sexta-feira, 30 de outubro de 2026

E os vencedores são… startups de ESG, inteligência artificial e crédito vencem desafio de inovação para cadeias de suprimentos

Iniciativa promovida pela Level Ventures e Procurement Club seleciona soluções focadas em desenvolvimento sustentável de fornecedores, gestão inteligente de estoques e saúde financeira corporativa.

As startups move.e, PlanLog e Seu Ativo foram as vencedoras da edição 2026 do Procurement Startup Challenge, iniciativa promovida pela Level Ventures em parceria com o Procurement Club. O projeto reuniu 23 empresas nascentes de tecnologia com o objetivo de mapear soluções para gargalos operacionais, de sustentabilidade e de liquidez nas áreas de compras e supply chain de grandes corporações.

A mineira move.e, sediada em Belo Horizonte, conquistou o primeiro lugar ao apresentar a plataforma move.emente, voltada à mensuração e ao desenvolvimento da maturidade ESG na base de fornecedores. A tecnologia mapeia lacunas de conformidade e estabelece planos de evolução acompanhados por indicadores. Em etapa de validação com 40 propriedades rurais, a ferramenta identificou uma elevação no índice médio de maturidade ESG de 40% iniciais para um potencial de 85%.

Alice Monteiro, CEO da move.e, comentou o resultado e as perspectivas para a empresa: “Participar do Startup Challenge foi uma experiência muito gratificante, desde o pitch e os feedbacks recebidos, até o processo de avaliação. Esse reconhecimento representa quase três anos de uma jornada construída com muita dedicação. Além disso, a oportunidade de nos conectarmos com novas empresas e potenciais investidores torna esse momento ainda mais especial. Tenho certeza de que podemos nos tornar o primeiro unicórnio de impacto social do Brasil”.

A segunda colocação ficou com a PlanLog, de Fortaleza (CE), criadora da plataforma SupplAI. A solução utiliza inteligência artificial e análise de dados para automatizar a gestão de estoques e previsões de demanda em lojas e centros de distribuição, atuando na prevenção de rupturas de estoque e no excesso de capital imobilizado em mercadorias.

Em terceiro lugar, a paulistana Seu Ativo apresentou uma plataforma voltada à saúde financeira de cadeias produtivas. A ferramenta conecta empresas com recebíveis comerciais a investidores interessados na aquisição de duplicatas, permitindo a antecipação de recursos e reduzindo o risco de desabastecimento motivado por restrições de capital de giro nos fornecedores.

Ao todo, dez startups avançaram para a etapa final do programa, cujos projetos abordaram eixos estratégicos como antecipação de riscos, automação de processos, integração de dados, geração de valor além do preço e desenvolvimento colaborativo de parceiros. A banca examinadora foi composta por 13 profissionais do setor corporativo, com passagens por empresas como Google, Microsoft e Unilever, além do apoio do Hub de Inovação do Insper.

A aproximação entre soluções em estágio de escala e demandas do setor produtivo foi apontada pela organização do evento como a principal finalidade da estrutura montada. Walter Freitas, diretor de Tecnologia e Inovação da Level Ventures, avalia o cenário atual de integração de novas tecnologias pelas empresas: 

“Existe muita tecnologia sendo desenvolvida para resolver problemas que as empresas enfrentam todos os dias. O desafio é fazer essas soluções chegarem a quem precisa delas. Muitas startups já têm produto, já conquistaram seus primeiros clientes, mas ainda encontram dificuldade para acessar grandes organizações. É nessa conexão que queremos atuar”.

Freitas acrescenta que a proposta envolve dar continuidade à articulação entre ecossistema e corporações: “O Startup Challenge é o começo de um trabalho que não queremos limitar a uma competição. Nossa intenção é construir uma estrutura permanente para identificar soluções relevantes e aproximá-las das empresas. O que vai mostrar o valor dessa iniciativa, daqui para frente, é a capacidade de transformar essas conexões em projetos e resultados concretos”.

Sob a ótica do alinhamento entre a oferta de inovação e o ambiente corporativo, Maíra Rossi, diretora de Relacionamento do Procurement Club, analisou as dificuldades de conexão enfrentadas pelo mercado: 

“Uma startup pode ter uma solução muito boa, mas isso não significa que ela consiga chegar à empresa que enfrenta aquele problema. E o contrário também acontece: muitas organizações procuram inovação sem conhecer o que já está sendo desenvolvido no mercado. Nosso papel é aproximar esses dois mundos e criar oportunidades para que essas conversas avancem”.

Rossi complementou destacando os desdobramentos operacionais previstos após o encerramento da premiação: “Queremos que essa aproximação continue depois da premiação. O Challenge nos permitiu conhecer soluções que respondem a problemas presentes em diferentes setores. Agora, o caminho é ampliar essas conexões e aproximar cada vez mais o ecossistema de inovação da realidade das empresas”.

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