* Por Jeniffer Santos

Parece conto de fadas a parte “líder aos 21 anos”, mas a história é verdadeira e eu te conto tudo neste conteúdo curtinho, mas que espero servir como inspiração para muita gente. Vamos lá!

Sou Jeniffer Santos, 25 anos, sonhadora, amo ajudar pessoas, cozinhar é meu hobby predileto e a praia é meu lugar favorito. No mundo profissional sou head de Marketing na CosmoBots (empresa que inclusive sempre deu e dá espaço para quem é um bom profissional independente de qualquer característica pessoal) e faço uns freelas ajudando as empresas a inserirem e divulgarem seu negócio no universo digital. Mas vamos ao que interessa!

Comecei a trabalhar com 18 anos como Aprendiz e no processo seletivo a pessoa que seria o meu supervisor já me disse que eu seria líder um dia. A empresa perdeu uma filial e eu tive que sair de lá em menos de 6 meses.

Logo encontrei uma vaga de estágio, já que nessa época eu ainda estava cursando Gestão em Marketing. Eu era estagiária de forma generalista no departamento de marketing e vendas (aquela profissional que faz de tudo um pouco). Fiquei 1 ano e meio como estagiária e quando todo o restante da equipe havia sido promovida e eu não, fui questionar a coordenadora. Eu não esperava, mas a resposta que recebi foi: você faz em 6 horas o que o restante da equipe faz em 8 horas, não vejo motivo para te promover. Não soube o que responder no momento, mas dias depois avisei a ela que eu estava procurando novas oportunidades. Saí de lá para uma vaga de Analista Júnior em uma empresa de tecnologia que havia acabado de ter recebido investimento e estava contratando quase o dobro de funcionários para a tão sonhada expansão. Mas a coordenação e direção rodeada de homens não me davam espaço a ponto de não me deixar falar em reuniões, motivo pelo qual eu saí antes mesmo da experiência.

Em menos de 20 dias eu entrei em uma Agência de Marketing como Analista Júnior para trabalhar com anúncios patrocinados. Depois de 5 meses recebi o convite para me tornar líder do departamento de Marketing da agência aos 21 anos. Não estava confiante, mas aceitei o desafio. E que desafio leitores!

Com a oportunidade que tive, busquei fazer alguns cursos e me especializei em liderança, mas confesso que nenhum curso me ajudou a lidar com pessoas tão bem quanto os dias em que eu tive que lidar com pessoas na vida real. Como mulher, negra e jovem, tive que lidar com muitos clientes que não me davam o devido respeito, sempre usavam as frases “Você é quem vai coordenar a reunião?”, “Você parece tão jovem, quantos anos você tem?”, “Você é a coordenadora do departamento?”, “A diretoria vai participar da reunião?”, “Você tem certeza do que está falando?” e todas essas frases sempre vinham acompanhadas  de uma expressão de desmerecimento.

Ouvi muitos comentários desnecessários, mas sempre com a cabeça erguida, entregando resultados positivos e estudando o máximo que podia para evoluir como profissional. Em diversos momentos, revertia o comentário e muitas vezes recebi pedidos de desculpas. Tive um desafio ainda maior, quando passei a dar aulas de marketing digital em uma escola reconhecida na capital de São Paulo. Depois de 3 meses de empresa, eu descobri que recebia menos que o restante da equipe mesmo sendo mais experiente. Nesse momento, sabia que havia entrado para a estatística das mulheres que recebem menos que homens e brancos (as).

Sempre acreditei que a melhor forma de impor respeito é buscar por ele, dizer não, responder com educação e lutar pelos seus direitos. Por sorte, dos 21 aos 25 encontrei pessoas incríveis no caminho profissional, que sempre me alertaram e ajudaram a superar esses desafios.

Pode não parecer, mas muita gente está trabalhando todos os dias para que situações como essa diminuam. Hoje, ocupo o meu espaço independente de onde ou com quem eu esteja, pois não acredito que os fatores pessoais dizem algo sobre a capacidade de cada um de nós. Pelo contrário, acredito que quanto mais jovens somos, mais tempo temos para aprender.

Espero que esse conteúdo inspire mulheres que assim como eu lutam todos os dias contra todos os aspectos contrários vindos da masculinidade no mundo corporativo.

Um beijo.


Jeniffer Santos é head de Marketing na CosmoBots, startup membro do Cubo Itaú. Formada em Publicidade e Propaganda e em Gestão de Marketing, possui mais de 6 anos de experiência em Marketing Digital como uma profissional generalista. Atuou com planejamento, desenvolvimento e análise de diversas estratégias: Inbound Marketing, SEO, Marketing de Conteúdo, Redes Sociais (Facebook, Instagram e LinkedIn), Links patrocinados (Google Ads), Parcerias e Eventos.