No final de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de pneumonia na cidade de Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China, e a causa ainda não tinha sido identificada, e mesmo com o alerta ninguém imaginava ou estava preparado para o que estava por vir. Uma doença que começou como uma epidemia em 2020 rapidamente se alastrou pelo planeta inteiro e virou uma pandemia: Covid-19. 

Em meio às incertezas dessa doença que não tinha remédio específico e nem vacina até o início de 2021, o mercado financeiro sofreu uma grande queda e milhares de pessoas ficaram sem empregos e/ou tiveram que fechar o seu negócio próprio, porque não dava pra prever o que viria a seguir. Além do mercado de trabalho, não podemos deixar de mencionar que o setor da saúde sofreu uma grande pressão, com a alta de casos que desde de o início da pandemia são mais de 26 milhões de casos registrados e mais de 600 mil óbitos. Foram inaugurados hospitais de campanha, e outras medidas extremamente necessárias para controlar o vírus, como isolamento social, máscara, álcool em gel, e claro a testagem em massa, que inclusive hoje continua sendo extremamente necessária para identificar e monitorar os novos casos de Covid, e assim controlar a contaminação. 

Para ajudar a população a passar por esse período nebuloso, as startups, principalmente as que focam em saúde (healthtechs), têm feito esforços extremamente importantes para combater a Covid e outras doenças que ameaçam a vida como um todo. A Hilab, é uma dessas startups que têm ajudado a população, principalmente as mais vulneráveis. 

Nascida em 2014, como Hi Technologies, a startup foi fundada por dois amigos e empreendedores, Marcus Figueredo e Sérgio Rogal, que posteriormente mudaram o nome da startup para o que conhecemos hoje: Hilab, empresa especializada em testes laboratoriais remotos.

Em março de 2020, no início da pandemia, a empresa foi a primeira do Brasil a lançar um exame detector do coronavírus com resultado em minutos e laudo assinado por especialistas. Além disso, a startup junto com o Instituto Butantan lançou o Projeto S com o objetivo de testar a efetividade da vacina Coronavac.

De acordo com Bernardo Almeida, diretor médico da Hilab e infectologista, o fato dos resultados laboratoriais serem entregues de forma remota, rápida e com qualidade, fez com que fosse possível acelerar o estudo, o que era essencial tendo em vista o contexto da pandemia. “Foi muito legal ver o valor prático do que realizamos dentro de um contexto de estudo clínico e saber que contribuímos para a agilidade do projeto. Todos os estudos de vida real das vacinas, que avaliam a efetividade da estratégia, são categóricos ao demonstrar benefício na prevenção de hospitalização e óbito, o que é um grande avanço no enfrentamento da pandemia”. Ainda sobre a eficácia da vacina e a importância de se tomar todas as doses o médico pontua: “a terceira dose é fundamental para recuperar a eficácia perdida ao longo do tempo e é preocupante o fato de mais de 50% da população entre 60 e 65 anos ainda não ter realizado o reforço. Isso explica o aumento considerável de óbitos que está ocorrendo na atual onda. Não fosse pelas vacinas, certamente teríamos mais que o dobro ou o triplo de óbitos pelo COVID-19. Ainda há o que se avançar com novas gerações de vacinas capazes de reduzir de forma mais consistente os casos e a transmissibilidade. Há expectativa de que teremos essas opções em breve, que poderão contribuir para a antecipação da transição para a fase endêmica e redução do impacto viral de forma sustentada a longo prazo. 

Nova onda da Covid-19 e a chegada da influenza

A pandemia tinha dado uma pequena trégua ano passado com o avanço da vacinação, porém no final de 2021, antes mesmo de se iniciarem as festas de fim de ano, fomos surpreendidos com o aumento dos casos de Covid-19 e a influenza. 

Para o Dr. Almeida não foi exatamente uma surpresa o avanço das duas doenças respiratórias. “Já sabemos há tempos que o SARS-CoV-2 não será erradicado. Já sabemos que o vírus sofre mutações que alteram seu perfil de transmissibilidade e de escape do sistema imune. Sabemos que teremos ondas subsequentes até o vírus se tornar eventualmente endêmico. Em relação à Influenza, a mesma coisa. O fato de praticamente não ter circulado nos últimos anos era um indicativo que surgiria a qualquer momento após a volta gradativa à normalidade do dia a dia.”

Porém, o médico deixa claro que a startup está muito bem preparada para lidar com a situação. “A Hilab está preparada para responder a essa dinâmica epidemiológica para os dois vírus e também para a fase endêmica, onde os testes ainda terão papel altamente relevante na investigação dos quadros respiratórios.” 

O infectologista ainda comenta que o setor da saúde não teve o mesmo preparo que a startup. “Infelizmente o setor de saúde não estava preparado para esse tsunami que estamos vivendo. Isso fica visível pelo colapso do sistema laboratorial e incapacidade do sistema de vigilância em detectar os casos. Os casos notificados nos boletins epidemiológicos são a ponta do iceberg. Infelizmente isso impacta na transmissibilidade viral, já que a maioria dos casos não são diagnosticados e, consequentemente, não são isolados oportunamente.” continua o infectologista.

Favela sem Corona e Missão Kayapó

Segundo a Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), ao menos 19 milhões de brasileiros estão passando fome, e a situação foi agravada por causa da pandemia que acabou gerando uma crise econômica ainda maior do que a que já vivenciamos antes de 2020. Pensando nisso, e com o intuito de chegar a pessoas pertencentes a grupos menos favorecidos socioeconomicamente, a Hilab participou de algumas ações coletivas como por exemplo, a ação Favela sem Corona na Rocinha, no qual a empresa realizou testes em moradores da comunidade, ajudando na detecção de casos com resultados positivos e conscientização da população.

Além disso, desde o início da pandemia a startup junto ao Governo Federal da Missão Kayapó no norte do País, levou a telemedicina para áreas remotas como aldeias indígenas.

Rodolfo Pereira da Cruz, gerente Nacional de CS Hilab, comenta que a iniciativa foi muito gratificante. “A experiência de atuar junto aos entes públicos para promoção da saúde em regiões de difícil acesso, tem sido gratificante, e desde o início esteve de encontro com o nosso propósito de democratizar o acesso à saúde. A cada ação, foi possível enxergar este objetivo se consolidando ainda mais em nosso DNA; foram iniciativas que nos proporcionaram, além de tudo, muito aprendizado sobre como podemos adaptar nosso método a ambientes diversos. Neste processo, fomos convidados a participar de um teste de conceito, onde os resultados dizem por si, que é possível reduzir o tempo de espera do resultado de um exame, trazendo uma melhora na qualidade de vida das populações pouco atendidas.” ele continua “Dentro do escopo das missões, existem várias formas de atuação. Seja dentro de uma unidade de atendimento instalada em uma base do exército, um navio itinerante que atende as regiões ribeirinhas ou mesmo ocasiões improvisadas para o atendimento na mata. Nossa tecnologia se mostrou adequada para atuar em todas estas vertentes.”

Sobre os testes que a Hilab realiza, o médico frisa que o teste de conceito citado, visa levar dados médicos que vão além dos exames comuns realizados durante a pandemia. Um ponto sobre isso, é que os exames de COVID tiveram menos expressividade que os testes de hemoglobina glicada, glicemia e função renal, que são exames estratégicos avaliados pelos entes de saúde pública para criação de novas políticas de atendimento, além disso Rodolfo deixa claro que “Atualmente, o teste de conceito encontra-se em fase de análise de resultados e esperamos ansiosamente novas missões para que possamos levar saúde a regiões de difícil acesso.” conclui.


* Foto de destaque: Ana Alvarez, Head de Novos Negócios e Internacionalização e  Adilson Barreto, Analista de Suporte Técnico e dois Indígenas que não se identificaram.