* Por Exame.com

A quase centenária Lojas Americanas, fundada em 1929, acaba de levantar praticamente R$ 8 bilhões com uma oferta primária de ações na bolsa. A operação saiu inteira, com lote extra. Os recursos vão fortalecer o caixa da empresa para acelerar investimentos em tecnologia, a palavra mágica do momento.

Os sócios controladores — o badalado trio da 3G, Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles — acompanharam a emissão e não vieram para brincar: colocaram R$ 1,8 bilhão no negócio. A ação preferencial saiu a R$ 34,50  – 0,4% abaixo do fechamento desta terça-feira e 11,3% acima dos R$ 31, último preço na B3 antes do anúncio da capitalização. A ordinária ficou em R$ 29,78 reais, por ser menos líquida.

A demanda foi equivalente a quatro vezes o livro no preço final da oferta. Dona da B2W, que abriga as marcas Americanas.com e Submarino, a empresa que passou anos como patinho feio da bolsa, agora surfa a onda do e-commerce.

As companhias com atuação digital no varejo caíram no gosto dos investidores durante a pandemia com uma aposta de que parte dos hábitos de consumo verificados no isolamento serão mantidos. O evento foi visto como um propulsor dos canais eletrônicos, embora no Brasil o percentual do e-commerce ainda seja muito baixo, entre 3,5% e 7% do total movimentado no varejo.

Precursora da moda do R$ 1,99, o slogan de estreia da Lojas Americanas era “nada além de dois mil réis” — que tem esse nome porque foi fundada pelo quarteto americano John Lee, Glen Matson, James Marshall e Batson Borger, em Niterói, no Rio de Janeiro. Os sócios do antigo Banco Garantia só assumiram o negócio em 1982.

De popular na companhia, só o foco dos produtos. Além dos controladores glamourosos, o sindicato da oferta reuniu a elite toda do mercado — BTG Pactual, como líder na coordenação, ao lado de Goldman Sachs, Itaú BBA, Morgan Stanley, Bofa, Bradesco, Safra e Santander.

A companhia informou que os recursos serão destinados a uma capitalização da B2W e a investimentos na Ame Digital, uma espécie de fintech para pagamentos, e também nas novas frentes de negócios. Segundo a empresa, será estudado um aumento de capital privado de R$ 3 bilhões na B2W.

Após décadas como sinônimo de varejo démodé, a companhia tem dentro dela duas das maiores modas entre os investidores do momento: comércio eletrônico e fintech. O trio 3G não deixou dúvida de que a empresa vai apostar forte nos novos hábitos do brasileiro.

A operação também vai melhorar a estrutura de capital da companhia. Ao fim de março, a Lojas Americanas tinha dívida bruta de R$ 16,35 bilhões para uma posição de caixa de R$ 12,84 bilhões, considerando o contas a receber.

Entre os investidores, muitos continuam acreditando que o destinado é a combinação total de Lojas Americanas e B2W, dado o modelo de integração que predomina no varejo, como bem deixam evidentes os R$ 130 bilhões de valor de mercado da Magazine Luiza.

No balanço consolidado do ano passado, a Lojas Americanas teve receita líquida de R$ 18,66 bilhões, com crescimento de 5,5%, na comparação anual. O Ebitda ficou em R$ 3,5 bilhões, após alta de 10,9%, e o lucro líquido alcançou R$ 505 milhões, com expansão de 65,4%.

* Por Graziella Valenti, para a Exame.com