Nos últimos dias, em meio às discussões de relaxamento da quarentena em várias cidades do país, levantou-se também a questão do retorno dos alunos das redes estadual, municipal e particular às aulas presenciais. Na semana passada, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), anunciou uma previsão de retomada para o dia 8 de setembro. 

Da creche ao ensino médio, eles só poderão voltar para as escolas, dentre outras regras, se todas as regiões do Estado estiverem há 28 dias na fase amarela de flexibilização da economia. Enquanto isso, todos seguem tendo aulas pela internet. O Startupi mostrou algumas iniciativas de startups que estão tornando este momento mais interativo, bem como outras que seguem auxiliando quem deseja entrar na universidade por meio do Enem, que ainda segue sem uma data definida.

Em relação ao ensino técnico, profissionalizante e superior, aqueles que estiverem no último ano de cursos majoritariamente práticos poderão ter aulas presenciais apenas nos laboratórios para cumprimento de créditos, desde que sigam algumas regras estabelecidas no Plano São Paulo. Reitores da USP, Unesp e Unicamp já anunciaram que as aulas presenciais nas instituições só retornarão no início do ano que vem.

No caso do ensino superior em específico, várias empresas pelo país estão ajudando alunos, professores e instituições durante a pandemia, de modo que as atividades que podem continuar pela internet sem prejuízo aos alunos, não sejam paralisadas. Confira algumas delas:

Amigo Edu

O Amigo Edu, marketplace de educação, finanças e captação digital, oferece um programa de benefícios tanto para alunos quanto para instituições de ensino superior pelo país. A startup desenvolveu o Vestibular Digital, no qual todo o processo de ingresso, desde a inscrição até a efetivação da matrícula, ocorre em um ambiente 100% online. 

Atualmente, 26 instituições de ensino brasileiras utilizam a plataforma e, desde o dia 23 de março, a adesão à solução aumentou em dez vezes – também neste período, mais de 76 mil vestibulares foram realizados. Desde a sua fundação, o Amigo Edu já recebeu R$ 5 milhões em aportes de fundadores e investidor-anjo.

“Por parte dos alunos, o feedback é super positivo e não poderia ser diferente. Fazer um processo seletivo de qualidade, com todos os requisitos de segurança sem sair de casa é realmente um grande diferencial. Quanto às instituições, sem dúvida é um processo que diminuiu seus custos operacionais, melhorou a presencialidade e aumentou a captação”, destacou Beto Dantas, CEO da empresa. 

Beto Dantas, CEO do Amigo Edu.

Tanto o vestibular quanto a admissão são totalmente desenvolvidas pela área de tecnologia da empresa, garantindo uma solução baseada em segurança digital. “Tomamos muito cuidado com a segurança do vestibular, pois sabemos que não pode haver falhas. Por isso, contamos com ferramentas antifraude durante o período de execução da prova, como a análise dos documentos enviados pelo estudante, reconhecimento facial de imagens capturadas pela webcam, gravação da interação do usuário com a plataforma e análise de plágio”.

Com relação ao recurso de reconhecimento facial, Beto explica que antes de iniciar o exame, o aluno deve anexar uma foto do seu documento (RG ou CNH) e uma foto de rosto. Essas informações, por sua vez, passarão por uma análise automatizada para atestar a veracidade. “Uma vez aprovado, o usuário iniciará a prova com o recurso de reconhecimento facial que compara, periodicamente, o rosto à frente da câmera com o rosto da foto enviada. Ao final do processo, a instituição terá acesso a um dossiê que informa se houve alguma infração, como, por exemplo, a ausência do rosto do vestibulando ou a presença de outro rosto”.

Plataforma do Amigo Edu.

Dantas acredita que essa nova modalidade de avaliação veio para ficar. Segundo ele, os vestibulares digitais podem se tornar uma alternativa aos presenciais, já realizados tradicionalmente. “Certamente, esse é um formato que vai se consolidar no Brasil. A pandemia acelerou o processo de transformação digital no ensino superior. As universidades não vão deixar de aplicar os vestibulares presenciais, mas ter disponível o vestibular digital será um grande diferencial para captar novos alunos”, afirmou.

Ainda de acordo com o CEO, o Brasil terá de enfrentar muitos desafios em relação à inclusão digital dos estudantes. “O principal ponto é conseguir democratizar o acesso para os alunos, em todos os níveis de escolaridade. A pandemia acelerou um processo de aprendizagem e de distribuição de conteúdo digital, e agora precisamos fazer com que todos possam acessar esse modelo de ensino e aprendizado”.

Beto reforçou o trabalho realizado pela plataforma durante a pandemia e já destacou as novidades que estão por vir. “Neste momento, nosso foco é facilitar a vida do aluno não apenas com acesso às instituições de ensino, mas também na sua permanência com ferramentas como o nosso seguro educacional e parcelamento estudantil. Estamos também desenvolvendo conteúdos e simulados para ajudar os alunos na preparação para o Enem”, finalizou.

Prova Fácil

Além das aulas a distância, as avaliações dos alunos também precisaram ser adaptadas via internet. É aí que entra o trabalho da Prova Fácil, edtech especializada na gestão dos processos avaliativos de escolas e instituições de ensino superior pelo país. 

“Trabalhamos com uma plataforma que resolve o problema logístico, tornando as provas mais rápidas e eficientes e gerando resultados. Com isso, conseguimos reduzir o tempo, esforço, energia e dinheiro para que as instituições consigam trabalhar melhor os seus processos avaliativos e também consigam entender melhor quais são os gaps de aprendizagem dos alunos, de desempenho dos professores e da instituição como um todo”, destacou o CEO da startup, Adriano Guimarães. 

Desde a sua criação, a empresa já participou de duas rodadas de investimentos: um capital semente e também uma série A, totalizando R$ 8 milhões em seis anos. Hoje, mais de 1500 instituições e cerca de 3 milhões de alunos utilizam a solução no país. O CEO destacou que desde o início da pandemia, tem percebido um aumento de demanda além do esperado. 

“Não só dos próprios clientes, que já utilizavam a ferramenta e que migraram todas suas operações para 100% online, como também há uma procura grande de novos clientes que precisam transformar toda sua instituição para 100% digital. A empresa já estima passar por um crescimento até maior que o planejado após a pandemia”. A startup disponibilizou de forma gratuita o acesso à solução da Prova Fácil para escolas e professores de todo o Brasil até esta quarta-feira (1), mas adiantou que o benefício poderá ser ampliado. “Tendo em vista que foram muitas adesões, podemos estender”. 

Adriano Guimarães, CEO da Prova Fácil.

Segundo o CEO, o feedback dos usuários tem sido satisfatório e avalia que muitos deles podem não retornar para o modelo tradicional de avaliações. “Todo mundo que usa nossa plataforma gosta muito e mesmo aqueles que não tinham uma experiência online e migraram agora para essa experiência, têm nos dado feedbacks bem positivos. Vemos, inclusive, que existe até uma tendência de que, mesmo após a pandemia, todas essas instituições e usuários irão permanecer 100% online, sem retornar para o modelo analógico”.

Por outro lado, Guimarães afirmou que o grande desafio das instituições neste momento é promover uma experiência interessante para o aluno que está estudando via internet.  “Acho que as escolas estão se desdobrando para conseguir que esse aluno 100% online tenha o mesmo interesse e, principalmente, a mesma capacidade de conhecimento que ele tem em uma aula totalmente presencial”. Ele sugere, portanto, que a melhor maneira de promover um conteúdo online é incentivar os trabalhos em grupo. “É preciso repensar a aula e a maneira de fazer, principalmente propondo muitas atividades colaborativas entre os próprios alunos, porque o estudo torna mais interessante esse ambiente”, ressaltou. 

Por fim, ele adiantou que após a pandemia, a empresa pretende retomar alguns projetos, sobretudo aqueles que visam aproximar professores e alunos. “Pensamos em fazer provas online interativas, onde o professor converse com o aluno, processos onde o aluno possa receber feedbacks ao vivo do professor ou até mesmo gravados”, finalizou. 

Interface da plataforma Prova Fácil.

Passei Direto

Fundada em 2012, a Passei Direto é uma startup brasileira que nasceu como uma rede acadêmica para estudantes, especialistas, professores e produtores de conteúdo se ajudarem, trocando conhecimento entre si. A empresa disponibiliza milhões de materiais de estudo para todos os níveis de ensino, apesar de estudantes de graduação formarem a maioria do público atendido. 

A plataforma recomenda os materiais de acordo com o perfil e preferências do estudante. Ele também pode buscar por um assunto e selecionar o tipo de material que está procurando (resumos, exercícios, mapas mentais etc). A Passei Direto já oferece acesso gratuito a todas as pessoas, mas com uma limitação de consumo de até 3 materiais por mês. 

Após atingir essa marca, o usuário poderá virar “Premium” para ter acesso ilimitado aos conteúdos de duas formas: compartilhando seus materiais e ganhando pontos, por meio de um sistema de gamificação, ou realizando uma assinatura.  Rodrigo Salvador, CEO da empresa, afirma que, como em outras redes sociais, não existe um controle prévio sobre o que é postado, mas destaca que a empresa tem como um dos seus maiores objetivos garantir a qualidade dos conteúdos dispostos na rede. 

“Usamos algoritmos, temos um time interno de qualidade e damos ferramentas de avaliação e denúncia aos usuários. Tudo isso para garantir a priorização dos melhores materiais, despriorizando ou até excluindo aqueles que não estão à altura do padrão de qualidade que buscamos”, ressaltou.

Rodrigo Salvador, CEO da Passei Direto.

Desde o início do ano e por conta da pandemia, a Passei Direto registrou um aumento de dez vezes no número de acessos à plataforma. “Em janeiro, nossos materiais tinham aproximadamente 4 milhões de visualizações; em maio, esse número passou para mais de 50 milhões”. A startup liberou aos usuários todos os materiais sobre coronavírus de forma gratuita. “Nosso objetivo com essa iniciativa é apoiar ainda mais a conscientização sobre o tema”.

De acordo com Salvador, o retorno deles têm sido bastante positivo, assim como do mercado. “Prova disso é a nossa recente indicação ao Prêmio Reclame Aqui, um dos mais importantes da área de atendimento, na categoria de serviços de educação. Temos diversos relatos de estudantes agradecendo ao Passei Direto por ajudar na conclusão dos estudos”.

Plataforma da Passei Direto.

Rodrigo acredita que a pandemia reforçou o potencial do ensino a distância no Brasil. “Instituições que nem ofereciam EaD tiveram que aderir, assim como os estudantes do ensino presencial. Estamos passando pelo maior experimento de estudo a distância da história da humanidade e todos terão que se adaptar a uma realidade cada vez mais online nos estudos”. 

Essa adaptação, segundo o CEO, é um dos grandes desafios que o país ainda terá de enfrentar em relação à este tema. “Provavelmente, haverá uma resistência inicial de alguns estudantes e professores, mas isso faz parte do processo. Acredito que com o tempo a tecnologia irá melhorar ainda mais e, consequentemente, facilitar essa adaptação”, finalizou. 

CRA-SP

O Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP), em parceria com algumas instituições de ensino brasileiras, como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), lançou o CRA-SP Educa. A plataforma online e gratuita oferece cursos, aulas e webinars de acordo com práticas atualizadas do mercado de trabalho, contemplando diversas áreas do conhecimento: além da Administração, possui conteúdos voltados para Recursos Humanos, Saúde, Segurança, dentre outros.

Eles são realizados em ambiente digital e alguns são certificados após sua conclusão. “O interessado acessa a plataforma do CRA-SP Educa pelo site, seleciona o curso, faz um breve cadastro e é direcionado à plataforma da Instituição Parceira ofertante”, destacou o presidente do CRA-SP, Roberto Carvalho Cardoso. 

Roberto Carvalho Cardoso, presidente do CRA-SP.

A plataforma foi implantada no fim de abril e desde então, já registrou mais de 80 mil acessos. Cardoso avaliou a importância de acrescentar esses cursos no portfólio, sobretudo em um momento que muitos estão em busca de recolocação profissional. “É uma oportunidade para estudantes e profissionais se manterem atualizados e melhorarem o currículo de forma rápida e acessível. Neste momento, contamos com 20 importantes instituições parceiras que, juntas, oferecem 1.136 cursos”. 

Ele adiantou que o CRA pretende ampliar o programa, tanto com instituições nacionais, quanto de fora do país. “Estamos em tratativas com diversas instituições para fechar novas parcerias e aumentar a oferta de cursos e também, aumentar o número de Instituições parceiras internacionais como universidades, organizações mundiais e outras”, finalizou. 


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