Gestora de investimentos em inovação e tecnologia com mais de R$ 1,2 bilhão em ativos e 48 empresas investidas, a KPTL acaba de anunciar aporte na Syos, startup especializada no desenvolvimento de soluções de IoT (internet da coisas) e analytics. 

Por meio da instalação de hardware proprietário, a companhia trata, analisa e publica dados coletados em aplicativo mobile e plataforma web, além de gerar alarmística utilizando inteligência artificial e machine learning. 

Os recursos são do Criatec 3, fundo com R$ 220 milhões, liderado pelo BNDESpar e gerido pela KPTL. Com atuação nacional, o fundo já fez mais de 20 investimentos em startups de diversos setores como: agronegócio, energia, mídia, varejo e TI. O aporte da KPTL na Syos será dividido em tranches (partes), podendo chegar a R$ 10 milhões.

O foco inicial de atuação é no monitoramento de geladeiras comerciais para o setor de alimentos e bebidas. A Syos surgiu em 2019, mas já conta com clientes de peso do mercado, entre eles Coca-Cola, Grupo Big, Imbera e Green Yellow. 

A companhia nasceu como uma spin-off da THINC, empresa de telemetria para redução de custos de frota e presente no mercado há mais de 10 anos. A trajetória empreendedora de Paulo Lerner, CEO da Syos, começou desde que terminou a graduação em Engenharia de Produção, na PUC do Rio. “Sempre gosto de me envolver com coisas novas e negócios com alto potencial de crescimento. Sempre me vi mais do lado de produtos novos e crescimento. Como startup somos rápidos e ágeis, conseguindo mudar a forma como o mercado funciona.”, conta Lerner.

Segundo Renato Ramalho, CEO da KPTL, a Syos é um ativo com excelente histórico e com enorme potencial de escalabilidade. “Os principais clientes da Syos são empresas com milhares de refrigeradores e que contratam uma solução completa. Desde sensores dentro das geladeiras até algoritmos de Machine Learning (aprendizado de máquina) para realizar manutenção preditiva. A Syos é pura tecnologia, tem um incrível ativo proprietário e é nisso que acreditamos”, defende Ramalho.

Sabe quando você vai ao supermercado e percebe que os produtos congelados não estão tão gelados ou quando a cerveja do bar não está na temperatura correta? Pois é justamente esse tipo de problema que as soluções da Syos procuram evitar. Em mau funcionamento refrigeradores prejudicam a qualidade do produto, o que pode oferecer riscos de contaminação e levar a episódios de intoxicação alimentar, além de gerarem perdas significativas com desperdício de comida, custos altos de manutenção e energia.

Quando consideramos o mercado brasileiro, dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) estimam cerca de 40 mil estabelecimentos que se enquadram na categoria. Com uma média estimada em cerca de 50 refrigeradores por loja, o potencial de mercado total seria de 2 milhões de unidades de ativos, ou R$ 500 milhões anuais como mercado endereçável para Syos apenas em supermercados. Entre outros potenciais clientes, enquadram-se restaurantes, lojas de conveniência, lanchonetes, farmácias, hotéis e hospitais.

Para colaborar na criação deste produto disruptivo para o mercado de refrigeração comercial, Paulo Lerner chamou Luiza Gazola, profissional com mais de 10 anos de consultoria liderando cientistas de dados, para montar o time de inteligência artificial e trabalhar em algoritmos de manutenção preditiva e analytics avançado.

Além dela, também contratou Carlos Bugs, engenheiro especializado em hardwares de IoT e sensoriamento, com larga vivência na criação e industrialização de tecnologias. Já Patricia Frajhof, profissional atuando há mais de 10 anos em grandes empresas nas áreas de Relações com Investidores e Tesouraria, completou a liderança da Syos comandando a área financeira e de operações.

“Um refrigerador comercial é um ativo de baixo custo, com pouca automação e inteligência. Porém é um ativo que movimenta muito dinheiro. Pela nossa experiência, ele vende mais, custa menos e funciona melhor quando está sendo monitorado e gerido de forma inteligente. Há muita oportunidade de negócio ali”, explica Paulo Lerner, CEO da Syos. “Hoje temos tecnologia com resultados comprovados, sem a necessidade do cliente investir em geladeiras novas”.

A base do sistema é um sensor sem fio que é colado no refrigerador e captura as principais informações do equipamento – temperatura, abertura de porta, posicionamento, entre outros. Em seguida, transmite para uma plataforma analítica que processa as informações e entrega os dados e alarmes necessários, permitindo o monitoramento e a gestão dos ativos em campo.

Estima-se no mundo um mercado total disponível de mais de 100 milhões de refrigeradores comerciais e no Brasil, superior a 3 milhões de equipamentos. Se considerarmos apenas refrigeradores de bebida, estima-se que o mercado americano supere milhões de equipamentos, totalizando US$ 2 bilhões anualmente.

Do outro lado, a KPTL tem convicção de que soluções tecnológicas que agreguem captura e inteligência de dados dentro de mercados inexplorados é um caminho sem volta da inovação. Especialmente em IoT, a KPTL acredita que a consistência na oferta tecnológica e na experiência do capital humano são fundamentais para o sucesso dessas companhias. No total a gestora investiu em 14 empresas que lançam mão desse tipo de recurso, em várias verticais da economia.