Felipe Cataldi e Luan Gabellini tinham apenas 21 anos, o salário do “emprego oficial” e muita coragem quando começaram a Betalabs, uma startup que desenvolve soluções em nuvem para clientes corporativos. Dois anos, um investimento de R$ 250 mil, 75 clientes e 20 funcionários depois, os fundadores dizem ter aprendido muito e gostam de se colocar na “contramão” do que é feito pelas startups tradicionalmente.

“A nossa empresa não é algo extremamente inovador e o nosso produto tem concorrência. Nosso diferencial é a gestão, nós temos um modelo avesso ao convencional das startups”, conta Luan. “No modelo tradicional, você faz o plano de negócios, capta os recursos, faz o MVP. No nosso caso, sempre focamos em rentabilidade e desenvolvimento de produtos com base no que a gente já tinha.”

Leia trechos da minha conversa com Luan:

Crescimento orgânico

“O nosso crescimento foi muito orgânico, nós chegamos a vender produtos sob medida para os clientes. Assim, conseguimos fazer o negócio crescer com uma velocidade interessante.

Na nossa visão, o modelo baseado no produto é muito falho, porque começa a fazer a gestão baseada no produto e você não olha pro mercado. Você só vai olhar pro mercado quando colocar o produto à venda. Além disso, você acaba medindo o sucesso da sua empresa pelo produto, e não pelo mercado. E pode ser que ninguém compre seu produto.

Nesse processo todo, você se preocupa mais com o detalhe do produto do que com sinergia, com o fazer mais rápido, mais barato.

Nossa visão é de empresa, estamos preocupados com a rentabilidade. Mas é claro que o produto tem que ser bom. Fizemos nosso primeiro produto quase que sob medida e fomos fazemos e assim até consolidarmos nosso aprendizado e construímos uma ferramenta de gestão.

Isso tudo foi possível graças ao modelo de primeiro olhar pra fora e aprender, para em seguida crescer o negócio com base na operação que já se tem. Quando você começa a fazer um projeto, você geralmente não tem certeza de todos os pontos, você erra no meio do caminho.

Acho importante mostrar pras pessoas que existem alternativas ao investidor privado e ao produto. Muita gente começou gerando receita, foi pro mercado, pegou as oportunidades e criou uma empresa, mesmo sem uma ideia inovadora. Tivemos um investimento baixo de início e o nosso negócio nunca dependeu dele, ele só acelerou para que tivéssemos uma curva mais acentuada –esse dinheiro ainda está em caixa. Ele não foi essencial para que existisse a empresa.

O início da empresa

“Quando a gente abriu a gente tinha 21 anos. Eu e o Felipe nos conhecemos na faculdade e acabamos trabalhando no mercado financeiro. Tivemos essa convivência, sempre acreditamos na tecnologia e decidimos abrir um negócio juntos.

O Felipe vem de uma família empreendedora, o pai dele é um grande empresário. Eu sempre fui muito ambicioso, sempre gostei muito de tecnologia. Vimos que no mercado de sistemas de gestão corporativa ainda não existia uma empresa consolidada que atendesse essa demanda, então decidimos deixar a carreira no mercado e abrir a empresa.

Começamos com capital próprio, que era o nosso salário do mercado financeiro. Alugamos servidores fora do país, contratamos os desenvolvedores e seguimos no nosso primeiro emprego. Só saímos do banco quando a gente já estava mais consolidado. Eu sai primeiro e ainda ficamos um tempo dividindo o salário do Felipe, até conseguirmos o investidor privado e houve fôlego para o Felipe vir tocar o negocio. A gente só fez esse movimento de correr atrás do investidor em julho de 2011, quando o negocio já tinha mais um corpo. Ficamos praticamente um ano e pouco girando informalmente.

Esse período foi bom, porque permitiu que a gente ajustasse bastante o modelo de negócio. A gente imaginou que conseguiria atender melhor as empresas com um produto genérico, mas acabamos entendendo que cada empresa tem seu próprio fluxo e uma demanda específica.”

A falta de experiência

“Tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que a gente tem uma aptidão maior por risco e pudemos decidir largar tudo e montar o negócio, porque sabíamos que poderíamos voltar ao mercado depois.

O lado ruim é a inexperiência, um pouco de ansiedade em excesso e falta de maturidade em alguns aspectos. Hoje, dois anos depois de ter conseguido o investimento, a gente olha pra trás em algumas situações que a achamos que eram super problemáticas, como quando o primeiro funcionário pediu demissão e achamos que nunca íamos conseguir substituir. Hoje sabemos que todos os problemas são contornáveis, mas eles parecem muito difíceis de início.

Na hora de vender o produto, também existe um preconceito de quem está comprando de alguém tão jovem. Mas fomos de dois para 75 clientes e tomamos um corpo que dá mais confiança.

Saiba mais sobre o produto da Betalabs:

Foto: Eduardo Amorim/Flickr (Acesse o original)