O Citigroup, um dos maiores conglomerados financeiros do mundo, encerrou seu atendimento a pessoas físicas na América Latina para focar integralmente no segmento de atacado, em uma realocação bilionária de capital. A estratégia, validada pelo CEO regional, Julio Figueroa, transformou os ativos da venda de operações de varejo — como a saída do Brasil em 2016 e o desmembramento do Banamex no México — em combustível para tesouraria, serviços de caixa e gestão de patrimônio de grandes clientes. O sinal é claro: a rentabilidade sustentável na região reside agora na sofisticação financeira exigida por grandes corporações.
O Brasil emerge como o epicentro dessa aposta. A operação brasileira, sob a liderança de André Cury (presidente do Citi Brasil anunciado em junho/2026), beneficia-se diretamente dos fortes movimentos dos setores de petróleo, gás e agronegócio, que demandam estruturas complexas de *trade finance* e emissões de dívida. O banco também aposta na retomada das aberturas de capital (IPOs) na B3, enxergando no ciclo de queda de juros a janela para destravar o mercado de ações.
A estratégia, porém, é seletiva e traz riscos. Ao abandonar o varejo, o Citi elimina o risco de crédito pulverizado, mas assume maior exposição à ciclicidade macroeconômica da região. O modelo depende da estabilidade política e da confiança dos investidores, sendo vulnerável a interrupções no ciclo de queda da Selic e a quedas abruptas nos preços das commodities — setores como infraestrutura, energia e mercado de capitais estão sob observação constante.
A aposta do Citi reflete sua visão de confiança na estabilidade regional. Em episódio do podcast *Research @ Citi*, executivos declararam que o Brasil é “um exemplo que conseguiu encontrar um ‘meio-termo’ em suas relações com a China e o Ocidente”.
A matéria completa com o podcast na íntegra está disponível no portal da GZM, acesse aqui.



