A letargia em traduzir a força do campo em soberania comercial é uma das grandes ameaças ao agro brasileiro. Afinal, o país continuará preso ao papel histórico de tomador de preços internacionais, refém das oscilações de commodities, enquanto insistirmos em exportar apenas matérias-primas brutas sem valor tecnológico agregado.
Mas a solução pode estar na consolidação de ecossistemas locais, já que o país concentra hoje expressivos 78% das agtechs da América Latina, segundo o estudo Radar AgTech América Latina e Caribe, divulgado esta semana, totalizando 2.075 startups de ponta que têm o potencial exato de transformar nossa produção agrícola primária em ativos de alta tecnologia.
Para que essa virada ocorra, o crédito privado e o financiamento público precisam convergir com agilidade para a infraestrutura rural. “A digitalização no campo é a única vacina viável contra as margens de lucro esmagadas pelas bolsas externas“, afirma Roberto Silva, diretor de inovação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Se ignorarmos esse ecossistema tecnológico pujante, poderemos continuar a ver o capital estrangeiro patentear a inteligência aplicada à nossa própria terra. O amanhã da cadeia de alimentos pertence a quem domina os dados e a ciência do plantio, e o Brasil precisa decidir, finalmente, se quer liderar essa transição.



