A pandemia do novo coronavírus trouxe à tona a vulnerabilidade das pessoas mais velhas à doença, classificadas pelo que os especialistas chamam de “grupos de risco”. Indivíduos acima de 50 anos estão mais suscetíveis aos sintomas da covid-19 e, portanto, requerem uma atenção especial de órgãos públicos de saúde.

Da mesma maneira, algumas empresas que já atendiam à este público em específico também viram sua demanda crescer com o vírus e tiveram que adaptar ou ampliar os seus serviços.

Confira algumas dessas organizações que oferecem tecnologias para o público +50:

Planetun

A Planetun, insurtech que desenvolve soluções para o mercado de seguros e automotivo, enxergou na tecnologia uma aliada importante para garantir a saúde dos idosos. Devido ao isolamento social, muitos têm medo em não conseguir sacar a aposentadoria, já que não podem sair de casa.

Assim, para que mantenham o acesso ao benefício, a empresa criou o aplicativo web Mobi Previdência, no qual o usuário consegue resolver diversos processos de forma remota, sem sair de casa, como a concessão da aposentadoria e a prova de vida. Com a plataforma, o titular da previdência ainda pode solicitar o resgate do valor investido e os beneficiários, em caso de falecimento do titular, podem enviar a documentação necessária para o pagamento do sinistro.

“Acabamos de lançar a versão de nosso aplicativo que possui áudio. Ou seja, nosso assistente virtual vai explicando em tempo real os passos que o cliente precisa realizar. Ao final de todos os processos, o cliente dá uma nota para a experiência e pode também realizar comentários sugerindo melhorias. Nossa nota atual está em 96% de satisfação com a experiência”, explica Henrique Mazieiro, CEO da Planetun.

Henrique Mazieiro, CEO da Planetun.

Utilizando a solução, o titular ou beneficiário recebe um token via SMS que dá acesso ao app web. A partir daí, é só seguir um passo a passo de fácil entendimento para enviar todos os documentos necessários diretamente à empresa de previdência e aguardar a conclusão do processo. Tudo pode ser feito via celular e cada etapa do estágio em que se encontra seu pedido pode ser acompanhada pelo próprio aplicativo web.

Henrique acredita que os processos de auto serviço são uma tendência mundial e o Brasil tem um espaço muito grande para investimentos nesta área. Para o CEO, ainda existia uma resistência e insegurança no modelo. “Em virtude da situação atual e da necessidade de realizar todos os processos dentro de um isolamento social, nossos produtos foram colocados à prova e a aderência tem sido muito alta. A tendência, baseada na aceitação e índice de satisfação dos usuários, é de que o modelo de auto serviço se consolide de vez”.

Ele destaca que a empresa tem trabalhado para garantir a segurança dos clientes. “Todos os nossos aplicativos possuem trilha de rastreabilidade de forma a trazer cada vez mais segurança em nossos processos. Com a concordância do cliente, conseguimos identificar a geolocalização, endereço IP, navegador, celular e com o face detect, fazemos inclusive a validação de que é realmente o cliente quem está realizando e solicitando as informações e processos”, explica.

A empresa já trabalha no aprimoramento dos processos e controles para que ela continue cada vez mais digital, sobretudo pós pandemia. “Já sabemos que não seremos mais a mesma empresa com um escritório enorme. Já não faz mais sentido, então temos direcionado nossos investimentos para a tecnologia, desenvolvimento e capacitação e adaptação de nossos colaboradores ao novo cenário”, finaliza.

Bexpo

A Bexpo, startup curitibana criada em 2017, é voltada para a criação de produtos e serviços para tornar as empresas mais digitais e inovadoras. A empresa oferece, dentre outros serviços, capacitações para a área da inovação, consultorias digitais e a criação de produtos e tecnologias. 

O principal produto da startup é o LivID, aplicativo que permite a realização de prova de vida e recadastramento do aposentado e pensionista de maneira 100% digital, oferecendo mais praticidade e agilidade para o usuário e mais segurança e eficiência para as empresas. “É a melhor maneira de se evitar fraudes e prejuízos para as fundações e entidades públicas”, afirma Paulo Matta, CEO da empresa.

Segundo ele, o diferencial da empresa é o investimento de inovação em áreas ainda pouco exploradas, como a da Previdência. “Esse é um segmento que necessita de muitas melhorias e avanços e acreditamos que a tecnologia pode proporcionar mais qualidade de vida e serviços para seus usuários”, destaca. 

No último mês, a Bexpo foi comprada e incorporada pela Gateware, empresa curitibana especialista em gestão de projetos. Com isso, a empresa deve potencializar seu crescimento e ganhar mais capilaridade no mercado. “Também devemos desenvolver novos produtos e serviços inovadores por conta dessa parceria. Preferimos não revelar os valores envolvidos na transação”.

Paulo Matta, CEO da Bexpo.

A LivID é uma tecnologia que funciona desde 2018 e, atualmente, tem mais de 8,5 mil clientes em diferentes estados do país. “Atualmente, atendemos fundações privadas de aposentadoria, mas o plano é estender também para os serviços públicos. Entre os clientes que já utilizam a solução, houve uma boa receptividade do produto e alta taxa de aprovação. Eles compreenderam a necessidade de realizar mudanças e aperfeiçoar o processo de prova de vida e recadastramento”.

Para realizar a prova de vida, o usuário deve realizar três etapas de verificação. Na primeira, envia uma foto de seu próprio rosto; na segunda, uma foto de seu documento e na terceira, uma foto do rosto ao lado do documento:

A solução utiliza uma tecnologia de reconhecimento facial e de imagens e de inteligência artificial que identifica o rosto do beneficiário ao detectar movimentos faciais e pontos da imagem. Além disso, é capaz de ler o documento para que as informações cadastrais sejam preenchidas.

“Todo o processo acontece digitalmente e, em poucos minutos, o benefício é liberado. Caso haja qualquer problema de visibilidade nas fotos, dúvida ou erro, o cadastro passa por uma análise manual dos técnicos da plataforma. Todo o processo é atualizado em tempo real e pode ser acompanhado pelo beneficiário e pela fundação. O sistema possui ainda um processo antifraude que valida o dispositivo, identifica a localização e falsificações e fraudes”, ressalta Paulo. A plataforma ainda possui um suporte à disposição caso haja qualquer tipo de problema. 

Paulo salienta que futuramente, espera oferecer uma solução completa de previdência, incluindo eleições para fundos privados, módulo de comunicação personalizado, dentre outras. “Estamos em processo de negociação com diversas fundações de grande porte pelo país, além de contatos com entidades públicas. Também estamos promovendo a melhoria das funcionalidades do aplicativo e trabalhando para a personalização de cada uma delas. Estamos otimistas e acreditamos que a parceria com a Gateware nos possibilitará crescer e expandir a nossa demanda de serviços”.

O CEO acredita que a tecnologia como facilitadora na área da previdência já era uma demanda existente, uma vez que a prova de vida sempre foi um processo muito custoso e difícil para os idosos. Com a pandemia, muitas empresas entenderam que podem oferecer produtos e serviços de maneira totalmente online, oferecendo muito mais praticidade aos seus clientes e evitando deslocamentos e custos desnecessários.

“Pelo fato dos idosos serem do grupo de risco, em meio a essa pandemia, a necessidade de se obter serviços mais acessíveis se tornou ainda mais latente para eles. Então, a tendência é que haja um crescimento na demanda por serviços online, soluções que facilitem a vida das pessoas e pela inovação de um modo geral”.

Prestho

A Prestho, fintech mineira especializada em crédito consignado para terceira idade, tem o propósito de facilitar o acesso ao crédito consignado para o máximo de pessoas e de forma 100% digital. Pela tela do celular, é possível solicitar um empréstimo consignado ou cartão de crédito consignado, sem filas e a qualquer hora do dia.

“Nosso compromisso é com a satisfação dos usuários. Por isso, nos dedicamos a deixar tudo transparente para que não fique nenhuma dúvida nos detalhes sobre o crédito e para que o usuário possa fazer uma contratação consciente, da forma que se encaixe no seu bolso”, explica Patrícia Soares, CEO da empresa.

Ela explica que durante um ano, a empresa se dedicou ao chamado MVP, sigla em inglês que significa Minimum Viable Product, um conjunto de testes primários feitos para validar a viabilidade do negócio. A CEO explica que o período foi importante para estudar a experiência do usuário sênior no mundo digital e que só depois disso, a Prestho passou a funcionar.

“Não abrimos mão de entregar a persona algo de fácil usabilidade. Logo no início dos testes, percebemos o quanto a terceira idade é carente de tecnologia, mas que também desejavam muito estar inseridos neste universo. Nosso diferencial está na tecnologia personalizada para um público esquecido e que deseja autonomia e inclusão digital. Colocamos a decisão do crédito consignado nas mãos dele. Hoje os idosos têm uma ferramenta desenvolvida para atender às suas necessidades específicas, que vai desde cores, linguagem até mesmo tamanho de botões. Estamos surpresos com tantos feedbacks e isso tem nos ajudado a evoluir e implantar novas funcionalidades”.

Patricia Soares, CEO da Prestho.

Dentro do aplicativo, o usuário pode simular e contratar com transparência um empréstimo consignado, sem precisar ir até uma agência bancária, uma vez que muitos têm limitações para se locomoverem. O usuário pode se cadastrar fornecendo alguns dados pessoais, bem como foto da face e do documento de RG e CNH. A partir disso, é gerado um login e uma senha para que o usuário mesmo tenha acesso a uma área exclusiva, podendo acompanhar de perto todos os seus dados e também o andamento do seu contrato. 

“Ele consegue saber online qual a melhor oferta de crédito temos disponível para ele e fazer várias simulações, até escolher o valor que melhor atende a suas necessidades. O processo todo é feito em apenas 4 passos (simulação, cadastro, envio de selfie e RG e confirmação), depois é só acompanhar a análise final e pagamento na área do cliente. O cliente tem a segurança de um banco tradicional no final do processo e a inovação de uma fintech na ponta”.

Site da Prestho, uma das plataformas que o cliente pode fazer uma simulação de empréstimo.

O aplicativo ainda leva conteúdo educativo por meio de um blog com notícias que falam de diversos temas como planejamento financeiro, cuidados com a saúde, estilo de vida, direitos do idoso, prevenção a golpes entre outros assuntos. Além disso, o cliente consegue se comunicar com os especialistas que compõem a mesa de Costumer Experience da empresa através do chat. A plataforma está funcionando desde agosto de 2019. 

“Na primeira versão, tivemos vários ajustes a serem feitos, o que era natural. Nosso objetivo não era entregar uma tecnologia perfeita para nós, mas sim, uma tecnologia que fazia sentido para o público sênior. Então, a ideia era evoluir a partir do feedback de quem realmente usaria. Hoje, estamos na terceira versão, muito mais maduros e com vários desafios superados e isso nos possibilitou lançar em março deste ano a primeira versão do aplicativo”, destaca.

No primeiro trimestre deste ano, a empresa se dedicou para que a simulação pudesse ser feita também através de canais de omnichannel. Além do chat, já é possível fazê-la também no Facebook, através do Messenger e Telegram. “Ainda este ano queremos ampliar nosso pool de serviços e permitir também a contratação da conta digital”, afirma.

Patrícia fala sobre as lições que vão ficar para a empresa após a pandemia. “No Brasil, ainda estamos no olho do furacão. Com certeza várias lições ainda serão aprendidas. Mas a primeira lição já é fato. Devemos ser sempre adaptáveis, tanto a empresa, quanto as pessoas. Se você tiver uma cultura adaptável, em qualquer mudança brusca de mercado, você já terá uma grande vantagem para superar o momento”, finaliza.

Maturi

A Maturi, startup paulistana, oferece uma plataforma de recolocação para pessoas acima de 50 anos, gratuita aos candidatos e às empresas, a Maturijobs. Os serviços envolvem a divulgação de vagas, processo de seleção completo, hunting (quando o RH da empresa é o responsável por localizar, fazer a abordagem do profissional e propor salários e benefícios, levando em consideração o perfil do profissional ideal, que pode ou não estar em busca de um emprego) e consultoria/treinamentos. 

Além disso, a Maturi desenvolve cursos e eventos de atualização e empreendedorismo para os candidatos, tanto presencial quanto online, através da MaturiAcademy. A startup lançou recentemente a MaturiServices, a nova plataforma de freelancer 50+, que ainda está em fase de testes.

“Desde o início de março, nossa empresa chama-se Maturi, pois Jobs é um dos nossos serviços agora. Nosso diferencial é o foco exclusivo nos 50+ e o profundo conhecimento desse público, além do pioneirismo no segmento”, explica Mórris Litvak, CEO da empresa. A Maturi recebeu seu primeiro investimento em julho do ano passado, por meio de investidores-anjo. A rodada foi liderada pelo fundo de investimento em impacto social Kaleydos.

Mórris Litvak, CEO da Maturijobs.

A empresa possui alguns cases de sucesso para este público em específico. “Já ajudamos empresas como Leroy Merlin, Boticário, B3, Loggi e Unilever a contratar profissionais 50+ e realizamos o MaturiFest, que foi o primeiro festival de empreendedorismo 50+ do Brasil, com mais de 500 participantes em 3 dias de evento em maio de 2019”. 

Ele destaca que a Maturi possui hoje 134 mil usuários cadastrados e que 1600 pessoas já foram contratadas. “Qualquer empresa pode usar a plataforma, desde que haja o interesse genuíno em contratar profissionais maduros. Fazemos a intermediação checando e aprovando cada vaga, mas o contato depois passa a ser direto entre eles”, destaca.

Plataforma Maturijobs, na internet.

O site foi adaptado para que as pessoas mais velhas possam usar a ferramenta sem grandes dificuldades. “Usabilidade fácil e simples, letras grandes, fácil contato para tirar dúvidas, informações claras e didáticas, sem necessidade de conhecimento avançado de tecnologia, e sempre estando próximo do público ouvindo o feedback deles”.

Mórris acredita que a pandemia veio ressignificar o online. “É possível fazer muita coisa virtualmente, tanto internamente quanto para os nossos clientes e usuários, mas que as nossas ações presenciais também são essenciais para este público”, finaliza.


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