A capital paulista deu início à semana com mais um grande evento do setor corporativo: o Festival de Inovação SP2B. O espumante era servido à vontade no coquetel de abertura, a conferência inaugural trouxe grandes nomes do setor, e tudo ocorreu de acordo com o mesmo ritual elegante que se repete, evento após evento, no calendário corporativo brasileiro.
Contudo, existe um barulho de fundo que não pode ser ignorado: é um fórum criado para debater o futuro, mas sustentado pelas mesmas estruturas fossilizadas do passado.
Quando se trata de empreendedorismo e atração de investimentos privados, iniciativas que o promovem merecem reconhecimento — mas não há espaço para a complacência quando se fala em vanguarda. O evento acaba se perdendo ao reutilizar a mesma estrutura, os mesmos painéis rígidos que há anos dominam o cenário das apresentações no país. Deveria ser um verdadeiro agente de mudança; mas, ao invés disso, parece ser mais um evento que apenas substituiu os logotipos no telão, sem se atrever a mudar a dinâmica do debate.
Obviamente não é uma questão de falta de tecnologia ou recursos — o verdadeiro problema para ser um receio metodológico que se recusa a desaparecer. Destinar grandes quantias a uma cenografia elaborada, apenas para resultar em algo que já é conhecido, é diminuir encontros que deveriam ser estratégicos a meras exibições de visibilidade temporária. Surge, então, a incômoda indagação: será que o mercado brasileiro carece de maturidade e de uma análise mais profunda para manter formatos que realmente desafiem a norma corporativa?
Agora, além de mais um tanto de boas palestras, do mesmo estilo que povoam outros tantos eventos, é aguardar que o networking e as oportunidades sejam suficientes para compensar a frieza do modelo apresentado. Pois, se ignorarmos a vitrine publicitária, a repetição de abordagens neutras contribui muito pouco para a produtividade efetiva do país.



