Brian Requarth, fundador do site Viva Real, lança fundo de investimento para startups

Os fundos de investimento, parte importante na movimentação dos negócios pelo País e que possuem um impacto direto na economia brasileira, apresentaram sinais de recuperação no último mês. De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a indústria de fundos encerrou fevereiro com aporte líquido de R$ 38,3 bilhões, bem acima dos R$ 4 bilhões registrados em janeiro. Em 2020, o mês com a maior captação líquida total da indústria foi julho, com R$81,8 bilhões.

Esses números reforçam a posição do país como um celeiro de investidores, dispostos a aportar nos mais diversos tipos de segmentos. Um deles é Brian Requarth, fundador do site Viva Real e que recentemente, criou um fundo para investir em startups pelo Brasil. A novidade é uma extensão do que o americano já fazia como investidor-anjo.

“Vi que muitos fundadores têm um limite de capital quando o dinheiro é próprio, e percebi que eu podia ser um facilitador para muitas iniciativas com que eu já tenho uma proximidade. Tenho muitos amigos que queriam investir comigo, já que eu tenho bastante acesso a negócios (deals), e no momento estou com mais tempo livre nas mãos, uma vez que não estou mais à frente do Grupo Zap, consigo avaliar os os negócios com um olhar mais assertivo”, destaca. “A ideia [de criação do fundo] surgiu porque eu tenho muitos interesses de negócio e muitos fundadores que estão trabalhando comigo, para mim faz sentido conectar esses dois interesses”.

Especificações do fundo

O investidor explica que o valor estipulado para este fundo é diferente da quantia de um fundo convencional. Inicialmente, de acordo com Requarth, o ticket médio deve variar entre US$ 50 a US$ 250 mil dólares. “Trata-se de um rolling fund, que é estruturado assim: a cada trimestre, um novo fundo é oferecido, mas os termos do novo fundo são basicamente idênticos aos do fundo anterior. Este padrão continua enquanto o fundo operar. Esses fundos permanecem abertos a novos investidores a cada trimestre, à medida que nós vamos negociando com as iniciativas que achamos mais interessantes para o negócio”, diz.

Ainda segundo Brian, é voltado principalmente para startups que sejam de software as a service, proptech, fintech, edtech ou ainda de setores como o de e-commerce, que de acordo com ele, têm ganhado muito espaço no mercado ultimamente. “Quanto aos estágios de negócio, gostamos de investir muito cedo. Não precisamos ser os líderes da rodada e gostamos de interagir com outros fundos, mas se gostamos de determinado assunto, buscamos para que ainda estejam em seed ou pré-seed”, conta. Requarth adiantou que o modelo de negócios do fundo ainda está sendo estruturado e pensado para os melhores moldes do Brasil e da América Latina. 

Pontos importantes na hora do investimento

Na hora de investir, ele costuma levar em consideração principalmente o time daquela empresa. “Eu gosto de usar a analogia de pesca: se você está procurando pescar você vai a um lugar especializado com pessoas que podem te ajudar. O mesmo acontece com um time, todos precisam estar entrosados, terem experiência de mercado e estarem dispostos a procurar oportunidade, e saber como atacá-las quando as encontrar.  Da mesma maneira que você vai procurar os melhores peixes em melhores lagos, você precisa ter um mercado vasto e diversificado para explorar com a sua iniciativa. Precisamos ter noção do conhecimento que eles têm, se eles têm certa vantagem com relação a outras, e quem são os principais concorrentes”.

Brian acredita que para atrair cada vez mais investimentos, é preciso que a empresa tenha uma estrutura “offshore”, nome dado a organizações abertas em território estrangeiro, separado do país de operação ou dos seus associados. O principal objetivo é aproveitar os benefícios tributários oferecidos por outras nações, de forma lícita.

“Esse planejamento é importante porque gera bastante confiança para o investidor local ou internacional, pois se trata de uma estrutura bastante segura e com boa governança. Essa é uma mudança mais organizacional, mas o processo já tem que começar com um bom time, que apresente uma boa visão de mercado, tenha conhecimento sobre o que vai operar e que tenha uma boa história para contar”.  

Pandemia e o mercado de venture capital

Apesar dos impactos negativos causados na economia, o investidor conta que a pandemia acabou facilitando o processo de investimento. Antigamente, segundo ele, quando desejava sondar um investidor ou iniciativa, marcava-se um café e as partes estavam sujeitas aos problemas de agenda e outros processos até o encontro. Hoje, a atividade passou a ser muito mais prática e ágil – completamente online – permitindo uma escalabilidade muito mais veloz, sobretudo na fase early-stage (seed ou pré-seed), tida como a preferida pelo investidor.  

“Isso acabou se tornando uma vantagem, uma vez que posso falar com muito mais fundadores do que se parasse para encontrar cada um deles para ouvir suas propostas e diferenciais, além de termos um time bem entrosado e que ajuda nesta parte do trabalho. E para melhorar, esse modelo de rolling fund é bastante inovador porque não temos que despender muito tempo e recursos para cuidar do backoffice do fundo. Sabemos como essa parte administrativa é extremamente trabalhosa e atrapalha o andamento de certos processos. Assim, conseguimos manter mais foco no que é realmente importante para o nosso trabalho em comunidade”, destaca Requarth.

Brian lembra que o mercado de venture capital no Brasil foi bastante afetado pela covid-19. “Penso que isso tudo é muito triste, e por isso precisamos cuidar de cada um nesse momento”. Além disso, enxerga o cenário atual com três impactos diferentes, baseado no tipo de negócio de cada setor e mercado. 

“O momento tem ajudado muitas empresas que investiram em tecnologia e diversificação, como por exemplo e-commerces e empresas de logística. Outro ponto que não foi extremamente atingido foram os serviços essenciais, como supermercados e farmácias, que viram suas receitas aumentarem com a alta demanda. E por fim, o terceiro impacto que eu entendo são os serviços que não estão podendo operar, e dessa maneira ficaram extremamente atingidos com tudo que a pandemia causou, pensando principalmente no turismo e eventos”.

Por fim, apontou os segmentos que devem chamar a atenção dos investidores nos próximos meses. “Basicamente são os mesmos que falei anteriormente: proptechs, fintechs, software as a service e e-commerces. O que mais chama atenção nesse momento são iniciativas que têm pensamentos em rede ou como chamamos aqui nos Estados Unidos, Network Effect Business”, finalizou.


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Jornalista do Startupi, formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduando em Produção e Práticas Jornalísticas na Contemporaneidade na Faculdade Cásper Líbero (FCL), com atuação na RICTV Record Londrina e Folha de Londrina. Quer ter seu texto publicado no STARTUPI? Envie um e-mail para contato@startupi.com.br.

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