* Por Ana Flávia Ferraz Bueno

A falta de uma gestão estratégica pode significar a falência de uma empresa. Com um planejamento bem definido fica mais fácil identificar a necessidade de recalcular a rota, caso seja necessário. Nesse sentido, uma mudança cultural pode ter um impacto positivo na organização. De acordo com uma pesquisa da PwC, empresa de consultoria, 73% das empresas admitem a necessidade de se transformar culturalmente para alcançar o sucesso.

Nesse contexto, é preciso encontrar uma ferramenta capaz de contribuir com a definição de um planejamento que norteie a empresa dentro do cenário da nova economia, onde o mindset ágil e autonomia são competências essenciais para o desenvolvimento do colaborador e o atingimento dos resultados do negócio. Como é o caso da metodologia OKR (Objectives and Key Results ou Objetivos e Resultados Chaves), conceito criado pelo ex-CEO da Intel, Andy Grove, que contribui com o crescimento de empresas como Google, Linkedin, Twitter, Spotify e Nubank. Mas, será que a OKR é uma opção interessante para a sua empresa?

Essa metodologia consiste em definir um objetivo para o negócio, ambições inspiradoras para as áreas e resultados chaves para alcançá-los. Por exemplo, a área de Recursos Humanos tem como objetivo reter os melhores talentos da organização no plano de retomada pós-Covid, para isso, ações deverão ser realizadas, como por exemplo, medir o nível de engajamento das áreas a cada trimestre, buscando 80% de aceitação, e fazer conversas individuais com 100% dos colaboradores, mapeados como talentos, semanalmente.

Esses resultados ou KR’s, como são chamados, precisam ser mensuráveis e ter um tempo bem estabelecido. Isso quer dizer que é imprescindível que tenham data de início, meio e finalização, considerando o impacto nos objetivos das áreas e na estratégia da empresa. Para que o efeito dessa metodologia seja positivo, a companhia como um todo precisa definir um objetivo, deliberar os resultados chaves e dividir as equipes ou pessoas que realizarão cada um deles. Eles terão autonomia para definir qual a melhor maneira de alcançá-los.

E é aí que está a grande sacada dessa metodologia. Quando as áreas de uma empresa têm mais liberdade de criação e execução, fica muito mais fácil evoluir com o planejamento, sem que seja necessário depender de milhares de aprovações no meio do caminho. Isso torna os processos muito mais ágeis e sem burocracia. Além disso, é muito importante que reuniões sejam feitas para que todos fiquem a par de como está a evolução dos resultados. Identificando quais são as metas que estão caminhando para o objetivo dentro do tempo estipulado e quais não estão, para que seja possível pensar em um novo caminho, se necessário.

E como fazer todo esse acompanhamento ágil e fomentar a autonomia? Fazendo três perguntas com o objetivo de remover os obstáculos e manter a entrega de valor continuamente: como o plano de ação está evoluindo? Algum cenário mudou ou o que precisa acontecer para que as ações sejam colocadas em prática? Você precisa de ajuda para fazer o que foi combinado no plano de ação?

Com essas três respostas é possível trilhar um caminho assertivo. Nesse, assim como em qualquer tipo de plano de ação, é preciso ter dedicação e engajamento de todas as áreas de uma empresa para ter sucesso. Porém, o grande diferencial do conceito OKR, é a autonomia com que os funcionários de todas as áreas conseguem realizar as suas atividades.

Dar liberdade para que os colaboradores apontem novas formas de executar as atividades pode ser enriquecedor para a cultura da empresa. Além disso, com autonomia para tomar decisões, as áreas conseguem evitar toda a burocracia que envolve esses processos internos e aumentar consideravelmente a produtividade. Outro ponto importante, que merece ser destacado, é que com autonomia o colaborador ganha mais confiança e isso tem um efeito muito positivo no negócio como um todo.

Em resumo, penso que o resultado de empregar a OKR na sua empresa pode ser incrível. Pela minha experiência com esse modelo de gestão, é possível estimular todo o seu time, criar uma atmosfera de colaboração e inovação, além de construir uma estrutura organizacional mais ágil, que vai trazer mais eficiência à operação. E isso, com toda certeza, terá um impacto muito positivo para a empresa e para os colaboradores, que conseguirão desenvolver suas habilidades de maneira mais assertiva. Afinal, se sua empresa deseja crescer, é preciso dar autonomia para quem faz parte dela.


* Ana Flávia Ferraz Bueno é especialista de RH do Apto, marketplace que conecta potenciais compradores de imóveis novos a construtoras e empreendimentos.