Um estudo do Global Data Bank (GDB), privacytech que oferece soluções de coleta, gestão e ativação de dados, avaliou o potencial de risco de vazamento de dados de 8 indústrias no Brasil. O levantamento mostrou que os publishers são os mais vulneráveis, com nota 3,1 em uma escala de 1 a 5. O segmento de Alimentos e Bebidas registrou a melhor nota (4,4) seguido por Saúde e Beleza (4,2). Curiosamente, os Bancos e o e-commerce, supostamente mais seguros, ficaram empatados na terceira posição (3,9). Na sequência aparecem Viagens (3,8), Tecnologia (3,7) e Bens de Consumo (3,3).

A avaliação foi realizada apenas com sites com domínios .com.br e a amostragem incluiu 5 das principais empresas de cada indústria.  Para compor o ranking, o GDB utilizou sua ferramenta Data Safety Index – DSI™, um indicador que avalia diversos critérios, permitindo que as marcas tenham a possibilidade de analisar os riscos reais de potenciais vazamentos e compartilhamentos não autorizados de dados pessoais da sua audiência por meio de uma representação visual completa das propriedades digitais.

“É um cenário preocupante que mostra o quanto as empresas brasileiras ainda estão vulneráveis e podem ser afetadas pela entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados. As notas são aparentemente altas, mas qualquer risco neste campo pode trazer enormes prejuízos financeiros e de imagem”, alerta Marcelo Pincherle, diretor do Global Data Bank.

“O principal prejuízo não é somente do ponto de vista legal, mas especialmente da perda de confiança e credibilidade do anunciante. A lei veio justamente para regulamentar um dos maiores receios dos consumidores: o que tem sido feito com suas informações pessoais”, completa.

Um dos critérios que o Data Safety Index – DSI leva em consideração é se há a presença de uma CMP, ou Consent Management Platform, sistema que administra as permissões dos usuários. Ao fazer sua primeira visita ao site, o usuário é informado sobre quais dados serão coletados e se ele autoriza a utilização. “Na avaliação para o Brasil, não levamos em consideração este ponto, pois ainda aguardamos o posicionamento da Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANDP)  sobre quais serão as medidas adotadas”

Em seguida, avalia-se se há scripts sem controle, se há outros provedores de dados envolvidos e em quantos níveis eles atuam. Quanto mais níveis houver, maior é a chance de se perder o controle. O risco será mais alto quanto mais próximo de 1 e mais baixo quanto mais próximo de 5.

“A inexistência de uma política de dados eficiente ficou evidente no nosso estudo. O principal risco está no desconhecimento de todas as ferramentas, tags e scripts utilizados nas propriedades digitais. Muitas das soluções implementadas nos sites acabam chamando terceiros, fazendo que que essa cadeia acabe se tornando pouco transparente, o que deixa a empresa proprietária do site em uma posição vulnerável. “Um ecossistema que não está em conformidade pode fazer com que dados extremamente relevantes sobre a audiência do anunciante caia nas mãos de outras empresas, concorrentes inclusive. É aí que mora o perigo”, reforça Pincherle.

Segundo ele, o grande desafio das empresas reside justamente no descontrole de como os dados de seus consumidores acabam sendo utilizados por terceiros. Isso porque muitas empresas fazem uso de diversas tecnologias que, em alguns casos, compartilham estes dados com uma série de players que estão em sua cadeia.

“Entre estes terceiros pode haver data providers, ou seja, empresas que vendem listas de audiência. Apesar de essencialmente não haver nada de errado na prática, este tipo de empresa pode comprometer todo o trabalho de dados. Por isso, é imprescindível saber quem terá acesso a estas informações e o que será feito com elas. “O compartilhamento pode ocorrer desde que haja a autorização do usuário e que ocorra de forma transparente, possibilitando assim um controle absoluto sobre quem coleta as informações e como são utilizadas depois”, finaliza.