Le parcours du combatant Marco Gomes

Gilberto Jr em 18 de dezembro de 2008

Muitas pessoas que conheço que puderam concretizar boas idéias creditam suas venturas a um espírito inquieto, algo dentro de si que não os deixava ficar parados. Entre esses caras, um que tem se destacado como “startupeiro” brasileiro, tendo até ganhado o prêmio jovem brasileiro na categoria empreendedor, é Marco Gomes.

A história de Marco começa com muitos anos (em internet, 8 anos são pelo menos duas eras inteiras) de experiência acumulada trabalhando como desenvolvedor e coordenador em agências como a Click - nada como aprender com o dinheiro dos outros.

Insoniaware

Um fator decisivo na virada de Marco-mais-um-desenvolvedor para Marco-Gomes-da-boo-box chama-se insônia. Mais precisamente uma coisa que eu chamo de insoniaware: pequenos softwares escritos em uma boa noite de insônia produtiva.

Meu primeiro contato com ele foi quando, por conta de uma palestra que eu daria sobre Ajax no Intercon em 2006, ele me apresentou um destes insoniawares: “Fiz uma aplicaçãozinha em uma noite, só pra aprender a manipular XML e resposta de API, chama-se Wallpapr“.

Marco é desta geração na qual eu me incluo também que foi impactada com o Getting Real, o livro no qual o pessoal da 37Signals compartilha alguns de seus melhores insights sobre desenvolvimento, design e negócios.

Programar é grátis

A partir da inspiração da 37Signals, Marco trouxe seu próprio livro, seu manifesto, sua campanha: programar é grátis. “Você não pode esperar arrumar um estágio, ou emprego, que te ensine (de mão beijada) a ser um bom desenvolvedor. Um bom desenvolvedor se cria sozinho, nas madrugadas selvagens dos canais de IRC e grupos de e-mail.”

Foi numa destas madrugadas selvagens que Marco mandou um email para o Raphael Vasconcellos “mostrando uma foto da Gisele Bündchen de All Star, dizendo que a gente podia vender o All Star dela, mas foi só isso, sequer lembrei disso no outro dia, estava meio bêbado de sono”.

boo-box: concretizando uma idéia

Os dois amadureceram a idéia e o plano de negócios e com a ajuda de um excelente design - nessas horas não é nada mal ter bons amigos diretores de arte da agência click - desenvolveram e lançaram a boo-box. O produto apareceu no techcrunch, depois recebeu investimento da Monashees Capital, recebeu Marcos Tanaka como CEO e o resto é história.

Este espírito do Marco se resume em uma parábola que ele, brincando, sempre conta: se você tem uma idéia, você tem que concretiza-la ou ela fica lá pairando no mundo das idéias procurando outra pessoa até que alguém vai lá e a concretiza no seu lugar. “É uma boa maneira de exemplificar o que acontece se você ficar de bundamolismo e não implementar logo o que pensou”, diz ele.

Como ensina o Getting Real, a implementação multiplica o valor da idéia, boa idéia mal implementada não vale muita coisa. E é da energia de um praticante de “le parcours du combatant” aplicada à implementação de boas idéias - e com ótimos amigos que o ajudaram muito até aqui - que resulta este exemplo de startupeiro que é o Marco Gomes.

Pronto para a conversa

E da mesma maneira que assume ter recebido ajuda de tantos amigos, Marco se dispõe à conversa com quem quiser:

Não tenho experiência ainda pra pagar de guru e escrever livros sobre empreendedorismo, mesmo porque ainda não atingi nem um passo da longa caminhada que planejo pra minha carreira, mas adoro conversar sobre o que aprendi com quem está interessado nos mesmos assuntos que eu. Se quiser falar comigo, para ensinar e aprender, estou sempre acessível via e-mail e respondo todas as mensagens.

Comentários (7)

  1. Marco Gomes 19/12/2008 às 03:46:17

    Muito obrigado pelo texto, sabem que podem contar comigo sempre que precisarem :)

  2. Alexandre Fugita 19/12/2008 às 12:34:29

    Marco,

    Você merece! Engraçado que eu estava com uma idéia de fazer um texto muito parecido com esse para você, mas o Gilberto foi mais rápido! :-)

    Abraços!

  3. .faso 19/12/2008 às 21:59:48

    Nossa, esse negócio de produzir na insônia é o que há! Sabe, eu passei uns 6 meses filosofando como deveria ser o design do .marcamaria e a implementação do mesmo estava demorando horrores. Me lembrando do Getting Real e conversando com uma amiga via MSN, resolvi começar tudo do zero e em 12h o .marca estava no ar.

    Aliás, isso é algo fabuloso nas startups: você pode e deve se redefinir quando preciso. Minha idéia original p/ o .marcamaria era uma espécie de “camiseteria de bonecos” - fiz até plano de negócios e participei de um feira de inovação - mas alguns meses depois achei o modelo capenga… precisava renovar; foi daí que surgiu uma empresa em que dos posts surgem toys.

    Um super abraço,

    .faso

    Pensando alto: bem que poderíamos fazer um “startupeiro on beer” um dia desses - o que vocês acham?

  4. Diógenes Kelsen 20/12/2008 às 21:24:43

    quando crescer, eu quero ser igual a ele :)
    Parabéns! E mais sucesso!

  5. O botão de shuffle da Web « tomáS 23/12/2008 às 12:34:35

    [...] trabalhar com python e “GAE”, e pretendo explorar mais esta dupla nos meus próximos insoniaware. Bem, a app pode ser acessada pelo endereço: http://webshuffle.appspot.com e o funcionamento dela [...]

  6. Marco Gomes » Esse projeto vale a pena? 04/03/2009 às 05:29:41

    [...] o desenvolvimento dos meus projetos de uma madrugada (insôniaware), eu seto uma meta: 8 am vou parar de trabalhar neste projeto. Não importa o que estará pronto, [...]

  7. Um critério para saber se o meu projeto vale a pena « Corpora Tecnologia da Informação 27/04/2009 às 09:49:08

    [...] o desenvolvimento dos meus projetos de uma madrugada (insoniaware), eu seto uma meta: às 8 am vou parar de trabalhar neste projeto. Não importa o que estará [...]

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