terça-feira, 15 de setembro de 2026

Fundo do Brics para startups pode abrir nova rota de capital para a inovação brasileira

Autoridades durante a 18ª Cúpula dos Brics, realizada na Índia.
Ideia da iniciativa anunciada em Nova Délhi promete financiar tecnologias escaláveis e reduzir a dependência dos polos tradicionais de investimento global

Enquanto o capital de risco mundial passa por um período de cautela, com os grandes fundos concentrando suas apostas em mercados mais desenvolvidos, as economias emergentes optaram por criar sua própria solução. Na 18ª cúpula do Brics, que ocorreu neste domingo (13) em Nova Délhi, na Índia, foi apresentada uma proposta que tem o potencial de transformar o cenário de financiamento da inovação: a criação de um fundo destinado a startups dos países integrantes do bloco, com foco em soluções tecnológicas escaláveis e no fomento ao empreendedorismo entre os membros e seus parceiros.

Capital próprio para mercados em desenvolvimento

Esse plano faz parte do eixo de Inovação, que é uma das quatro prioridades estratégicas do bloco, junto com resiliência, cooperação e sustentabilidade. A explicação do mecanismo é simples: os países do Brics representam uma parte considerável da população mundial e possuem mercados em crescimento acelerado, mas ainda dependem dos centros tradicionais de investimento global para fazer suas empresas de tecnologia crescerem. O fundo aparece como solução para essa disparidade.

Além do fundo, foi anunciada a Rede de Incubadoras do Brics, que conectará incubadoras e aceleradoras, bem como startups dos países do bloco, a fim de estimular o intercâmbio de conhecimento, atrair investimentos e desenvolver projetos em conjunto — um arranjo que mescla capital e infraestrutura do ecossistema.

A tecnologia deve ser um meio de inclusão, não de disparidade.

No discurso inaugural da cúpula, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, afirmou que o principal objetivo da agenda é garantir que as novas tecnologias não ampliem as disparidades sociais, mas sim democratizem o acesso a essas inovações.

“A militarização da tecnologia e dos minerais críticos pode impedir nosso progresso compartilhado. É por isso que destacamos a inclusão na adoção da tecnologia”, disse o primeiro-ministro indiano.

Isso expressa uma inquietação geopolítica crescente: a competição por cadeias de suprimento estratégicas — de semicondutores a terras raras — aumenta o risco de uma concentração tecnológica em alguns poucos atores globais, que o bloco procura mitigar com uma colaboração Sul-Sul.

O que se altera no ecossistema do Brasil

A proposta chega em um momento estratégico para o Brasil. O país lidera como o maior centro de startups da América Latina e firmou sua posição em fintechs, agtechs e healthtechs, mas os fundadores ainda enfrentam limitações de capital em estágios avançados, quando é necessário buscar investimentos internacionais para escalar. Um fundo multilateral dos Brics pode se tornar uma fonte adicional de financiamento, especialmente para empresas que se destinam a mercados emergentes.

A presidência indiana do bloco afirmou que o objetivo do mecanismo é estimular iniciativas nas áreas de inteligência artificial, infraestrutura digital, saúde, energia limpa e soluções para desafios urbanos e climáticos — setores onde as startups brasileiras já têm casos de sucesso competitivos e que se alinham diretamente com a agenda de transição energética e digitalização do país.

Compartilhe essa notícia