, o crescimento dos pagamentos digitais não eliminou os desafios relacionados ao numerário. “O Pix certamente revolucionou a experiência de pagamento do consumidor, mas o varejo ainda movimenta numerário diariamente e precisa administrar tudo isso com eficiência, segurança e rastreabilidade”, explica Santos. Na Sesami, a demanda por cofres inteligentes cresceu cerca de 20% no último ano, refletindo a urgência de modernização da segurança, rastreabilidade e controle de caixa no segmento.
Além dos riscos financeiros, a má gestão do dinheiro impacta diretamente a produtividade das equipes e a operação das lojas. “Quando existe excesso de processos manuais, aumentam os erros, o tempo de conferência, as divergências de caixa e até os riscos de segurança. A tecnologia permite automatizar esse fluxo, reduzir perdas e dar mais inteligência operacional para o varejista”, destaca.
Para Santos, a discussão ganha relevância justamente em um momento em que o varejo busca aumentar eficiência, reduzir custos operacionais e melhorar a experiência do consumidor sem comprometer a rentabilidade. “O dinheiro físico não morreu. E ignorar os desafios operacionais ligados ao numerário pode custar caro para o varejo”, conclui o diretor.



