terça-feira, 03 de novembro de 2026

Bloquo capta mais de R$ 20 milhões em rodada Seed para expandir infraestrutura de stablecoins

Executivos da Bloquo: aporte reforça aceleração da estratégia da empresa.
Com aporte co-liderado por Crescera Capital e Triaxis Capital, a fintech pretende acelerar seu processo regulatório junto ao Banco Central e ampliar a oferta de pagamentos transfronteiriços.

A Bloquo, empresa de infraestrutura financeira voltada ao mercado de ativos virtuais, concluiu uma rodada de captação Seed superior a R$ 20 milhões. A operação foi co-liderada pelas gestoras Crescera Capital e Triaxis Capital, contando também com a participação da Lattice Capital e de investidores-anjo. O montante será destinado ao fortalecimento da estrutura tecnológica e regulatória da empresa, além de financiar a expansão da plataforma que conecta empresas e instituições financeiras a trilhos globais de pagamento baseados em stablecoins.

Fundada em 2024 por ex-executivos e cofundadores da Transfero — equipe responsável pela criação do BRZ, primeira stablecoin pareada ao real —, a Bloquo contabiliza 125 clientes institucionais ativos e movimenta um volume anualizado de US$ 2 bilhões. A captação representa o primeiro aporte institucional de venture capital recebido pela fintech, que já formalizou junto ao Banco Central do Brasil o pedido de autorização para operar como Corretora de Ativos Virtuais (PSAV).

Sobre o momento da empresa e o objetivo da captação, o CEO da Bloquo, Carlos Russo, explica:

“Essa rodada não muda a tese da Bloquo, ela nos dá os recursos para executá-la em outra escala. Em pouco mais de um ano, comprovamos que existe uma demanda institucional relevante por infraestrutura de stablecoins. Agora, queremos transformar essa tração em uma plataforma cada vez mais regulada, tecnológica e escalável, capaz de conectar instituições financeiras e empresas brasileiras à nova infraestrutura global de dinheiro”.

Os recursos obtidos serão distribuídos em cinco frentes operacionais: aporte de capital regulatório exigido para a operação no Brasil, andamento dos processos de licenciamento, desenvolvimento contínuo de tecnologia e produtos, expansão das equipes técnicas e fortalecimento da área comercial. 

O objetivo central é processar o volume transacionado diretamente pela infraestrutura própria e via APIs da companhia, reduzindo intermediários no fluxo de liquidação.

No horizonte dos próximos 12 a 24 meses, a fintech planeja estruturar sua atuação em três linhas principais de negócios, entre elas a Provisão de liquidez (Liquidity Provisioning), a Orquestração de pagamentos (Payments Orchestration) e a VASP-as-a-Service, um fornecimento de infraestrutura em modelo white-label para que bancos, corretoras, provedores de serviços de pagamento (PSPs), exchanges e carteiras digitais ofereçam produtos com stablecoins aos seus clientes finais.

O movimento reflete uma evolução no posicionamento da Bloquo, que passa a ofertar uma solução integrada englobando liquidez, câmbio, compliance e tecnologia, eliminando a necessidade de os contratantes articularem esses componentes de forma fragmentada. Em relação ao modelo de integração, Russo ressalta:

“Nosso diferencial é conectar o mundo bancário e o mundo das stablecoins em uma única infraestrutura. Em vez de o cliente montar separadamente liquidez, câmbio, pagamentos, compliance e tecnologia, a Bloquo integra essas camadas em uma única plataforma”.

Paralelamente ao mercado doméstico, a expansão internacional é parte central da estratégia da empresa, que já possui operações estabelecidas no Brasil e nos Estados Unidos. O plano envolve a abertura de novos corredores de pagamento, a ampliação da rede de parceiros bancários e o fornecimento de contas em dólares via API.

Detalhando as prioridades geográficas e operacionais, o CEO complementa:

“A prioridade é conectar o Brasil a um número crescente de corredores internacionais, usando a estrutura regulatória e tecnológica da Bloquo para atender instituições que operam pagamentos, câmbio e stablecoins entre o Brasil e o exterior”.

A criação da fintech fundamentou-se na identificação de gargalos operacionais no uso institucional de ativos digitais. Apesar do aumento na adoção de stablecoins para liquidações globais, empresas e instituições financeiras enfrentavam complexidade ao integrar múltiplos fornecedores de liquidez, sistemas de conformidade e liquidação bancária tradicional.

Compartilhe essa notícia