Com o objetivo de munir o mercado com dados sobre trabalho, áreas mais aquecidas e os principais desafios enfrentados pelas empresas em crescimento acelerado na busca por profissionais de Data Analytics, Data Engineer e Data Science, a Intera – hrtech de recrutamento digital, fez um mapeamento com mais de 34 corporações, dentre startups e empresas em transformação digital, em todo o território nacional. A pesquisa, realizada no início de fevereiro e março deste ano, em âmbito nacional, contou com a participação de mais de 4 mil talentos como analistas, engenheiros e cientistas de dados plenos, seniores e especialistas.

Esses profissionais são os responsáveis por ajudar as empresas na análise da grande quantidade de dados gerados todos os dias e transformá-los em informações estratégicas ao negócio.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Estatísticas do Trabalho estima que o mercado para esse profissional, o de Data Analytics,  por exemplo, deve crescer 19% entre 2014 a 2024 – muito mais rápido do que a média geral. De acordo com as profissões do futuro listadas pelo Fórum Econômico Mundial como Cientistas e Engenheiros de Dados, e Desenvolvedores de Big Data, entre outras áreas mencionadas, podem criar até 1,7 milhões de novas oportunidades ainda em 2021 e, até 2022, outros 6,1 milhões de empregos devem ser gerados.  

Já o relatório “The Future of Jobs”, do Fórum Econômico Mundial, revela que 97 milhões de empregos serão criados até 2025 relacionados às transformações tecnológicas. Chega a ser uma incongruência, pois temos cerca de 14,4 milhões de desempregados hoje no Brasil, o maior número da série histórica. Mas, como equilibrar essa balança entre a alta demanda de oportunidades no mercado e poucas pessoas capacitadas para preencher esses critérios?

A Intera revela crescimento de aproximadamente 485% na abertura de vagas voltadas para dados, quando comparado com o primeiro semestre de 2020 e ao mesmo período do ano passado. “Esse aumento não se deve, unicamente, ao boom da área de Data, mas, muito disso, pela geração de dados e inteligência que entregamos e agregamos ao recrutamento. Nunca se produziu tanta informação no mundo. À medida em que a tecnologia avança, mais dados estão sendo gerados para as empresas, e se utilizados de forma correta, podem ser um grande aliado estratégico, e aí a importância de contratar bons profissionais de Data”, explica Juliano Tebinka, CTO e co-founder da Intera, ex MadeiraMadeira.

Levantamento

A pesquisa revelou que, em geral, a média salarial oferecida pelas empresas/startups para Data Analytics Pleno está entre R$ 7.333,00 a R$ 9.333,00, enquanto a expectativa salarial média dos profissionais é em torno de R$ 8.611,00 a R$ 9.111,00. Já para o cargo de Data Analytics Sênior a média salarial oferecida pelas empresas/startups está um pouco abaixo da expectativa e varia de R$ 8.666,00 a R$ 12.000,00 versus a expectativa salarial média dos profissionais. Quando falamos em Data Analytics Especialista/Líder, a média salarial ficou em R$ 15.000,00 a R$ 19.200,00 contrapondo a expectativa que almejam os profissionais R$ 16.027,00 a R$ 16.527,00.

Para os cargos de Data Engineering Pleno, a média salarial oferecida pelas empresas/startups, oscila entre R$ 7.625,00 a R$ 11.125,00, enquanto a expectativa é na faixa de R$ 9.645,00 a R$ 10.312,00. Tratando-se de Data Engineer Sênior, a média salarial oferecida pelas empresas/startups é de R$ 8.914,00 a 12.007,00, versus a expectativa salarial média esperada é em torno de R$ 11.574,00 a R$ 12.074,00. Data Engineer Especialista/Líder a média salarial oferecida é entre R$ 15.166,00 a R$ 17.166,00 e a expectativa é R$ 15.940,00 a R$ 16.440,00.

Por fim, para Data Science Pleno – uma das áreas que mais as empresas contratam, a média salarial oferecida pelas empresas/startups é entre R$ 7.416,00 a R$ 9.750,00, enquanto a expectativa média esperada é em torno de R$ 8.087,00 a R$ 8.571,00. Data Science Sênior, a expectativa média oferecida é R$ 9.875,00 a R$ 13.375,00 enquanto a expectativa média relatada é um pouco acima e varia entre R$ 14.272,00 a R$ 14.772,00. Já o cargo maior Data Science Especialista/Líder, a média salarial oferecida a este profissional é de R$ 18.000,00 a R$ 22.000,00, versus a expectativa média que está abaixo e varia de R$ 16.625,00 a R$ 17.125,00.

Quanto às motivações para trocar de emprego, 44% foram atraídos pelo desafio de estar em uma nova empresa, 24% pela falta de oportunidade de crescimento no emprego atual, 15% pela vontade de mudar de setor ou área de atuação e 9% pelo desejo de trabalhar em uma empresa maior que a atual. “A digitalização do trabalho abriu as fronteiras e aumentou a disponibilidade em termos de contratação, diante da possibilidade de contratar profissionais de qualquer local do País e do mundo. Por outro lado, essa expansão aumentou de forma significativa a competição por talentos. Se antes as empresas disputavam profissionais com outras empresas da mesma cidade ou Estado, agora, a disputa abrange todo o País e ultrapassa a fronteira nacional”, assinala Tebinka, que atende empresas como iFood, Creditas, Quinto Andar, Ebanx, Cargo X, Hotmart, Pipefy, Contabilizei, Itaú, Ambev, Grupo Boticário, Kroton, Via Varejo, Gerdau, dentre outras.

Ele explica que esse movimento faz com que as empresas sejam forçadas a revisitar as suas réguas salariais para conseguirem contratar bons profissionais. “Isso acontece pelo aumento da competitividade pelos talentos. O fenômeno do trabalho remoto deu um maior “poder” aos candidatos, na medida em que as novas possibilidades de trabalho surgem e eles passam a ter mais opções para escolher onde e como preferem trabalhar. Diante desse novo contexto, é preciso que as empresas se perguntem: o salário da sua empresa ainda faz sentido para a nova realidade de trabalho?”, finaliza o executivo.