A startup de snacks plant based Popai acaba de anunciar a captação de R$ 1,6 milhão via EqSeed, principal plataforma de venture capital online do Brasil. A rodada de investimentos contou com um ticket médio de R$ 16,3 mil e 69% do valor aportado foi realizado por investidores qualificados, isto é, com investimentos financeiros declarados superiores a R$ 1 milhão. Nos próximos 12 meses, a foodtech, que utiliza inteligência artificial para desenvolver produtos e sabores, pretende expandir a estrutura do e-commerce, aumentar a equipe comercial e o portfólio de produtos, além de chegar a mais de R$ 3 milhões de receita bruta.

Presente em mais de 890 pontos de vendas, entre eles os supermercados Guanabara, Zona Sul, Prezunic, Super Market, Americanas e Mundo Verde, a startup carioca também começou a exportar seus snacks: em agosto, seus produtos começaram a chegar nas prateleiras dos supermercados em Portugal. Atualmente, o portfólio da Popai conta com 16 opções de snacks divididos em quatro categorias — cubos de frutas energéticas, cubos de frutas proteicas, granola premium e chips de mandiocas.

Esse movimento vai ao encontro de grandes tendências. A primeira é a redução no consumo de carne, observada de forma considerável já em 2020: 47% da população brasileira come menos carne, de acordo com pesquisa encomendada pelo Good Food Institute Brasil e realizada pelo Ibope. Outra tendência é a crescente preocupação com o meio ambiente, que é fortemente impactado pela pecuária bovina — ela é responsável por metade das emissões de gases de efeito estufa no mundo, segundo o Greenpeace. Isso tudo para não falar no sucesso dos snacks, que é o mercado alvo da Popai.

Para Brian Begnoche, economista e sócio-fundador da EqSeed, a Popai faz parte de uma tendência dos consumidores de se alimentarem de forma saudável e por estar inserida em um mercado propício a fusões e aquisições.  “O mercado healthfood é enorme lá fora há tempos, e agora essa demanda está sendo replicada por consumidores aqui no Brasil. Cada vez mais brasileiros querem mais opções de alimentação saudável, e estão dispostos a pagar mais. Faz sentido para as grandes empresas de alimentação aumentar seus “cardápios”, muitas vezes através de aquisição de empresas com produtos excelentes e marca já estabelecida com os consumidores. Acredito que os investidores viram essa combinação como oportunidade,” diz o executivo.

O mesmo ponto de vista é compartilhado por Sergio Ávila, um dos investidores qualificados que participaram do aporte. “O consumo plant based está crescendo fortemente no Brasil e no mundo, isso já é perceptível para o mercado. O que a Popai fez é explorar um nicho específico dentro desse contexto, o de snacks, em que as opções não costumam ser muito saudáveis. A convergência entre essas áreas cria uma boa probabilidade de exit, como demonstra a aquisição da Latinex pela M. Dias Branco, com foco na inclusão de snacks saudáveis no portfólio”, pontua o investidor, que contribuiu com cerca de R$ 400 mil na captação realizada pela startup.

De acordo com Arthur Vaz, fundador e CMO da Popai, as rodadas de investimento realizadas pela EqSeed facilitam a captação de recursos pelas empresas que querem investir no negócio e aumentar a participação no mercado. “Temos ganhado tração no mercado e precisávamos acessar capital de uma maneira ágil, segura e descomplicada para seguir nosso ritmo de expansão. Com a EqSeed, conseguimos fazer uma rodada bem rápida e nos conectarmos com investidores qualificados para nos ajudar nessa próxima etapa,” afirma.

Da engenharia ao mercado

Arthur Vaz traz consigo uma história interessante de empreendedorismo. Sua formação se distancia do mercado de alimentos; ele é engenheiro de produção e possui passagens por empresas como BRF e Coca-Cola. Simultaneamente, sempre levou uma vida ligada à alimentação saudável e atividades físicas. Bem “natureba”, como se descreve.

Em 2016, teve a ideia inicial que se transformaria na Popai, enquanto ainda atuava na BRF como Analista de Inteligência de Marketing. Seguiu com os estudos, agora incluindo Master em Business Intelligence (BI) e MBA Executivo em Business Analytics e Big Data, além de vários outros cursos. O foco se voltou para a inteligência artificial, que seria aplicada no desenvolvimento e aprimoramento de produto. Essa tecnologia se tornou o ponto central da inovação que a Popai traria ao mercado.

Ao mesmo tempo, Arthur buscou incluir no seu negócio pessoas que compartilhavam o propósito e os valores da startup, estabelecendo assim o maior ativo da empresa que é o  humano. Uniram-se a ele os sócios Danilo Glagiardi Carrusca, engenheiro civil e também fortemente ligado ao estilo de vida saudável e esportivo; e Igor Poltronieri, formado em economia, atleta amador e entusiasta da alimentação natural.

A trajetória do fundador diz muito sobre as decisões tomadas no negócio. Vaz sempre destaca sua proximidade com o contexto da Popai, mostrando que se trata de um objetivo não só comercial, mas de princípios e ideais.

Agenda ESG

Além da alimentação saudável, a preocupação com a agenda ESG norteia as práticas desenvolvidas pela equipe da foodtech. Buscando evitar o desperdício e geração de lixo para o meio ambiente, a startup desenvolveu uma embalagem de plástico retornável para os produtos e implementou o programa “Volta Embalagem”, de logística reversa para a devolução desse material.

Para incentivar os consumidores a aderirem à prática, a Popai firmou parcerias com estabelecimentos a fim de dar descontos na compra dos produtos por clientes que devolvem as embalagens da marca. O programa já conta com quatro lojas que servem como pontos de coleta no Rio. Quando as compras dos snacks são realizadas pelo site da marca, as embalagens podem ser devolvidas diretamente para a fábrica. Além do desconto, o consumidor pode optar por pontos que podem ser trocados por produtos do e-commerce da marca como boné, caneca e chinelo ou ganhar.

“Destinamos as embalagens para cinco cooperativas. Buscamos oferecer produtos veganos saudáveis que sejam acessíveis para as pessoas. Por isso, nosso processo criativo tem como base o uso da inovação e está sempre aliado à preocupação com o meio ambiente e os impactos para a sociedade”, explica Arthur.

Próximos passos

Agora, com o aporte em caixa, a ideia da empresa é desenvolver soluções inovadoras para produtos plant based meat, alimentos à base de plantas para substituir produtos de origem animal. A iniciativa, desenvolvida junto à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e parceiros, dará à Popai a propriedade intelectual do produto, que terá textura, aparência e sabor semelhantes ao da carne animal.

Dados do setor mostram que o produto tem um amplo mercado consumidor com grande potencial de crescimento a ser explorado. Recentemente, o fundo de venture capital Atlântico divulgou um relatório que mostra que, pelo menos uma vez por semana, 59% dos brasileiros consomem proteína de origem vegetal, superando a frequência de carne de porco e peixe à mesa. Sobre o hambúrguer vegetal, 44% dos consumidores afirmaram nunca ter provado, mas gostariam de experimentar.

“Há um movimento global acerca do incentivo ao consumo consciente e acredito que a tecnologia tornou economicamente viável a produção em escala de alimentos saudáveis, harmonizada a uma agenda que proteja o meio ambiente. Nós da Popai estamos orgulhosos em fazer parte dessa revolução”, finaliza Vaz.


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