Gustavo Monteiro e Felipe Gabardo pediram demissão de seus empregos no dia em que sua inscrição fora aceita no Cais do Porto, incubadora do Porto Digital, em Recife. Tinham uma visão romântica de como seria o produto da sua startup Opará, mas sabiam quem seriam seus clientes e quais eram or problemas deles: produtores de frutas que tem quebra de produção por nem saberem quanto produzem, quanto embalam, quanto expedem. A proposta de valor segue a linha “produtos que atendam problemas reais do mercado”, adotada na incubadora.

Não leram sobre esta oportunidade em um blog sobre startups, mas foram ao Sebrae perguntar sobre algum arranjo produtivo que estivesse passando por problemas – e selecionaram este. Daí em diante, os jovens passaram por uma série de situações, incluindo a seleção como finalistas do IBM Smart Camp e a aceleração no Startup Bootcamp, na Irlanda, incluindo a obtenção de importantes clientes. Ontem Gustavo apresentou a empresa no Seed Forum da Expocietec e eu chamei ele em um canto para gravarmos o vídeo que você vê abaixo.

Nas palavras do próprio Gustavo:

O Opará foi lançado em dezembro de 2011, depois de um longo ano desenvolvendo funcionalidades, entendendo um pouco mais da regra do negócio e validando o produto com produtores e distribuidores parceiros, de dentro e fora do país.

Opará, uma plataforma web que proporciona novos níveis de gestão e rastreabilidade aos produtores e distribuidores de frutas, legumes e verduras: do campo até as gôndolas dos supermercados. O objetivo da plataforma é a gestão global de todo o processo produtivo, onde todos os envolvidos da cadeia possam gerenciar os seus passos. Com o Opará, o produtor consegue aumentar a produtividade e diminuir as perdas de produção. Ao passo que o distribuidor consegue antecipar as vendas, já que está colaborativamente ligado aos produtores que o fornecem alimentos. No final da cadeia, o consumidor poderá consultar informações sobre a fruta, e também interagir com o produtor. Nós vamos estabelecer uma relação de confiança entre os produtores e o consumidor final.

O nosso principal case é a PTLA (Produce And Trading Latin América), que possui 4 fazendas no Ceará, e já iniciou a safra de 2011/2012 utilizando o Opará em tempo real. Já são mais de 500 mil caixas de frutas rastreadas, e 100 cargas gerenciadas em tempo real: desde o começo do embalamento até a saída do container para o porto. A controladora da PTLA, a The Greenery, é uma multinacional holandesa, uma das maiores produtora e distribuidora de alimentos da Europa.

Em 2011 resolvemos participar de algumas competições, com a ideia de aprimorar o nosso plano de negócios. E fomos bem. Fomos finalistas do Prêmio Pernambuco Inovador, na categoria mercado. Também fomos semifinalistas do Desafio Brasil, em São Paulo. No final do ano, participamos do IBM SmartCamp, no Rio de Janeiro, onde estivemos entre as Top 5 startups do Brasil.

Começamos 2012 com o pé direito, participando de um dos maiores programas de aceleração de startups da Europa, o Startup Bootcamp, em Dublin, Irlanda. Serão quase 4 meses de intensa mentoria, focada no desenvolvimento novos clientes e também na atração de novos investidores para o projeto. Ao todo foram escolhidas 8 startups, ao longo de 2 dias de mentoria e pitches. Se juntaram a nós startups dos EUA, da Romenia, Lituania e Irlanda.