O atual desabastecimento global não é uma fatalidade imprevista, mas um colapso de uma ilusão mercadológica conveniente. Vou explicar: na minha avaliação, a indústria de tecnologia se acostumou erroneamente a projetar o futuro contando com um fluxo infinito de insumos. Essa suposta anomalia é, na verdade, a cadência natural das coisas exigindo o estabelecimento de limites claros.
O erro capital, a meu ver, foi estruturar planos de expansão ignorando as capacidades reais de fornecedores como a Dell (fabricante de hardware e computadores de origem norte-americana). “A falta de componentes nunca foi tão generalizada justamente porque o mercado negligenciou a gestão de riscos físicos básicos“, afirmou Roberto Alencar, diretor de cadeias de suprimentos do Instituto de Estudos Logísticos (IEL), sediado em São Paulo (SP).
A meu ver, o risco iminente para os investidores é a insistência corporativa em metas irreais sob a promessa de uma normalização mágica. E se as lideranças não abandonarem a soberba operacional e não aprenderem a priorizar os elementos que já possuem em mãos, enfrentarão ociosidade crônica. E o mercado financeiro poderá punir severamente os gestores que não ajustarem o (des)compasso de suas empresas à realidade material.



