No dia 19 de novembro é comemorado o Dia do Empreendedorismo Feminino e para celebrar essa data, o Cubo Itaú, em parceria com o Startupi, realizou na última semana uma live com grandes empreendedoras do ecossistema de inovação e startups. 

Mediado por Fernanda Santos, editora-chefe do Startupi, o bate-papo, que faz parte do #CuboLiveTalks, contou com a participação de Carolina Strobel, sócia da Redpoint eventures; Ingrid Barth, cofundadora e COO do Linker; Izabella Neves, coordenadora de Inovação da B3; e Renata Zanuto, co-head do Cubo Itaú, que trouxeram seu ponto de vista sobre o que já mudou e o que ainda precisa avançar quando se fala em empreendedorismo feminino. 

Um dos pontos abordados pelas convidadas foi a presença das mulheres na criação de startups. Segundo a Associação Brasileira de Startups, atualmente o ecossistema conta com aproximadamente 15 mil startups, sendo 15% delas fundadas por mulheres. No Cubo Itaú, Renata contou que essa média está um pouco maior: 28%. 

Segunda ela, levando em conta sua observação nas startups residentes do hub, uma empresa fundada por uma mulher carrega alguns diferenciais, dentre eles a diversidade e um lucro maior. Sobre esse segundo, Renata citou também dois estudos. O primeiro, do Boston Consulting Group (BCG), aponta que as mulheres possuem uma visão mais holística sobre a empresa, resultando assim em um retorno maior a longo prazo. Em complemento a isso, uma outra pesquisa, agora do McKinsey, fala que as mulheres têm, em média, 15% a mais de lucros porque são mais atentas aos detalhes. 

Carolina complementou e falou sobre a importância da diversidade em uma empresa, principalmente quando se fala em resultados. “Todo investidor se não olha, deveria olhar para diversidade. Diversidade, de maneira geral, tem que ser uma estratégia para a empresa, É a mesma coisa que falar que governança corporativa é importante – governança também é estratégia. Tem que estar lá para para o crescimento dessa empresa. É como a diversidade”, ressaltou.

Sobre investimentos, Renata destacou que houve um aumento, nos últimos anos, de 8% de aportes em startups que têm mulheres na liderança. Entretanto, esse número ainda é baixo já que representa somente entre 2% quando se fala sobre os investimentos em geral. 

Ingrid também compartilhou sua experiência como fundadora de uma startup. Ela contou que durante uma autoanálise sobre diversidade no Linker, percebeu que a empresa era composta por 50% mulheres e 50% homens. Ela creditou isso justamente por ter uma mulher como fundadora. 

“Eu vi uma pesquisa há um tempo atrás que quando você tem líderes diversos, naturalmente o time vai se tornar diverso porque o ser humano em geral tende a contratar pessoas que ele se identifica”, explicou. 

Convidadas falam sobre empreendedorismo feminino durante Cubo Live Talks

Outro ponto levantado por Fernanda foi a presença feminina nos fundos de investimentos. Segundo um estudo da International Finance Corporation na América Latina, somente 8% possuem mulheres na liderança. Sobre isso, Carolina, que é a primeira sócia da Redpoint eVentures, contou que durante sua trajetória profissional sempre foi a única mulher em times que eram compostos apenas por homens. 

O que mudou a visão dela sobre a possibilidade de ser líder mesmo sendo mulher foi sua experiência em um banco onde o cargo na direção jurídica era ocupado por uma mulher, mas ainda assim, ter um mercado onde predomina homens no cargo, como em negócios, trouxe muitos desafios para Carolina. 

“Houve momentos que eu tive muitas dificuldades porque eu estava sozinha nesse meu caminho como mulher e eu tinha que enfrentar uma série de decisões que eram evidentemente tomadas por homens. Tiveram momentos em que era muito difícil eu me posicionar e ser ouvida”, relembrou.

A executiva disse ainda que o cenário está mudando e que o seu protagonismo foi construído por sua experiência e vivência na indústria desde o começo, mas que ela não quer que isso continue acontecendo. “Eu quero o protagonismo da menina que saiu da faculdade, eu quero o protagonismo da menina que está há 5, 10, 15 anos trabalhando. Eu quero o protagonismo das mulheres, não quero só o protagonismo pela experiência”, destacou.

Izabella concordou com Carolina e ressaltou a figura de uma mulher para inspirar outras mulheres a se tornarem protagonistas no mercado de trabalho. “Uma mulher vai abrindo o caminho para a outra e naturalmente vai acontecendo”. Essa representatividade, segundo ela, foi muito importante principalmente no seu atual cargo na B3, onde é responsável por levar inovação para dentro da companhia. 

“O viés inconsciente faz com que tenha-se uma expectativa de que inovação vai ser aquilo que eles entendem. E aí quando você vem com uma fala diferente, um ponto de vista diferente e você não tem pares ou representantes ali, é muito importante compreender o meio para saber como você vai trazer isso aos poucos, porque inovação por si só já incomoda, às vezes”, afirmou. Diante desse cenário, a diversidade tem um papel significativo. “Você vai tendo outros pontos de vista. Isso vai ajudar a ter ideias diferentes e novos questionamentos”, complementou. 

Apesar da evolução quando se fala em empreendedorismo feminino, há alguns pontos que ainda merecem atenção e que podem ser melhorados. Um deles, segundo Carolina, é a presença de mulheres na fundação das startups. Ela contou que o diagnóstico foi feito a partir de um mapeamento da Redpoint eventures que a ideia é pensar em iniciativas que incentivem as mulheres a se tornarem protagonistas nesse sentido. “Esse foi um ponto que a gente acha que tem que melhorar – e que já segue há muito tempo. Tem melhorado, mas ainda precisa de muito trabalho ali em cima”, disse. 

Renata levantou também a questão da educação em tecnologia. “Tem um número que mostra que a minoria das mulheres estão em startups que estão mais voltadas a Exatas”. Segundo ela, a falta de capacitação na área é responsável por isso.

Para diminuir essa gap, no entanto,  já existem algumas iniciativas, como o Eu Capacito e o PrograMaria, que visam estimular o empreendedorismo e inovação nessa era digital. Além dos projetos citados por Renata e Izabella, respectivamente, existem outras totalmente gratuitas e que podem ser acessadas aqui. 

Confira abaixo o bate-papo na íntegra:


O Cubo Live Talks traz semanalmente especialistas do mercado para debater temas relevantes para o ecossistema. Para não perder, fique ligado nas redes sociais do Startupi. Todas as lives são transmitidas às 19h nos canais do YouTube do Startupi e do Cubo Itaú.