* Por Beatriz Barros

A partir da Terceira Revolução Industrial e a chegada da indústria 4.0, a automatização no chão da fábrica tem crescido cada vez mais, com processos e máquinas inteligentes. Você provavelmente já deve ter assistido ou ouvido falar sobre o filme ‘Tempos Modernos’, certo?. O clássico protagonizado por Carlitos – personagem de Charles Chaplin – mostra a vida de operário na Revolução Industrial, onde as máquinas demonstram os modos de produção industrial baseados na divisão do trabalho de montagem.

Naquela época, as máquinas inteligentes protagonizaram apenas nos filmes, mas hoje já faz parte da indústria e o robô industrial é fundamental nesse processo.

Para se ter ideia, somente em 2015 foram comprados mais de 254 mil robôs pela indústria, segundo a Federação Internacional de Robótica. Além disso, dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 85 mil robôs são implementados na indústria anualmente.

Com isso, não é difícil compreender que esse tipo de tecnologia só cresce e cria novas possibilidades para as corporações, não é mesmo?

Afinal, o que significa o conceito por trás de toda tecnologia? O que ele movimenta e como se desenvolve?

O que é indústria 4.0?

Antes de falarmos sobre os robôs industriais, é importante que você entenda o conceito que fez com que ele surgisse, né?

Apesar de não ser um termo tão recente, muita gente ainda desconhece a indústria 4.0. Segundo dados de 2018, apresentados pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), menos de 2% das organizações do país estão realmente inseridas nesse conceito.

Ainda, a pesquisa apontou que a indústria 4.0 tem a capacidade de movimentar US$ 15 trilhões nos próximos anos.

A indústria 4.0 pode ser definida como a face do futuro das corporações. Ela é caracterizada pela elaboração de rotinas inteligentes, inovadores e conectadas a tecnologia.

Basicamente, ela pode ser usada em todos os ambientes do negócio. Isso passa pelo uso de dados e informações, auxilia na tomada de decisão e na automação da produção.

Agora que você já sabe o que levou a criação dessas tecnologias, que falarmos um pouco dos robôs tão procurados pela indústria? Vamos lá?!

O que são os robôs industriais?

Como falamos anteriormente, a indústria 4.0 trouxe novos conceitos para as fábricas que, de maneira geral, otimizam as atividades convencionais.

Os fundamentos que sustentam essa indústria são as tecnologias que podem ser usadas separadamente, dependendo da necessidade da empresa.

Dentro desse conceito, um dos mais utilizados são os robôs industriais, que já vem sendo empregado em várias funções, e em diversas fábricas.

Resumidamente, os robôs industriais são máquinas que desempenham atividades que necessitam de esforços repetitivos, precisão, resistência, rapidez e força.

Além disso, os robôs são máquinas manipuladoras, com graus de liberdade, controlada automaticamente, reprogramável e multifuncional.

Ele pode mover materiais, ferramentas, dispositivos e outras peças. Escolher um robô industrial aumenta a produtividade e reduz os custos da empresa.

Como surgiu o primeiro robô industrial?

O primeiro robô industrial surgiu nos anos 50, pelo engenheiro americano George Devol. O projeto foi denominado como ‘’Unimate’’, um dispositivo de braço robótico que automatizava atividades em um fábrica da General Motors.

A primeira fabricante de robôs, a Unimation, fundada por Devol, foi inicialmente visto como forma de distração, mas logo se desenvolveu como ferramenta fundamental no processo industrial.

Depois dos robôs provarem o seu potencial nas fábricas, grandes empresas passaram a investir na produção da tecnologia na década de 80.

Victor Motta, da Universidade de Stanford, criou o primeiro braço mecânico com motor instalado diretamente em sua conjuntura. Esse desenvolvimento fez com que os movimentos se tornassem cada vez mais rápidos e precisos, possibilitando o uso dos robôs em funções mais difíceis.

Como eles são implementados na rotina industrial?

Inicialmente, os robôs industriais foram criados para executar atividades comuns. Agora, eles são multifuncionais. Eles podem ser reprogramados para exercer diversas funções para diversos segmentos da indústria.

Geralmente, eles realizam algumas atividades típicas no ramo industrial: fundição, pintura, montagem, movimentação de cargas, inspeção de produtos, reconhecimento de imagem, criação de placas de sinalização e realização de teste.

Dessa forma, é importante que o gestor faça uma análise sobre as necessidades internas e dos impactos que a máquina pode causar durante a rotina.

Assim, o gestor consegue pontuar a rentabilidade com o investimento e, evitar que o negócio opte por algo baixa qualidade.

Com isso, a corporação pode direcionar os seus departamentos para outras rotinas e evitar danos na qualidade no momento da criação e prestação de serviços.

Muita gente se questiona se as pessoas serão substituídas por robôs no mercado de trabalho. Mas será que isso é realmente uma disputa?

Robôs X humanos

A utilização dos robôs na indústria se espalha por todos departamentos, e sempre que esse tema vem à tona, a dúvida é sempre a mesma: e as funções de trabalho? Profissões? Pois bem, a robotização não veio para acabar com o mercado de trabalho humano.

O receio de que a tecnologia passe à frente dos humanos é um dos assuntos mais abordados da ficção científica, isso há muito tempo. O computador HAL 900, do longa-metragem ‘’2001: Uma odisseia no espaço’’, é um dos exemplos mais famosos de ameaças que as máquinas podem fornecer.

Mas não se preocupe, a realidade não imita a arte dessa forma. Claro, algumas profissões foram e serão substituídas, mas outras irão surgir, principalmente com os avanços tecnológicos cada vez mais presentes.

Segundo pesquisa do Boston Consulting Group (BCG) o número de empregos deve subir cerca de 6% nos próximos 10 anos. Além disso, a necessidade por funcionários no setor da engenharia e tecnologia pode subir até 10%.

Novas profissões serão criadas para gerenciar funções que as máquinas são incapazes de fazer. Por mais incrível que uma fábrica automatizada seja, não dá para tomar decisões sozinha.

* Beatriz Barros é criadora de conteúdo do Soluções Industriais.