A R2U, que usa Realidade Aumentada e computação gráfica para revolucionar a experiência de compra em e-commerce, fechou neste mês US$ 800 mil em uma rodada de investimentos liderada pela firma de venture capital Canary, com a participação de Norte Ventures, Equitas, Coteminas e Victor Noda e Mario Fernandes, os dois últimos cofundadores da Mobly. Com o aporte, a R2U vai investir em produtos para aumentar a receita recorrente, deixando de focar em projetos pontuais. 

Fundada por Caio Jahara em 2016, a R2U tem entre seus clientes outros nomes conhecidos como Leroy Merlin, Cozinhas Itatiaia, Le Lis Blanc e Electrolux. Atualmente, oferece dois principais recursos aos clientes. Com imagens criadas a partir de computação gráfica, as marcas podem inserir a mercadoria em uma cena completa, ao invés de terem de gastar tempo e dinheiro com a produção de uma foto em estúdio. Já a Realidade Aumentada permite que o consumidor veja como fica o item, uma cadeira, por exemplo, no mundo real, como na sala da sua própria casa. 

Na prática, funciona assim: o e-commerce define qual produto quer exibir com a tecnologia e, se a R2U já tiver um modelo 3D dele dentro da sua base, o disponibiliza para uso, sem custo. Caso seja necessário fazer uma nova modelagem, a startup cobra uma taxa. Os clientes pagam por SKU (Stock Keeping Unit ou, em português, Unidade de Manutenção de Estoque), por mês. Para dar uma ideia melhor, se cadastrarem 50 produtos, o serviço sai por R$ 3 mil ao mês. 

No começo de setembro, a R2U lançou o Customizador 3D, que permite aos clientes editarem os produtos das marcas direto pelo navegador, sem precisar baixar nenhum programa específico. “Modelos 3D serão a mídia do futuro. Hoje, o potencial dessa tecnologia é pouco explorado, mas queremos construir todo um ecossistema e oferecer a plataforma ideal para que o próprio cliente desenhe a sua experiência, utilizando todo o potencial do acervo da marca”, explica Jahara. Ele estima que o custo para usar a ferramenta fique na casa de R$3 mil até R$20 mil ao mês, dependendo da funcionalidade contratada. 

Caio Jahara, fundador da R2U.

Trajetória tech 

Entusiasta de tecnologia desde criança, Jahara programou pela primeira vez ainda no ensino fundamental, em 2005, quando desenvolveu um addon para o game World of Warcraft. A decisão de empreender veio cedo. Foi em 2014, na Revmob, grupo de empresas focado em propaganda para iOS e Android, que ele iniciou sua trajetória em startups, como engenheiro de software. 

Ali, percebeu que o melhor caminho seria entrar rápido em algum mercado que tivesse potencial para ser gigante no futuro. “Queria um mercado que dobrasse a cada ano, porque assim, mesmo se eu perdesse market share, estaria crescendo de qualquer forma”, diz.

A oportunidade de sair na frente com a tecnologia de Realidade Aumentada veio quando Jahara foi aceito para participar do Hololens Developer Program, da Microsoft, no começo de 2016. Lá, aprendeu a programar com os óculos de RA da companhia. A R2U foi fundada nesse meio tempo e passou seus primeiros dois anos dedicada a apenas desenvolver e vender projetos com os Hololens.

Em 2018, Jahara sentiu que era hora de escalar o negócio. “Realidade Aumentada deixava de ser uma exclusividade dos óculos inteligentes e passava a se tornar também um produto para smartphones”, diz. O próximo passo foi, então, convidar sócios de peso para se juntarem ao negócio – Antonio Viggiano, no cargo de CTO, e Victor Hugo Gheller, como CRO – para, assim, conquistar mais clientes e aumentar a base de dados. Hoje, a startup conta com 26 pessoas na equipe e 16 clientes recorrentes. 

Planos para o investimento

Mesmo com o aporte recebido, Jahara diz que tem adotado uma estratégia mais cautelosa. “Não temos essa mentalidade de growth a qualquer custo”, afirma. “Somos muito claros com os clientes na hora da venda, dizemos o que vai ou não funcionar, porque a tecnologia de alguns smartphones ainda é um empecilho. Hoje, ainda permitimos testes dos nossos clientes e, em alguns casos, cobramos pouco, porque sabemos que, após testar e medir o resultado da ferramenta, o cliente vai expandir a base de produtos dele conosco”. 

“A R2U conseguiu atrair um time competente, com muita experiência em tecnologia, capaz de aperfeiçoar e adaptar suas ferramentas com velocidade”, diz Marcos Toledo, cofundador e managing partner do Canary.