De 10 a 13 de novembro acontece a edição global e online do Startupi Innovation Week, reunindo os melhores talentos das comunidades mais avançadas em inovação, dentro e fora do Brasil. O evento foi criado para mostrar que existe muito mais casos de sucesso além do Silicion Valley. Durante 4 dias, os participantes estão se conectando e interagindo com mais de trinta palestrantes nacionais e internacionais, para conhecer os programas de incentivo e investimentos para startups, os casos de sucesso, a opinião de investidores e fundos de venture capital e entender como as empresas brasileiras de software podem se internacionalizar e ganhar escala global. 

O evento tem como correalizadores o Consulado Geral de Israel São Paulo, a Câmara de Comércio Brasil-Canadá e a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha. Conta ainda com o Patrocínio da DELL e SPACES e com o apoio da ABSTARTUPS.

Veja os destaques do primeiro dia dedicado à Israel. 

Israel – The Startup Nation

Um dos mais importantes polos de empreendedorismo do mundo, o país, que possui um pouco mais de 8 milhões de habitantes e um PIB per capita de cerca de US$ 37 milhões de dólares, recebeu o apelido de Startup Nation pelo alto número de startups e empresas de tecnologias. Nos últimos tempos, têm vivido um momento importante no que diz respeito ao fechamento de acordos comerciais entre outras grandes nações do globo. 

“Nos últimos dois meses assinamos acordos de paz com Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Sudão. Esta mudança vai transformar o Oriente Médio e eu acho que pode também ajudar o Brasil. Este momento geopolítico vai ajudar muito também a área de intercâmbio comercial entre os países”, disse Alon Lavi, Consul Geral de Israel em São Paulo.

Alon Lavi, Consul Geral de Israel em São Paulo.

Lavi reforçou a importância da proximidade entre Israel e Brasil e destacou que os dois países “estão no melhor momento” no que diz respeito ao fechamento de negócios. “Tivemos visitas oficiais do presidente do Brasil em Israel, a primeira visita oficial do Primeiro Ministro israelense aconteceu em 2019. De verdade, temos uma proximidade e amizade entre os governos com um diálogo profundo entre os líderes. Esses acordos bilaterais entre Israel e Brasil são um passo importante e profundo para estabelecer negócios e parcerias entre os dois países”.

Alon Lavi (à esquerda), Itzhak Reich (à direita), e Fernanda Santos.

Itzhak Reich, Cônsul para Assuntos Econômicos, também participou do evento e ressaltou que, nos últimos anos, a razão para que Israel fosse considerada “a nação das startups” se deu por conta da quantidade de tecnologias diferentes produzidas pelo país e que são utilizadas diariamente na vida de várias pessoas ao redor do mundo. “Quer vocês saibam ou não, eu tenho certeza que as pessoas em São Paulo trafegam por rodovias a caminho do trabalho e há muitas tecnologias que são utilizadas para facilitar a sua vida, o seu dia a dia, essas tecnologias foram criadas em Israel”.

Reich também pontuou que o capital humano é outro fator essencial para a criação da cultura e do DNA empreendedor de Israel. “O país vem em primeiro lugar em capacidade de inovação e na densidade de startups per capita. Nós estamos muito bem situados quando falamos de inovações, investimentos em inovações e capital humano. Esse é um fator cultural extremamente importante para impulsionar a inovação em Israel”, afirmou.

Outro ponto importante abordado pelo Consul foi o fato de que o ecossistema de Israel tende a ser bastante focado em soluções, além de possuir um grande apetite por riscos. “Nós gostamos de correr riscos. Em algumas culturas, o fracasso é uma coisa muito ruim. Ele levanta um alerta que pode prejudicar sua carreira, então você tem medo. Mas o que acontece em Israel é o oposto. O fracasso parece até uma boa coisa para um empreendedor que precisa de um capital de investimento, precisa levantar fundos”.

Itzhak Reich, Cônsul para Assuntos Econômicos.

Itzhak também destacou que as startups situadas em Israel têm preferência por outros mercados, dentre outros fatores, por conta do pequeno mercado interno. Entretanto, são extremamente flexíveis e estão sempre dispostas a se adaptar caso precisem vender em outros lugares, não apenas dentro de Israel. De acordo com ele, mil novas startups surgem a cada ano por lá, uma nova descoberta a cada 8 horas. “Essa grande abundância de startups cria soluções únicas em diferentes setores. Há muitas soluções diferentes que estão sendo adaptadas e que são voltadas para mais de uma indústria”.

O Consul ainda explicou que o sucesso na criação de novas tecnologias em Israel se deve à três fatores principais: o governo, a academia/exército e o setor privado. O governo, segundo ele, cria diversos tipos de incentivo e suporte para atrair o capital de risco para investir em startups e ajudar a deslanchar o setor. Já a academia trabalha no desenvolvimento de capital humano, capacitação, conhecimento e também em ajudar a encontrar soluções.

Por sua vez, os jovens, após servirem ao exército, onde aprendem a trabalhar em equipe e são expostos à tecnologia de altíssimo nível, são levados para a universidade e depois para o setor privado para trabalharem no desenvolvimento de novas soluções. “O fato de nós termos tantas características únicas ajudou a atrair muitas das principais multinacionais que decidiram criar centros de pesquisa e desenvolvimento em Israel. Temos mais de 350 centros de diferentes multinacionais”.

Já em relação ao Brasil, Itzhak enxerga o país como uma nação de muitas oportunidades em diferentes setores, com a perspectiva de colaboração e promoção do comércio. “Nós tivemos um comércio de US$ 1,5 bilhão no ano passado. Nós temos vários acordos e também assinamos dois acordos de pesquisa e desenvolvimento com a EMBRAPII e a Finep”, disse.

Alan Hofman, Diretor de colaborações da América Latina, também destacou a importância deste acordo e adiantou que para o ano que vem, Israel já possui projetos encaminhados com vários países. “Nós queremos gerar um impacto importante no ecossistema e poder gerar a maior quantidade de empreendedores e startups que podem fazer parcerias com empresas de toda a América Latina”.

Alan Hofman, Diretor de colaborações da América Latina.

Ele também reforçou a questão do investimento feito pelo país em relação à Pesquisa e Desenvolvimento, destacando o papel das multinacionais. “50% do P&D que se faz aqui é feito pelos centros de pesquisa de multinacionais, que cresceram exponencialmente nos últimos 20 anos. Os investimentos são de alto risco. É preciso ver onde o governo pode dar uma solução a diferentes dificuldades que tenham empreendedores ou startups para poderem desenvolver suas iniciativas”, disse.

Hofman destacou que o ecossistema de Israel também acompanha todas as etapas do desenvolvimento da tecnologia, desde a academia até as grandes companhias. “O objetivo é promover a inovação com um motor para desenvolver um crescimento, que é sustentável e inclusivo da economia do país”.

Importância das multinacionais e a cultura do erro

Michel Abadi, Managing Partner da Maverick Ventures, também participou do Innovation Week. O fundo de venture capital existe desde 2013 em Israel e procura empresas de alta tecnologia que já possuem receitas iniciais e chegam para ajudar nos espaços de crescimento. Assim como Itzhak, ele também ressaltou o tratamento dado ao erro na cultura de startups por lá. “Na cultura israelense, você tem que tentar. Quanto mais vezes melhor, até você acertar. Então quando eu vejo um empreendedor que já fez e não deu certo, não é uma desvantagem: ele já passou pelo problema, vai ter menos imprevistos daqui para a frente porque ele já sabe o que poderia acontecer”, apontou. 

Ele também reforçou a importância do exército na promoção da tecnologia no país. “É muito interessante a evolução da ciência em cada matéria em si, mas quando você combina as coisas, o potencial é muito maior. Se você quer desenhar um robô autônomo, você tem que saber um pouco de robótica, um pouco de Inteligência Artificial, de sensores, de IoT, e Israel sempre teve dentro do exército essa mentalidade multidisciplinar que ajuda a empurrar para frente essa indústria”.

Michel Abadi, Managing Partner da Maverick Ventures.

Ainda de acordo com Abadi, as multinacionais exercem um papel bastante relevante no ecossistema. “O empreendedor típico israelense é um empreendedor em série. Ele vai criar uma startup em 5, 6 anos no máximo e, se comprada por alguma das multinacionais, que em geral envolve eles ficarem mais uns 2 anos na empresa, no dia seguinte que completou os dois anos, ele já saiu, já começou a empresa seguinte, que vai ter o mesmo tipo de destino”.

Michel destacou que em relação à Israel, no Brasil, a concorrência é bem menor no que diz respeito à investimentos. “Em Israel, eu tenho vários fundos que concorrem comigo para essas oportunidades. E eu tenho que ser muito rápido, pois se demorar uma ou duas semanas a startup já conseguiu outro investimento”. 

Cases de startups israelenses e a relação do ecossistema com o Brasil

O Startupi Innovation Week também trouxe convidados especiais para falar de cases de sucesso em startups israelenses. Adam Simkin, VP of Business Development da Autofleet, plataforma para grandes frotas de automóveis, falou das expectativas para o segmento em relação ao mercado brasileiro.

“Em primeiro lugar, o Brasil tem empresas de frotas bastante fortes, grandes empresas de aluguel de carros e outros tipos de empresas deste tipo, e que são bastante singulares. As empresas foram criadas para criar os problemas do mercado brasileiro, e ao mesmo tempo, é um país com metrópoles enormes, urbanas e muitos desafios de transporte, tráfego. Ainda há poucas soluções de mobilidade e queremos proporcionar soluções para esses desafios dentro da indústria”.

Simkin enxerga em sua solução um grande encaixe no mercado brasileiro, sobretudo por conta das empresas que existem aqui e que gostaria de trabalhar. “Isso significa um grande número de ativos e desafios operacionais em mover veículos em um país tão grande e trabalhar com esses veículos, proporcionar manutenção para eles e automatizar o processo para realmente atualizar a frota. É o que a gente faz de melhor”.

Fernand Santos, Adam Simkin, Gary Brenner e Benny Arbel.

Benny Arbel, CEO e fundador da Inception, especializada em educação, também falou das expectativas em relação ao mercado brasileiro, o qual enxerga uma grande oportunidade de negócio. De acordo com ele, o produto desenvolvido pela Inception pode trazer inúmeros benefícios para o Brasil, sobretudo com a implantação de novas tecnologias por aqui. “O 5G está começando a surgir, um tipo de conexão muito mais potente que dá para baixar muito mais conteúdo. As crianças estão vendo a educação de outra forma e eles precisam de algo para engajar. Isso teria que ser algo divertido, mas que também proporcione valores verdadeiros”.

Ele também citou a importância dos talentos tecnológicos que ajudam a fomentar o ecossistema israelense, impulsionado por ações governamentais. “O governo está investindo nesses talentos, no exército e na universidade. O ecossistema tem investidores para diferentes estágios, ele está lado a lado com o Vale do Silício. As pessoas estão felizes, não tem medo de fracassos, existe uma boa infraestrutura e uma boa cultura. 

Gary Brenner, VP Product and Market Development da Aleph Farms, focada em alimentos, destacou o potencial do Brasil na produção grãos e carne, além da preocupação profunda do país com relação a segurança e processos regulamentares. “O Brasil é um mercado jovem, mas muito acelerado. O que nós vimos com as discussões de marcas brasileiras é que sim, elas querem dar aos seus consumidores escolhas alternativas, querem estar na ponta de novos produtos alimentícios e querem responder os objetivos de sustentabilidade e fornecer alimentos e segurança nas produções alimentícias. Então, por todos esses motivos, o Brasil é um mercado natural para entrarmos”.

Por fim, Itzhak Reich reforçou que Israel é um parceiro que está aberto para negócios e ficará super contente em trocar conhecimento e experiência com os brasileiros. “Existem vantagens em cada um dos países. Podemos aprender uns com os outros nos ajudando a crescer É uma oportunidade incrível para colaborações entre Israel e Brasil. Estamos aqui para servir e ficaremos muitos contentes de ajudar qualquer um que queira engajar com esses ecossistemas e queira colaborar”, finalizou.

Confira abaixo o evento na íntegra:

Para Geraldo Santos, diretor-geral do Startupi, o Innovation Week marca o início de um ciclo de eventos que acontecerão em 2021 para levar cada vez mais conteúdo e informação de alto nível para o mercado brasileiro. O evento segue até dia 13/11 e pode ser acompanhado pelo Zoom (com tradução simultânea) ou pelo canal do Startupi no Youtube (com áudio original).

Para participar acesse o site aqui.


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