Nas últimas semanas, foram anunciadas diversas compras de vacinas contra a covid-19 pelo governo. Com isso, os laboratórios aceleraram as produções de imunizantes. Dessas milhões de doses adquiridas, há uma triste realidade: parte considerável desse número pode ser perdida no caminho. 

Ao fazer uso de Internet das Coisas, a startup Sigmais consegue reverter essa situação ao realizar monitoramento remoto de diversos equipamentos de armazenagem, garantindo a segurança e diminuição de perdas. 

IoT no controle de vacinas 

Uma solução IoT engloba tecnologia que conecta objetos físicos a uma rede que reúne e transmite dados. Com essa premissa, a Sigmais desenvolveu uma alternativa que pode ser usada em setores que necessitam de monitoramento e controle de temperatura como varejo e indústria farmacêutica. 

É o Sigmeter, um dispositivo que é capaz de medir temperatura e umidade do ambiente e equipamento ao mesmo tempo que identifica a abertura e fechamento de portas. Além de monitorar a temperatura das vacinas, a solução consegue emitir relatórios legais para a Anvisa, evitar desperdício de doses de medicações, monitorar eventuais oscilações e reduzir o consumo de energia elétrica.

Conectividade para redução de perdas

Quando criou o Sigmeter nos seus laboratórios, a Sigmais quis oferecer um produto capaz de gerar dados que indicam quantas vezes e por quanto tempo a porta de uma geladeira foi aberta. Isso consegue assegurar que as temperaturas de armazenamento das vacinas contra a covid-19 foram as adequadas por todo o período de estocagem. 

É possível também verificar se as caixas de transporte foram violadas durante o percurso, evidenciando qualquer tentativa de desvio de doses. Com isso, o uso de IoT que promove a conectividade entre dispositivos físicos e rede de dados aumenta a segurança no armazenamento das vacinas. Tudo isso porque aparelhos como o Sigmeter emitem um alarme de segurança caso detecte que as portas do refrigerador foram abertas fora do horário de trabalho, podendo indicar qualquer falha ou fraude. 

Perdas de vacinas pelo Brasil

Segundo um estudo da Universidade de São Paulo (USP), os dois principais fatores que são responsáveis pelas maiores perdas de vacinas envolvem falhas no equipamento de conservação e falta de energia. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, em março deste ano foram frequentes as notícias de perdas de vacinas por estes motivos. 

Na cidade de Vila Velha (ES), foram descartadas 547 doses de vacinas contra a covid-19 em razão de uma falha no sistema de refrigeração de câmara fria. O fato foi analisado pela Fundação Oswaldo Cruz que orientou à prefeitura do município descartar doses fabricadas pelos laboratórios Fiocruz/Serum Índia e Butantan/Sinovac. 

Em Igarapé, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), 229 doses foram para o lixo em razão de uma pane elétrica no refrigerador do município, que também comprometeu outras 6 mil doses de vacinas contra outras doenças como meningite e febre amarela. 

No Mato Grosso, 320 frascos para tentar conter os efeitos da pandemia em uma comunidade indígena – um público considerado de risco – no Distrito Sanitário do Xingu tiveram o mesmo destino por esta razão: falta de monitoramento do sistema de refrigeração. 

IoT como solução  

Essas situações se repetem em diversas cidades do país. Muitas prefeituras anunciam que os novos lotes de vacina contra a covid-19 ficam sob vigilância de funcionários 24 horas por dia para monitorar os sistemas de refrigeração. 

Mas além de ser trabalhoso e caro, esse tipo de ação requer logísticas que aumentam chances de falhas neste procedimento, uma vez que não há pessoas qualificadas que consigam identificá-las nesses sistemas apenas estando por perto. Neste caso, projetos IoT entram em campo no combate à pandemia do coronavírus. Afinal, este conceito consegue mudar a forma como vivemos, trabalhamos e que pode ser usada até para salvar vidas. 

“Quando uma empresa ou órgão público utiliza IoT, ele tem o poder de capturar dados relevantes de dispositivos físicos que estão ligados entre si por redes. Por meio desses sensores inteligentes e softwares específicos, os dados são transmitidos em tempo real e, devido à exatidão, podem ajudar gestores de empresas e prefeituras a tomarem decisões mais acertadas”, esclarece Guilherme Azevedo, CTO da Sigmais.