* Por Elber Mazaro

Este artigo nasceu do pedido de um cliente para que eu gravasse um vídeo sobre o papel dos empreendedores neste momento desafiador, porque eles deveriam seguir empreendendo e como poderia ser a atuação dos líderes quando os colaboradores estão remotos.

Tanto para o vídeo como para este artigo derivado, a minha ideia foi a de fundir os temas e falar sobre um guarda-chuva da liderança empreendedora. Eu, sem dúvidas, acredito no potencial dos empreendedores para serem a mola propulsora da economia durante e após a crise que vivemos. Sei que a vida não está nada fácil para a maioria dos empreendedores, e que muitos estão lutando pela sobrevivência dos seus negócios e das suas ideias.

Acho que haverá um filtro entre os verdadeiros empreendedores e os talvez “oportunistas” que tinham maior foco no retorno financeiro de uma possível venda. Os empreendedores são aqueles que tem um propósito movendo suas iniciativas e, portanto, um motivo maior para perseverarem e liderarem suas equipes e projetos.

O grande diferencial para o momento, está na capacidade de adaptação rápida ao novo cenário, tanto durante a crise, quanto ao que surgirá após estes tempos difíceis, com muitas restrições.

A inovação, unida a agilidade e à tomada de riscos, mesmo que impulsionadas pela necessidade, farão que os empreendedores, mudem sua abordagem, seus produtos, seus modelos de negócios, sua vendas e possam assim perceber e perseguir oportunidades emergentes no momento da crise, e liderarem a sociedade para fora desta o quanto antes.

Então não só vejo os empreendedores como os que estão melhor preparados para sobreviver, como também para liderar as mudanças e transformações no mercado e na sociedade.

Falando em liderança e revisitando as competências da liderança do presente e do futuro (descritas em artigos específicos), podemos dizer que o papel do líder é fundamental neste período de crise e trago algumas dicas para a busca de impactos positivos na organização e nas pessoas, durante e após a pandemia.

Um dos desafios para a liderança, nesta época, é a necessidade de conduzir os negócios e os colaboradores a distância, remotamente, com pouca ou nenhuma interação próxima, e neste contexto reforço os seguintes pontos:

O líder de si: 

– Precisa, mais do que nunca, de autoconhecimento. Ele deve estar atento às suas próprias condições e principalmente às suas emoções, antes mesmo de olhar para os liderados, ou talvez ao mesmo tempo. Estar equilibrado e reconhecendo as suas fragilidades, as suas necessidades e as áreas em que precise de ajuda é o primeiro passo para liderar equipes (pessoas) e organizações em momentos de crise.

– Além da sensibilidade à própria situação ou momento, o líder na crise, deve agir dando o exemplo. Considerando novas circunstâncias e condições de trabalho remoto, em home office, o líder, através das suas ações, pode modelar a atitude dos liderados, por exemplo: em reuniões demonstrar saber ouvir, ser disciplinado, buscar a produtividade e o equilíbrio.

O líder da organização:

– Deve aproveitar o momento para reforçar o propósito do empreendimento, a missão da organização versus os valores e objetivos individuais, mostrando a conexão destes e o caminho a ser perseguido.  O líder empreendedor pode até criar um propósito para o time dentro da organização relacionado à sobrevivência da operação, às mudanças necessárias para adaptação e a uma visão de futuro que venha a motivar e orientar a todos.

– Durante uma crise a visão de longo prazo fica comprometida e neste momento o líder pode e deve definir objetivos coletivos e individuais de curto prazo, encurtando o tempo de metas a serem conquistadas e assim dar foco para ações. Podem ser definidas metas semanais ou quinzenais, derivadas da revisão do plano anterior, com realismo e sensibilidade para o que é mais importante no momento (por exemplo manter os empregos, ou a competitividade ou ainda buscar novos leads e clientes, entre tantas necessidades.

O líder de pessoas:

– Nas condições de home office é importante lembrar do papel da confiança, onde o primeiro passo deve ser dado pelo próprio líder, confiando nas pessoas do seu time, da organização e nos parceiros. É importante demonstrar explicitamente esta confiança e evitar uma cobrança acentuada de coisas como horário, imagem, estar conectado 100% do tempo, contra interferências da família, etc. É hora de focar no que precisa ser feito, nos resultados, nos impactos e nas pessoas, confiando na sua capacidade e dando crédito ao potencial de cada um.

– A empatia se faz mais necessária do que nunca, então quando remoto, ou seja, a distância, é preciso que o líder esteja mais presente do que antes: perguntando como as pessoas estão, buscando entender seus sentimentos e desafios, e como estão a emoções. Muitos estão em casa com outras tarefas, com a família, às vezes com filhos pequenos e, portanto, com muitas influências que podem ser compreendidas pelo líder. Este pode, inclusive, apoiar neste momento. A proposta é de mais conversas, mesmo que curtas e sempre se iniciando pelo lado humano, se possível.

Completando a visão sobre a liderança empreendedora neste momento de crise e remoto, vale destacar que algumas das competências da liderança no futuro se fazem necessárias já, ou seja, viraram do presente. O tempo para o preparo foi encurtado e dou dois exemplos a seguir:

 O líder tecnológico

– A tecnologia é uma ferramenta essencial para o exercício do papel do líder neste momento de crise, de gestão remota, de adaptação e também de inovação, na busca por soluções para a sobrevivência do empreendimento e de abordagem a novas oportunidades. Cabe ao líder buscar sua rápida capacitação assim como de toda organização, além de ajustar seu modelo mental e sua visão de mundo pela lente da tecnologia. Temos inteligência artificial, big data, cloud (nuvem), e-commerce, “transformações digitais”, etc para serem exploradas, já (não mais no futuro). Isto é um diferencial.

– A gestão do tempo e a agilidade que tanto tem sido falado no mercado, também ganharam destaque agora, devido às condições novas e adversas. A tomada de decisões deve ser rápida, sem esperar muito tempo por informações perfeitas (que não virão nesta crise). O líder precisa gerir o seu tempo e o da equipe, mas atenção, não só acelerando, mas, às vezes, também freando e pausando, quando necessário, portanto, esta competência é uma demanda imediata.

Podemos concluir que é na crise que os líderes, precisam ser mais líderes, tanto do ponto de vista da organização, quanto na sociedade, e para isto devem colocar todo seu reportório e suas competências para gerar um movimento positivo.

Aproveito para recordar que qualquer um pode ser um líder empreendedor e teremos líderes diferentes em cada situação, independente de cargo ou função, apesar de esperarmos mais dos gestores de equipe e empresas.

Espero que algumas reflexões e dicas aqui possam ser úteis e aplicáveis para os leitores e lembre-se:

Liderar é ação, então mãos à obra!


Elber Mazaro é assessor/consultor, mentor e professor em Estratégia, Tecnologia, Marketing, Carreiras/Liderança e Inovação/Empreendedorismo. Atua há mais de 25 anos no mercado, liderando negócios no Brasil e na América Latina. Possui mestrado em Empreendedorismo pela FEA-USP, pós-graduação em Marketing e bacharelado em Ciências da Computação.