* Por Murilo Borrelli

O cenário atípico que vimos no ano 2020 foi capaz de mudar muitos hábitos comportamentais, entre eles, os de consumo. Impulsionados pelo isolamento e distanciamento social, com mais tempo em casa, os consumidores passaram a ver com outros olhos a maneira de comprar, buscando sempre segurança, higiene e agilidade como requisitos básicos. 

A partir dessa nova demanda, que já vinha ganhando corpo antes mesmo da crise sanitária que estamos atravessando, o conceito do varejo sem toque, ou Touchless Retail, adquiriu ainda mais força e já é uma realidade que dificilmente deixará de existir, afinal, essa tendência faz parte de um quadro evolutivo das relações comerciais.

Nesse sentido do “não tocar em nada” ou “tocar nas coisas o mínimo possível”, os canais de venda online registraram um crescimento histórico. De acordo com o índice MCC-ENET, o e-commerce brasileiro cresceu mais de 73% em 2020, em comparação ao ano anterior, e as projeções mantêm-se em alta para 2021, com expectativa de 26% de crescimento, segundo a Ebit/Nielsen. 

Entre os milhares de estabelecimentos que não tinham nascido dentro dessa realidade digital, perseveraram e se mantiveram firmes os que investiram e prepararam suas plataformas para absorver tamanha demanda. Essas adaptações foram de extrema importância, principalmente, para o setor alimentício, como os restaurantes. Os aplicativos de comida delivery passaram a ser essenciais para a sobrevivência dos negócios.

Entre outras evoluções referentes ao varejo sem toque, vale o destaque para o uso de tecnologias como o RFID e o QR Code, que facilitam a experiência de compra ao possibilitar que os pagamentos sejam feitos diretamente por smartphones e soluções móveis de check and go. Mais do que trazer informações completas dos produtos, que podem ir além dos rótulos, essas soluções permitem acabar com as filas de pagamento e, consequentemente, as aglomerações, tão temidas atualmente.

Ainda sobre o RFID, ou etiquetas de identificação por radiofrequência, seus benefícios podem ser sentidos inclusive pelas indústrias e grandes empresas. Ao aplicar o recurso aos seus produtos, é possível rastrear toda sua logística até chegar ao consumidor final. Permite a contagem de estoques sem a necessidade de tocar em cada item e auxilia no gerenciamento das mercadorias disponíveis nos pontos de venda, garantindo a oferta das mesmas para cada demanda. Tudo isso atendendo às expectativas do cliente, em alto nível de segurança e transparência. 

* Murilo Borrelli, CEO da ROI Mine, agência de data driven marketing, é mercadólogo pela Universidade Anhembi Morumbi e cursa Master em Marketing e Comunicação Digital na ESPM.