A unidade brasileira da empresa britânica de inovação corporativa The Bakery e a companhia de investimentos Prana Capital fecharam uma parceria para montar uma joint venture que irá alocar recursos em ativos estratégicos do ecossistema de inovação e empreendedorismo e oferecer uma carteira diferenciada para investidores tradicionais, Family Offices e corporativos. As duas empresas estão lançando um fundo para captação de US$ 5 milhões (em torno de R$ 25 milhões) destinados, de um lado, ao crescimento de startups brasileiras que atuem no B2B e, de outro, à atração de startups estrangeiras com potencial de negócios no Brasil.

Esse é o primeiro veículo de venture capital que reúne as expertises complementares da The Bakery – fundada em Londres em 2012, opera no Brasil há três anos com a liderança dos sócios e cofundadores Felipe Novaes e Marcone Siqueira, prestando consultoria de inovação para companhias como Natura, Vale, Sanofi Medley e Itaú – e da Prana – casa independente fundada em 2019 por Bruno Hardt e Thaís Martin, que possui R$ 500 milhões sob gestão de clientes que investem em ativos tradicionais e alternativos.

Felipe Novaes explica que a The Bakery já possui sua vertente de investimentos no Reino Unido, e buscava uma parceria nesse sentido por aqui. “Não queríamos fazer acordo com um player que simplesmente nos inserisse no mercado financeiro e fizesse a ponte com os investidores. Escolhemos um parceiro alinhado ao nosso propósito de geração de valor dentro do ecossistema de inovação e com envolvimento nas etapas, para nos ajudar a estruturar e a executar com excelência, e para que de fato os empreendedores promissores consigam acelerar o crescimento deles”, diz.

Aporte para cada startup será entre US$ 150 mil e US$ 500 mil

Segundo Novaes, grande parte das startups que receberão aporte do fundo (cerca de 75% do total) é mapeada previamente a partir de uma rede global de soluções que a The Bakery possui no Brasil e em mais de 30 países. Elas são selecionadas para participar de programas de inovação com foco em resolver problemas e desafios de grandes empresas, direcionados pela inovação aberta. As mais promissoras, que cumprem as métricas estipuladas nos testes e podem ser escaladas posteriormente para atuarem junto aos clientes da The Bakery, são fortes candidatas para as rodadas do novo fundo.

“Como elas já terão passado por criteriosa avaliação de negócio nos nossos processos internos, o risco de investimento é mitigado. Muitas dependem de financiamento para conseguirem, de fato, fechar contrato e trabalhar com uma corporação, e até de recursos para se instalar no país, no caso das estrangeiras. Se o problema delas é capital, nós resolvemos”, afirma Marcone Siqueira.

“Estaremos, também, de olho em outras startups fora desse circuito que podem fazer sentido para a nossa carteira, representando aproximadamente 25% do total”, conta o sócio-fundador da Prana, Bruno Hardt. “Os cheques devem variar de US$ 150 mil a US$ 500 mil para cada startup, equivalente a rodadas do tipo seed no Brasil e pré-seed lá fora. A previsão é de um período de investimento entre 18 e 24 meses. Teremos um portfólio bem direcionado e enxuto, com um número de investidas entre 8 e 12”, adianta o executivo, que tem como braço direito no projeto o sócio Bruno Peroni, responsável pela área de Venture Capital da Prana.

“Começamos algumas conversas preliminares com possíveis investidores interessados e iremos intensificá-las a partir da segunda quinzena de janeiro”, diz Bruno Hardt. “Não vamos pulverizar demais. Será um fundo híbrido. Nossa ideia é captar grandes investidores individuais e Family offices. Também temos visto demanda de investidores institucionais, incluindo as corporações que fazem negócio com as startups e que podem se beneficiar diretamente do crescimento delas”, finaliza Peroni.