A fintech Neon Pagamentos anunciou o recebimento de um aporte de R$ 1,6 bilhão (US$ 300 milhões) em Série C liderada pela General Atlantic, em duas etapas de R$ 800 milhões cada uma. A segunda deve ser paga nos próximos meses. Participam ainda do aporte os novos investidores BlackRock, Vulcan Capital, PayPal Ventures e Endeavor Catalyst, além de Monashees e Flourish Ventures, investidores de rodadas anteriores. O BBVA também integra a rodada via Propel Venture Partners. 

Com o novo investimento, a Neon irá alavancar áreas estratégicas, escalando a sua oferta de crédito, aprimorando e lançando novos produtos, tanto para clientes em contas de Pessoa Física quanto para os cerca de 1 milhão de microempreendedores individuais atendidos pela plataforma da MEI Fácil.

Com a chegada do coronavírus ao Brasil, cresceu a necessidade por serviços mais ágeis, simples e gratuitos, acelerando ainda mais o crescimento da Neon, com aumento em depósitos, investimentos e compras online, resultando em uma alta de 26 % no número de usuários desde março. Hoje, são mais de 9 milhões de contas abertas na fintech. 

Segundo Carol Oksman, head de Talent Acquisition da Neon, o aporte também irá permitir a atração de ainda mais talentos. “A rodada reforça a confiança dos investidores em nosso potencial e na cultura interna que valoriza a inovação, o trabalho com muita colaboração em todos os níveis. Não somos uma empresa de uma pessoa só. Queremos que a Neon seja a melhor experiência profissional na vida de cada um e o aporte mostra que estamos no caminho certo. Poderemos trazer ainda mais pessoas incríveis, de estagiários a profissionais sêniores, para que tenhamos a mescla da bagagem de sucessos e erros dos mais experientes com a audácia dos mais jovens. Não queremos perder a agilidade de uma startup ao crescer. Para nós, o segredo está na diversidade e é esse equilíbrio que buscamos”, diz Carol. 

Um dos profissionais sêniores que chegou à fintech neste ano é Daniel Mazini, Chief Product Officer da Neon, vindo da Amazon. A chegada de Mazini solidifica na Neon a capacidade de ouvir o usuário primeiro para depois desenvolver produtos e serviços. “Não encaixamos os clientes em produtos já pré-concebidos. Queremos saber quais são suas reais necessidades para então entender como melhor atendê-lo”, diz Mazini.

“Temos muito a crescer em serviços para pessoa física, mas particularmente para Pessoa Jurídica. Com a aquisição da MEI Fácil, no ano passado, já ajudamos os microempreendedores individuais com educação e burocracia. Iremos ampliar nossa oferta de serviços para auxiliá-los em todas as esferas de seu negócio e o aporte irá nos ajudar nesse processo”, acrescenta Mazini. 

Fundada em 2016, a Neon nasceu com propósito de oferecer uma conta acessível a qualquer brasileiro, colocando sua experiência em primeiro lugar. “Os grandes bancos do país têm um retorno gigantesco sobre o capital porque cobram muito caro. Na Neon, não transferimos para o cliente o custo da ineficiência”, diz Pedro Conrade, fundador da empresa.  

Pedro Conrade, fundador da Neon.

Rafael Matos, Head of Business Development, acrescenta que numa empresa com esse propósito, que atende bem sem cobrar taxas, há um desafio de monetização. “Enquanto bancos tradicionais não querem servir quem dá menos dinheiro, a Neon olha para todos, e tem como missão não só trazer as pessoas para o sistema financeiro como ajudá-las a gerir melhor o dinheiro. Acredito no potencial disruptivo da Neon, e essa rodada marcante para nós, pelo tamanho e momento atual, nos ajuda a ir muito mais longe.”, diz Rafael. 

Séries A, B e C 

Esta é a terceira rodada de investimentos da Neon. A empresa levantou R$ 72 milhões na série A, em maio de 2018, com Propel Venture Partners, Monashees, Quona Capital e Omidyar Network, hoje chamada de Flourish Ventures. Em novembro de 2019, na série B, levantou R$ 400 milhões em rodada liderada por General Atlantic e Banco Votorantim, banco parceiro da Neon. 

Luiz Ribeiro, CEO da General Atlantic, diz que a companhia tem trabalhado de perto com a Neon desde seu investimento na série B para fortalecer a marca da fintech e impulsionar áreas estratégicas, incluindo tecnologia, desenvolvimento de negócios e produto. “Damos as boas vindas aos novos parceiros, todos de alto calibre, num momento em que a Neon continua a transformar o setor bancário e amplia suas soluções para consumidores e microempresários brasileiros”, diz ele. 

É uma visão compartilhada por Rafael Costa, sócio-geral na Vulcan Capital. “Acreditamos que o setor financeiro brasileiro verá nos próximos anos transformações enormes movidas pelas inovações tecnológicas, mudanças demográficas e regulatórias”, diz Costa. “A Neon está bem posicionada para conquistar uma fatia significativa do mercado, ao oferecer uma gama atraente de produtos para consumidores e pequenos empresários.” 

“A conta digital da Neon oferece todas as funções e a conveniência de que os clientes precisam, especialmente em um momento em que ir à sua agência bancária não é prático ou desejável”, completa William Abecassis, head of Innovation Capital da BlackRock. “Estamos animados em investir num time e numa tecnologia que estão conquistando seus usuários, tanto pessoa Física quanto Jurídica, com serviços inovadores, taxas baixas e acesso simplificado via aplicativo.”