“Fique em casa”. Essa frase tem sido umas das mais faladas atualmente devido ao coronavírus. Mas, como manter o isolamento social quando é necessário sair para serviços essenciais como ir à lavanderia? Pensando em como levar inovação e comodidade ao consumidor durante esse processo, nasceu a Washout Lavanderia, plataforma de lavagem de roupa 100% digital, que pretende inovar em preço, velocidade e maneira de lavar a roupa.

Recém-lançada no mercado, a startup funciona como um “Uber das lavanderias”, assim, ao solicitar a lavagem pelo site da marca, a empresa vai à casa do cliente, busca as roupas, realiza o serviço e devolve as peças já limpas, sem que a pessoa precise sair de sua residência.

Para isso, a Washout criou um modelo de negócio que substitui pontos físicos por tecnologia e profissionaliza pessoas para que elas realizem o serviço de lavagem, fomentando assim o mercado e diminuindo o desemprego.

Os Washers, como são chamados pela startup, precisam ter máquina de lavar, comprovante de residência e conta de luz e água. Após esse cadastro os perfis são analisados e após a validação eles passam por curso e por uma prova. Sendo aprovados, são submetidos a um cliente oculto que garantirá à Washout a qualidade da lavagem e após essa etapa eles já podem iniciar as operações dentro da plataforma.

Ainda com o objetivo de garantir uma boa experiência ao consumidor, a startup verifica constantemente a qualidade do serviço através de Inteligência Artificial que consegue fazer uma análise preditiva de problemas e demandas.

“Hoje o cliente dá um feedback sobre a lavagem, onde ele avalia a lavagem de 0-5, deixa comentários sobre a lavagem e opiniões. Dessa forma, sempre dentro de uma capacidade de lavagem, nós conseguimos separar os Washers em um tipo de classificação, por nota, geolocalização, tipo de roupa que lava melhor, reclamações, elogios. Com essa classificação, nossa Inteligência Artificial direciona as compras dos clientes”, explica Vittor Straus, cofundador da Washout Lavanderia.

Para isso, a Washout desenvolveu o sistema em React com API própria para integração com diversos sistemas, incluindo no webapp WooCommerce e os formatos nativos para o App Android e iOS. “Toda a inteligência foi criada em Python para aprender utilizando bibliotecas públicas e um toque do conhecimento de negócio que temos”, destaca.

Vittor também conta que o Washer recebe pelo serviço prestado que, segundo ele, é mais rentável do que qualquer outra plataforma, e a startup fica com uma taxa desse serviço. Um dos motivos para a rentabilidade é que na Washout a lavagem é feita por quilo e não por peça como nas lavanderias tradicionais.

“Transformamos qualquer área de serviço hoje em uma lavanderia, e como não temos uma estrutura física de lavanderia conseguimos ter um valor muito abaixo de qualquer concorrente em nosso mercado, democratizando a lavagem de roupa”, afirma.

Atualmente, a empresa trabalha com um prazo de entrega 4 dias após a retirada, mas que normalmente é feita em 3 dias. “Se for pensar que fazemos toda a parte logística de retirar e entregar novamente na casa de cada cliente, é uma das coisas que mais nos orgulhamos de ter concretizado”.

Vittor conta que o modelo de negócio também foi pensado para o público B2B. “Quem não gostaria de ter a roupa lavada? Se perguntar em qualquer empresa se o colaborador prefere que lhe paguem academia ou que lavem sua roupa, 103% vai responder a roupa”, brinca Vittor.

Ele explica que o serviço como benefício pode ajudar tanto os colaboradores que estão em home office, que podem ter queda na produtividade ao tentar conciliar trabalho e tarefas básicas, até aqueles que ainda estão alocados em um espaço físico, mas que podem ganhar agilidade ao ter as roupas buscadas no escritório ou em casa.

“Nossa pesquisa mostra que funcionários preferem roupa lavada que o benefício de academia, como praticado na maioria das empresas hoje em dia. Também é uma forma de manter talentos, por ser um benefício novo, as empresas acabam vendo como um grande diferencial, ainda mais em empresas com alto índice de turnover”, afirma.

Atualmente, a startup, que segue todos os padrões de biossegurança, incluindo a lavagem contra a covid-19, oferece ao cliente um seguro fixo de R$ 500 reais por saco, além de uma segunda opção onde o cliente pode optar por pagar por uma porcentagem do valor das roupas que está mandando e ser ressarcido integralmente.

O caminho até aqui

A Washout é composta por 3 sócios desde seu formato inicial: Vittor Straus, Rafael Pereira e Rafael Guaspari. Apesar da startup ser nova no mercado, os jovens já seguem o caminho do empreendedorismo há algum tempo. “Nosso time sempre empreendeu, somos apaixonados por soluções diferentes e isso fez com que tivéssemos sucesso em projetos individuais. Somos muito diferentes na forma de ver negócios mas ao mesmo tempo muito parecidos em objetivo”, conta.

Entre os mercados explorados por eles está o varejo digital, foodservice, comunicação e energia elétrica. Relembrando essa trajetória, Vittor destaca três cases: Arashi, G+P Digital e NerdVoador.

Sobre começar um negócio no meio da pandemia, o empreendedor afirma que encontraram muitas oportunidades. “Acreditamos que todas operações que demandam custo fixo muito alto estão fadadas ao fracasso. A Washout vê nessa pandemia a chance de mudar o conceito de lavanderia, onde cliente vai até o local”. Ele completa dizendo que “nosso modelo de cloud laundry permite que em tempos de crise não haja custo altos, e também em períodos de expansão consigamos colaboradores para atender as demandas”, destaca.

Em relação aos desafios, ele aponta a falta de demanda para produtos premium e uma diminuição na procura pelo serviço no segundo mês de pandemia. “Entendemos como podíamos melhorar as ofertas para os clientes e focamos em promoções para lavar roupas essenciais como roupa de cama, cobertor, e roupas do dia a dia, dessa forma voltamos a atender nosso público”.

A startup, que até então vinha mantendo-se com os aportes iniciais feitos pelos próprios empreendedores, vendeu recentemente uma parte da empresa para escalar a operação para um grupo de investidor, cujo nome não foi revelado. Com isso, a Washout passou a ter um valuation de R$10 milhões.

“Ainda estamos estudando a necessidade de uma segunda rodada para o futuro, talvez para o começo do ano que vem, onde o modelo estará mais maduro e com um avanço interessante em market share”, destaca.

Próximos passos

Com um público majoritário pertencente as classes A e B, Vittor conta que também já atende clientes das classes C+ e C e pretende aumentar esse número. “É esperado que o mercado de lavanderia comece a atender 10% da população e queremos ser o drive dessa transformação. Assim como o Uber fez com o uso de transporte particular, queremos expandir o mercado”.

Além disso, a startup, que atualmente atende todo o município de São Paulo, possui um plano de expansão inicialmente para o interior paulista, onde já está acontecendo alguns testes. “Esperamos expandir para todo Brasil até o início de 2022. Até o momento, com 3 meses de operação aberta em piloto, nós já lavamos mais de duas toneladas de roupas. Temos também um plano de expansão em negociação para América Latina e Estados Unidos”, conclui o empreendedor.