O Rio Innovation Week 2026 reuniu cerca de 200 mil pessoas entre 4 e 7 de agosto, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Em sua sexta edição, o evento contou com 3.200 palestrantes de 22 países, 30 delegações internacionais, cerca de 40 palcos, 16 trilhas de conteúdo, 400 expositores e 2 mil startups.
A programação combinou discussões sobre inteligência artificial, tecnologia, negócios, futuro do trabalho, ciência, educação, cultura e artes. O tema desta edição foi “Simbiose – o futuro não acontece isolado”.
Segundo a organização, foram geradas 1.650 horas de conteúdo durante os quatro dias de evento. Do público, 12% vieram de fora do estado do Rio de Janeiro e 30% de fora da capital.
O impacto econômico também foi registrado pela organização. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, o evento gerou cerca de 22 mil empregos diretos e indiretos e mais de R$ 150 milhões na economia do Rio de Janeiro, considerando turismo, bens e serviços.
Para Jerônimo Vargas, idealizador e diretor-geral do Rio Innovation Week, o evento passou a atuar como espaço de conexão entre diferentes setores. “Encerramos esta sexta edição com a certeza de que o Rio Innovation Week ultrapassou definitivamente os limites de um evento de tecnologia e inovação. O que construímos no Píer Mauá é uma grande plataforma de conexão entre pessoas, ideias, empresas, ciência, cultura e diferentes setores da sociedade.”
Tecnologia além dos nichos
A amplitude da programação também foi percebida pelos participantes. Gustavo Victorica, cofundador e COO da RecargaPay, explicou que a decisão de levar ao palco da empresa discussões que não fossem restritas ao mercado financeiro estava relacionada ao próprio perfil do evento.
“Acho que a ideia era ser mais abrangente. Esse evento é muito interessante no sentido que você tem uma palestra de agro, do lado da educação, do lado da tecnologia”, afirmou. Segundo Victorica, a presença de um público jovem também influenciou a escolha dos temas.
A estratégia apareceu no Palco RecargaPay, que recebeu discussões sobre inteligência artificial, modelos de negócios e futuro do trabalho. O palco também contou com debates sobre produtividade em ambientes remotos e aplicações práticas de tecnologia.
IA sai do discurso
A inteligência artificial esteve entre os temas centrais da programação. Executivos dos mais diversos segmentos subiram aos palcos para apresentar cases de sucesso, cases de aprendizado e debater novas implementações e métricas para mensurar os resultados obtidos com IA. Em um dos painéis do Palco RecargaPay, Victorica e Karina Lima, Head de Startups da AWS Brasil, discutiram a diferença entre experimentar ferramentas e incorporá-las à operação.
Para Victorica, a permanência do uso é um dos sinais de que a tecnologia realmente produziu mudança. “A gente sabe que deu certo quando o uso de IA passa a ser irreversível.” A experiência da fintech com o tema inclui um projeto de IA aplicado ao atendimento ao cliente que precisou ser interrompido e reconstruído. A primeira solução apresentou desempenho inferior ao modelo anterior.
“Implementamos IA pra assistir o atendimento ao cliente, e a primeira solução funcionava muito pior. Achamos que estávamos no caminho errado. A gente apagou tudo, voltou ao patamar anterior e criamos um case mundial com a Zendesk, que apoia o analista com IA”, afirmou Victorica.
Em entrevista ao Startupi, o executivo apresentou outro exemplo de aplicação da tecnologia, dessa vez sobre infraestrutura interna. Segundo ele, uma atualização de sistemas legados que havia sido estimada em um ano foi realizada por uma pessoa em aproximadamente um mês e meio a dois meses com apoio de IA. “Começa a acelerar muito, resolver problemas que antes pareciam faraônicos, agora dá pra resolver com muito menos gente.”
O caso também ilustra um dos desafios da adoção de IA em empresas que possuem sistemas desenvolvidos ao longo de anos. Segundo Victorica, o problema não é apenas desenvolver um novo código, mas conectar diferentes sistemas e trabalhar sobre uma camada de integração existente.
Trabalho remoto entra na discussão
O futuro do trabalho foi outro eixo importante da programação. Miguel Perdigão participou do painel “Contra a ordem mundial: aumentando produtividade no trabalho remoto”, com Christian Brech, Country Manager da Buk, e André Chiarini, presidente da Spare Partners.
Perdigão questionou a relação entre presença física e produtividade. “Estar presente é diferente de estar fisicamente em conjunto. Colocar todo mundo na mesma sala não significa que todo mundo vai trabalhar melhor.” Segundo ele, o indicador central deve ser o resultado produzido para o cliente. “O que gera valor é resultado que gera valor pro cliente final.” Segundo ele, a fintech já operava remotamente antes da pandemia, e hoje soma cerca de 500 pessoas distribuídas por 100 cidades. “O principal benefício é a quantidade de talento, diversidade e perspectivas diferentes. Eu duvidava que o remoto poderia funcionar, mas quando você tem pessoas boas espalhadas nos times, você consegue.”
Ciência, cultura e tecnologia no mesmo espaço
A programação do RIW também levou ao Píer Mauá nomes de diferentes setores. Entre os participantes estiveram Malala Yousafzai, Edvard Moser, Marcelo Gleiser, David Eagleman, Jill Tarter, Brian Greene, Djamila Ribeiro, Ailton Krenak, Seu Jorge, Vik Muniz, Cora Rónai e Cármen Lúcia.
O evento recebeu ainda o espaço Palavras e Encontros, dedicado à literatura e ao pensamento contemporâneo; o Immersive Talks, voltado às tecnologias imersivas; e o Todas Group, dedicado ao protagonismo feminino. Entre as estruturas e atrações estiveram o NAM Atlântico, utilizado para batalhas de games, um foguete de 12 metros do Microlançador Brasileiro e Tobias, um robô que participou da programação como palestrante.
Para Fábio Queiróz, cofundador da plataforma Innovation Week, a diversidade de temas está relacionada à estratégia de ampliar a conexão entre diferentes setores. “Mais do que crescer em público e em números, o RIW cresceu em relevância e diversidade. O Rio mostrou mais uma vez que tem vocação para ser uma grande porta de entrada para a inovação, para os negócios e para as novas ideias no Brasil e no mundo.”
Carlos Junior, cofundador e diretor de Inovação Aberta, também destacou a conexão entre empresas, startups, investidores e pesquisadores. “O grande resultado do Rio Innovation Week é transformar o encontro em oportunidade. Inovamos em várias áreas, colocamos no mesmo ambiente startups, empresas, investidores, pesquisadores e diferentes setores da economia, criando condições para que ideias saiam do papel e encontrem mercado, parceiros e investimento.”
A próxima edição do Rio Innovation Week está prevista para 24 a 27 de agosto de 2027. O encerramento da sexta edição também marcou o anúncio de uma próxima etapa do ecossistema de eventos de inovação: o São Paulo Innovation Week 2027, que será realizado de 4 a 7 de maio no Mercado Livre Arena Pacaembu e na FAAP.



