O atual encolhimento de marcas históricas ocidentais não parece ser apenas uma crise conjuntural de custos, mas o fim de uma era no mercado automotivo centrada no motor a combustão. Pesa nisso ainda a demora na virada tecnológica que está transformando potências industriais em gigantes vulneráveis. Ao que parece, o mercado mudou o foco do hardware para o software e está deixando fabricantes tradicionais obsoletos.
“A necessidade de reestruturação profunda e venda de ativos reflete que o modelo antigo focado apenas em produzir máquinas pesadas perdeu a viabilidade comercial”, afirmou Oliver Blume, CEO da Volkswagen, numa conversa com a Bloomberg. Em “letras miúdas”, fica evidente que o avanço agressivo de competidores asiáticos está redesenhando o tabuleiro global, mostrando que a indústria chinesa compreendeu antes que o futuro reside na mobilidade conectada e não em cavalos de potência.
Não podemos desconsiderar o fato de que há um risco de perda iminente para os investidores que mantêm posições nesses conglomerados europeus, uma vez que a velocidade da degradação de valor está acelerando.
E se as lideranças não acelerarem também a transição rumo a ecossistemas digitais, o Ocidente poderá se tornar mero montador de componentes terceirizados. E contra medidas, como um protecionismo tarifário de governos locais, apenas irá adiar uma derrota técnica que, ao que parece, já está batendo nas portas das fábricas.



