Este é outro artigo cheio de informação e análise escrito por Pedro Sorrentino para publicação no Startupi.

Desde o Mobile World Congress em Barcelona, tenho visto algumas especulações que agora se fazem verdade. O futuro do mercado de mobilidade é, definitivamente, software. Isso inclui celulares, tablets, netbooks e os provedores de telecom. Em especial, as operadoras.

Uma situação como essa representa ao mesmo tempo uma grande ameaça ao status quo e gigantescas novas oportunidades. Quase todos já entenderam o que deve ser feito. Mesmo assim, poucos fazem com competência. O mercado de mobilidade se tornou um ecossistema complexo, com várias ramificações e personas participativas. Isso fez com que o poder de decisão se decentralizasse – para alegria dos desenvolvedores e terror das operadoras. A maior prova é o sucesso do iPhone e os motivos que levaram um celular sem teclado físico, ausente de capacidade multitarefa e uma câmera horrível a se tornar o ícone de uma nova era tecnológica.

O Darwinismo Mobile é um bolo de duas camadas com uma cereja. A primeira, mais estrutual é o OS (Sistema Operacional). Symbian, Bada, WebOS, Windows, iPhone, Android, Java e assim por diante. A cobertura é a segunda camada, que consiste no ecossistema de aplicativos para cada plataforma. A cereja deste bolo consiste em quem organiza esse ecossistema.

No caso do Symbian, é a Nokia e sua fraca Ovi Store. Mas a Apple, com o Google correndo atrás, mostrou para nós que ter um ecossistema organizado (aka App Store) e bem feito (dos desenvolvedores para os usuários) é a gigantesca oportunidade. Mas vale lembrar que nada disso adianta sem um OS com igual capacidade.

Fora do bolo, existe o hardware. Ele pode ser considerado o açúcar desta equação. Fundamental para qualquer bolo e facilmente encontrável, é uma commodity. Qualquer smartphone tem câmera com 5mp mínimo, micro-SD, Wi-Fi e 3G. Isso não é mais um diferencial (a não ser em modelos específicos como os Sony Ericsson e a linha N da Nokia).

Antigamente, o mercado de desenvolvimento para software mobile tinha muitos intermediários, o que dificultava o volume de produção e a agilidade para o app chegar ao consumidor. A real é que, antes do iPhone, se você tinha software no seu celular, poderia ser considerado um über geek, meu amigo(a).

O Brasil se encontra em uma situação bastante complexa para o desenvolvimento pleno do mercado de aplicativos, tendo em vista fatores como:

  • 82,48% dos 179.109.801 de aparelhos no Brasil são pré-pagos*
  • Apenas 6,6%possuem conectividade 3G*
  • Os planos de dados continuam caros e com pouca abrangência
  • Aparelhos como o iPhone ou com OS Android não representam nem 5% do total de celulares no Brasil

*Dados da Consultoria de Telecom Teleco

Peguei slides de uma apresentação de Amure Pinho, sócio da Sync Mobile. Fica muito fácil perceber por que as coisas não funcionavam antes. Havia muitos intermadiários, a usabilidade era péssima e não existiam canais de distribuição descentes. As imagens mostram o antes e o depois.

Ficamos assim: com muito potencial, que se torna realidade em um ritmo morno. Contudo, o que não faltam são números a favor, como o Gartner apontando que em 2010 teremos mais 4,5 bilhões de aplicativos baixados no mundo. Vivemos em uma fase de demanda reprimida, com muitas empresas se aliando para não ficaram para trás.

Ganhará no Darwinismo Mobile quem se adaptar melhor às novas regras. A empresa que conseguir acabar com a hierarquia, garantir serviço, com muita usabilidade sem cobrar absurdos. São muitos players e o jogo está só começando. No mundo da mobilidade, as coisas ficam mais interessantes a cada dia.

Pedro Sorrentino (@pedrosorren) é comunicador, co-autor do documentário €˜Obama Digital€™. Coordena a área de PR & Marketing para a Eyeblaster no Brasil e leciona cursos na São Paulo Digital School.