* Por Renato Alves

Mesmo diante da maior crise sanitária e humanitária dos últimos tempos, os Estados Unidos têm tido uma recuperação econômica surpreendente. Somente no mês passado, o país criou 379 mil vagas de trabalho, fazendo com que a taxa de desemprego recuasse para 6,2% em fevereiro, de acordo com dados divulgados pelo Departamento do Trabalho. Por sua vez, o IGN Group, instituição financeira que oferece serviços de banco, seguros e investimentos, prevê que os EUA podem gerar 4,5 milhões de postos de emprego em 2021.

Mais de 50 milhões de americanos já receberam a primeira dose do imunizante contra a covid-19, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). À medida que a vacinação acelera e o número de infecções por coronavírus diminuem, setores vão retomando as atividades e algumas regiões começam a suspender parte das restrições à mobilidade social.  Apesar dos Estados Unidos não estarem imunes às novas variantes do vírus – e ainda faltar muito para que todas as pessoas estejam protegidas – o cenário é bastante animador. 

Também podemos citar o pacote de estímulos à economia, no valor de US$1,9 trilhão, enviado pelo governo do presidente Joe Biden e aprovado pelo Senado nos primeiros dias de março. Entre as principais medidas estão: cheques de mais de US$1,4 mil para os cidadãos americanos, seguro-desemprego de US$ 300 por semana até setembro e US$25 bilhões para a reforma das escolas, que devem ser adaptadas ao combate à pandemia, dentre outros. A proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara antes de seguir adiante.

Tendo em vista toda essa conjuntura, é de se esperar que os brasileiros passem a ver a economia americana como uma oportunidade não só de investir e proteger seus patrimônios, mas também de apostar na carreira internacional e na possibilidade de ganhar em dólar. São vários os casos de empreendedores que usaram o último ano para rever planos pessoais e profissionais. Com a ajuda de consultoras especializadas, tem muita gente alinhando expectativas, construindo estratégias para recolocação no mercado e iniciando o processo de vistos como o EB-2, direcionado para profissionais qualificados, empresários, liberais e autônomos. 

Ao contrário do que se possa imaginar, as fronteiras fechadas não são mais um obstáculo para quem desejar sair do Brasil. Com a chegada permanente do trabalho remoto, muitas empresas de posicionamento global estão em busca de colaboradores que não necessariamente estejam no país sede da companhia, ou seja, contratando à distância. É claro que a vivência de morar fora e a criação de um networking forte é fundamental para a carreira no exterior, mas pelo menos neste primeiro momento vale a pena se adaptar às circunstâncias.

Além disso, aqueles que desejam se mudar oficialmente, ganham tempo para montar uma reserva financeira, aprimorar o inglês e fazer uma ambientação prévia com a comunidade onde pretende se inserir. Sair da zona de conforto parece a decisão mais simples e assertiva quando nos encontramos diante de alguns obstáculos, mas sustentar essa escolha, às vezes, é algo delicado. A meu ver, iniciar uma carreira internacional via home office pode ser um caminho mais seguro de minimizar os efeitos de uma grande mudança.

Não existem regras nem barreiras para quem visa expandir as experiências de aprendizado e autoconhecimento no mundo do trabalho. De acordo com estimativas de analistas, os Estados Unidos serão o primeiro país a vencer a crise gerada pelo coronavírus e se você quer fazer parte dessa economia, tem disposição para errar e aprender, habilidades técnicas para executar diferentes funções e, principalmente, confia no seu potencial, não há o que temer.  Desejo sabedoria nas escolhas e conte comigo para que o precisar! Boa sorte!


Renato Alves é Diretor de Expansão da Bicalho Consultoria Legal, empresa especializada em migração, internacionalização de negócios e franquias.