*Por Luiz Bono

Quando acompanhamos os debates nos cadernos de negócios do país e das principais economias globais, é possível perceber, nitidamente, que as análises em torno da importância dos dados para o futuro das organizações deixaram de ser um tópico restrito ao universo especializado da tecnologia da informação e tornaram-se uma pauta recorrente nas discussões sobre gestão, recursos humanos e melhoria de processos internos. Tal movimento caminha em conjunto com um crescimento contínuo dos investimentos em soluções voltadas para a gestão da big data informacional dentro do ambiente de negócios contemporâneo.

Números da Allied Market Research apontam, por exemplo, que, em 2019, os investimentos em análise de dados atingiram mais de US$ 193 bilhões em todo o mundo e devem chegar à casa de US$ 420 bilhões até 2027, com um crescimento médio de quase 11%. A boa notícia, dentro deste contexto, envolve o fato de que as empresas brasileiras estão entre as que mais investem em recursos de dados, segundo pesquisa divulgada ano passado pela IDC.

Essa expansão, naturalmente, não surgiu por acaso. Um estudo da TNS Researchs indica, dentre outros pontos, que empresas que investem em tecnologias com foco em inteligência de dados têm crescimento de receita até 53% superior quando comparadas àquelas que ainda não adotaram uma perspectiva data-driven na condução de seus negócios.

Diante deste cenário, é importante considerarmos que, para a construção de cultura orientada por dados (data-driven), precisamos ir além do debate mais inicial sobre big data e desenharmos estratégias que, de fato, extraiam valor do fluxo de informações gerado diariamente nas empresas.

O primeiro passo neste sentido envolve o investimento em tecnologias de análise de dados – que, atualmente, são capazes da construção de diferentes cenários (descritivos, preditivos e prescritivos) e apoiam os gestores na tomada de decisões estratégicas, inclusive combinadas com o uso de Inteligência Artificial.

Mas só isso não basta, afinal, a tecnologia não trabalha sozinha. É preciso que os líderes das organizações disseminem a importância da cultura data-driven em todas as camadas do negócio, construam equipes que contem com profissionais aptos para que a análise de dados saia do papel e os empreendimentos analíticos gerem resultados para todas as áreas de uma companhia. Sobre este ponto, vale reforçar que já há um esforço das organizações: a busca por cientistas e analistas de dados cresceu de modo exponencial nas empresas em 2020, de acordo com levantamento da Workana.

Adotando uma visão analítica sobre os dados

Dessa forma, os impactos positivos de uma cultura orientada por dados atingem os mais diversos campos e processos de uma organização – da tomada de decisões ao planejamento estratégico; do apoio nas estratégias de Customer Experience ao desenvolvimento de novos produtos e serviços. Em uma pesquisa global da Statisa divulgada neste ano sobre os benefícios relacionados ao uso de dados e Analytics nas organizações, a consultoria identificou, respectivamente, os seguintes pontos:

  • Melhoria da eficiência e produtividade;
  • Tomada de decisões mais rápida e efetiva;
  • Performance financeira mais positiva;
  • Criação de novos produtos, serviços e fontes de receita;
  • Otimização da aquisição e retenção de clientes;
  • Otimização da experiência do cliente;
  • Ganho de diferenciais competitivos.

Para tanto, precisamos enfatizar que os dados por si só são como um oceano de possibilidades para as organizações. Para absorvermos estes benefícios, devemos acelerar o passo em prol do desenho de uma cultura analítica orientada para os objetivos dos negócios e que se assuma como um pilar estratégico das empresas.

Deste modo, abriremos as portas para uma transformação digital efetiva e para a construção de um ambiente empresarial mais inteligente, robusto e potencialmente irruptivo.


*Luiz Bono é CTO na Receiv, sistema de cobrança inteligente. Doutor em Administração de TI pela FGV, e professor em cursos de graduação de TI e educação executiva.