Nascer em uma família cheia de médicos fez com que os sócios da Memed, uma das startups aceleradas pela 21 212, percebesse a dificuldade que a indústria farmacêutica tem para chegar aos médicos e que os médicos têm para se manter atualizados. “Percebemos que existia uma carência de canais de comunicação”, conta Ricardo Moraes, que fundou a startup junto com seu irmão René e seu primo Marcel Ribeiro.

O Memed chegou ao mercado em janeiro de 2012, focando na especialidade de dermatologia, e também consertou o problema das receitas ilegíveis dos médicos, com uma função que permitia emitir receitas digitalizadas. A dermatologia foi escolhida como primeiro passo para testar o produto também por razões familiares: o irmão mais velho de Ricardo e René trabalha na área.

“Os médicos recebem visitas da indústria farmacêutica todos os dias e eles também investem muito em congressos médicos, para tentar mostrar as novidades aos médicos. Mas cada dia o profissional da saúde recebe uma visita diferente e tem que decorar um produto novo, numa quantidade diferente e com outro preço… É muita informação para um cara só guardar”, explica Ricardo. “Meu irmão é médico em Avaré [interior de SP] e a indústria visita pouco por lá, então tinha muito produto que ele não sabia que existia.”

A necessidade do irmão de Ricardo virou negócio. No Memed, a ideia é deixar tudo isso online e já com o caminho para emitir a prescrição. Segundo o sócio, são emitidas 35 milhões de prescrições médicas por mês e existe um estudo da Organização Mundial de Saúde que diz que até 75% delas podem conter um erro. Parte desses problemas são gerados pela famosa “letra de médico”, que dificulta a vida de pacientes e farmacêuticos.

Com a ideia montada, os sócios deixaram São Paulo e voltaram a morar com a família em Avaré, para reduzir custos. Eles colocaram o site no ar e voltaram para a capital paulista, para tocar o negócio. Hoje, a Memed diz ter de 18% a 20% dos dermatologistas do Brasil cadastrados e ter gerado mais de 20 mil buscas por conteúdo nos últimos três meses.

Agora, eles planejam ir além da dermatologia, lançando um produto que abarque todas as especialidades. “Vamos abrir para todas as áreas, porque percebemos que os laboratórios fazem medicamentos não só para uma especialidade. Além disso, muitos dermatologistas pediram para gente a opção de prescrever remédios de outras áreas, que podem ser usados naquela especialidade”, explica Ricardo.

A plataforma funciona atualmente via web, mas até o fim do mês eles pretendem lançar o primeiro aplicativo. O app deve focar especificamente na consulta de medicamentos, e não na emissão de prescrições, conta o sócio. O acesso ao médico segue totalmente gratuito e quem paga a conta é a indústria farmacêutica que quer chegar ao médico mais rápido.