* Por Luiz Bono

Nos últimos anos, a contratação de soluções que estendem as funcionalidades dos ERPs, sistemas de gestão empresarial, tem pautado os esforços de uma grande variedade de organizações brasileiras. Isso é um ótimo sinal, dada à quantidade de contribuições a serem conquistadas por meio da tecnologia, que traz mais confiabilidade aos processos, otimiza rotinas corporativas, resguarda os dados movimentados e culmina em uma cultura interna orientada à eficiência operacional. Entretanto, se em teoria essa é uma iniciativa a ser valorizada, alguns fatores são determinantes para que a implementação do software corresponda às expectativas da empresa, sem a ocorrência de imprevistos danosos à operação.

Dentro do contexto de departamentos de contas a receber, a questão se intensifica, considerando o alto nível de complexidade processual e a importância de se contar com o suporte tecnológico em uma área com pouca margem para erros. Com um mercado emergente de fintechs e o surgimento de alternativas diversificadas para se realizar essa transição ao digital, a etapa de implantação e integração ao ERP mostra-se ainda mais relevante, exigindo uma enorme atenção por parte do contratante.

Como garantir que a integração ao ERP funcione adequadamente?

O impacto de uma solução que estende as funcionalidades de um ERP para um departamento de contas a receber pode ser identificado em diversos aspectos. Ao automatizar as atividades, a ferramenta aprimora a comunicação com os clientes, oferece um controle seguro sobre os procedimentos e transforma a tomada de decisão dos colaboradores com o auxílio da Inteligência Artificial (IA). Sem dúvidas, essas são mudanças positivas e que justificam o investimento em inovação.

Porém, o que muitos líderes deixam passar, às vezes por desconhecimento ou até por falta de orientação, é a influência que uma integração construída com o software de gestão pode proporcionar à automatização como um todo, de forma negativa ou positiva. Para uma integração bem-sucedida é esperado que um planejamento minucioso seja estabelecido, indicando todos os fluxos e dados necessários para que o gestor e sua equipe de profissionais possam trabalhar de forma eficiente com a plataforma contratada. Definitivamente, não se trata de uma etapa simples, em que os resultados aparecem da noite para o dia sem qualquer participação da equipe de negócios da contratante. Requer esforço, cuidadosa atenção e disciplina tanto da equipe de TI quanto da equipe de negócios da empresa que está implantando a nova plataforma.

Observância, cautela e atenção ao fornecedor

Quando uma organização opta pela automatização de processos, considerando a integração a um ERP, ela também sinaliza positivamente para uma nova mentalidade interna, dessa vez, alinhada com a presença tecnológica no dia a dia das operações. Adaptação é palavra-chave para os que possuem pouca expertise com um segmento tão promissor e, ao mesmo tempo, desafiador. É natural que determinados obstáculos sejam evidenciados, mas com uma atenção estratégica quanto a pontos cruciais para o sucesso da ferramenta será possível extrair o real potencial por trás de soluções inovadoras, fomentando um ambiente que visualiza a tecnologia como uma aliada imprescindível do contas a receber.

Para concluir o artigo, volto a destacar a importância de se manter uma postura de observância sobre o processo indicado pelo fornecedor, no intuito de garantir uma etapa de implantação e integração segura, que contemple às maiores demandas do departamento e que coloque a nova solução contratada como um grande ponto de virada para a empresa contratante.


* Luiz Bono é CTO na Receiv, sistema de cobrança inteligente. Doutor em Administração de TI pela FGV, e professor em cursos de graduação de TI e educação executiva.