O coronavírus provocou um processo de transformação tecnológica, mudou o conceito de resultado, fez serviços e produtos serem descartados e está alterando também hábitos de compra e de consumo. Mas a mudança mais intensa que a crise está exigindo no ‘novo normal’ está relacionada à liderança, exigindo adaptação no perfil, nas competências, no propósito, nas habilidades e nas atitudes.

Para Valdirene Moser, docente da área de liderança do Senac São Paulo, em termos práticos, líderes centralizadores tiveram que se concentrar realmente em suas atividades, incluindo a avaliação dos resultados apresentados pelos funcionários. “Outro aspecto importante refere-se à condução das reuniões que por serem feitas de modo virtual acabam facilitando a concentração no conteúdo e organizando o momento das dúvidas que acabam sendo direcionadas aos líderes posteriormente, criando uma relação de proximidade e confiança entre todos. Assim, será possível, por exemplo, observar de perto o desempenho de profissionais que talvez nunca tenham tido a oportunidade de se destacar”, afirma a docente.

Com isso, uma das grandes questões que emergiram é ‘Qual o perfil desejado para o líder neste contexto?’. Dentre as características necessárias, Moser ressalta a adaptabilidade sem receio de mudanças, o autoconhecimento (identificação de seus pontos fortes e fracos para posterior aprimoramento), o espírito de equipe (capacidade de compreender os funcionários como parceiros), a humildade para aceitar os próprios erros e os dos demais, habilidade de escuta e, principalmente, dar mais autonomia aos funcionários.

A liderança situacional (habilidade de administrar mudanças, crises, conflitos e situações adversas de forma geral) ganha destaque neste momento. “O trabalho remoto está fazendo com que o líder se aproxime cada vez mais da equipe, respeitando a individualidade de cada integrante, podendo inclusive observar facilidades e dificuldades de cada um”. A especialista menciona ainda a necessidade de fazer emergir a liderança líquida na qual o líder precisa se adaptar a diferentes contextos para acessar o funcionário e talvez neste momento de trabalho remoto seja muito mais fácil perceber características diferentes no seu time.

A docente do Senac São Paulo também traz dicas de como gerenciar equipes a distância, como cuidar das pessoas de modo individualizado, mudanças no planejamento estratégico, entre outras. Confira:

 – Gerenciamento de equipes a distância: dê autonomia e liberdade de trabalho e, acima de tudo, comunique de modo claro as suas necessidades. Não se esqueça de levar em conta as características de cada profissional. As palavras de ordem são: adaptabilidade, sensibilidade e autonomia;

– Cuidado individualizado: é de suma importância observar os aspectos psicológicos/emocionais de cada funcionário. O líder precisa ter grandes doses de empatia, pois o momento é de insegurança e de medo;

– Planejamento estratégico: alterações vão existir e o fato é benéfico, pois o planejamento deve considerar o reequilíbrio econômico e financeiro da empresa diante da pandemia, gerenciamento de riscos tributários, fiscais, políticos, comerciais, ambientais, trabalhistas e patrimoniais, entre outros. A visão de futuro deve ser incorporada na visão estratégica das companhias.

Além disso, para auxiliar os gestores, o Atendimento Corporativo do Senac São Paulo disponibilizou gratuitamente o conteúdo do e-book ‘Liderança Mediadora – uma nova perspectiva para o desenvolvimento de talentos’ que pode ser acessado no link.