De 10 a 13 de novembro, aconteceu a edição global e online do Startupi Innovation Week, que reuniu os melhores talentos das comunidades mais avançadas em inovação dentro e fora do Brasil. O evento foi criado para mostrar que existem muito mais casos de sucesso além do Silicon Valley. 

Durante 4 dias, os participantes se conectaram e interagiram com mais de trinta palestrantes nacionais e internacionais para conhecer os programas de incentivo e investimentos para startups, os casos de sucesso, a opinião de investidores e fundos de venture capital e entender como as empresas brasileiras de software podem se internacionalizar e ganhar escala global. 

O evento teve como correalizadores o Consulado Geral de Israel São Paulo, a Câmara de Comércio Brasil-Canadá e a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha. Conta ainda com o Patrocínio da DELL e SPACES e com o apoio da ABSTARTUPS.

Veja os destaques do dia dedicado ao Brasil.

 

Marco Stefanini, CEO Global do Grupo Stefanini, considerada a multinacional brasileira mais internacionalizada no setor de tecnologia, foi um dos convidados do último dia do evento, online e global. Segundo ele, crises como a enfrentada pelo Brasil, causada pela pandemia do novo coronavírus, é o momento onde o empreendedor mais desenvolve sua resiliência, além de enxergar vários pontos de melhoria em qualquer área da empresa. “Sempre, qualquer crise, não ataca a todos igualmente. E quanto mais rápida, o efeito diferenciado nos setores é ainda maior. Me parece que o Brasil reagiu muito rápido”, disse.

De acordo com ele, os empreendedores não podem se dar ao luxo de desanimarem em períodos como este. “Esse é um ponto muito importante quando estamos lidando com crise. O segundo ponto é que, por incrível que pareça, é bom ter umas crises para você aprender a ter resiliência. E é melhor quando você é pequeno”.

Já segundo Tiago Alves, CEO da Regus & Spaces Brazil e Grupo IWG Brasil, neste período, os empreendedores tiveram que se desdobrar para exercer sua capacidade de liderança. “Acho que esse ano foi de transformação até para os melhores gestores. Foi um MBA de curto prazo. Ninguém nunca esteve preparado para o que aconteceu neste ano, mas eu acho que teve muita oportunidade para empresas que puderam reagir de maneira rápida e talvez estarem melhores posicionadas na saída da pandemia”. Ao contrário de outros setores, Alves destacou que a pandemia trouxe inúmeras oportunidades para os negócios do Grupo. 

“Diferentemente de tudo o que aconteceu, eu não tive a opção de fechar minhas operações, e eu tinha muitos clientes que eram de serviços essenciais. Eu vejo uma necessidade muito grande de que todos os negócios que não se digitalizaram antes da pandemia estão tendo que correr atrás do prejuízo. E muito mais do que uma transformação, é uma necessidade de adoção digital. Quem não está digital, vai desaparecer. A pessoa precisa digitalizar sua experiência de alguma forma”. Ainda segundo ele, a internacionalização durante a pandemia passou a ser mais fácil, uma vez que muitos migraram para o mundo digital. “Outra coisa que a gente viu é que muitas empresas internacionais aproveitaram para vir para o Brasil neste período”.

Já Dagoberto Hajjar, CEO da Advance Consulting, contou sobre a sua experiência de internacionalização, que começou há quase 15 anos. Segundo ele, a preparação dos empreendedores que também querem expandir seus negócios para fora do Brasil começa com muita capacitação. “Tem muito o que preparar, muito planejamento, tem muito o que estudar. Tem que conhecer o mercado, a cultura, tem que adaptar a empresa inteira. É muito trabalho a fazer”.

Além disso, ressaltou que as empresas com alta taxa de crescimento são aquelas nas quais o dono tem apenas uma meta: vender. “Parece óbvio, de que todo empresário está interessado em vender. Não, não está. Tem muito empresário que fica preocupado em fazer um excelente produto, sem saber se vai ter aderência no mercado ou não, ou fica arrumando a casa internamente e usa a crise como desculpa para não vender. O papel do empresário é vender. É estar na rua. A empresa só tem um objetivo na vida: vender. Se ela não vender, todo o resto não vale de nada. Acho que é essa mensagem que a gente deve deixar aqui. E vamos, porque temos uma excelente oportunidade para 2021”.

Geraldo Santos, Diretor-geral do Startupi, reforçou o alto nível de resiliência dos brasileiros. “O brasileiro é completamente diferente dos outros países. A gente tem uma capacidade incrível de adaptação às mudanças, talvez até pelo histórico de mudanças econômicas que a gente teve no país nos últimos 30 anos. Uma vez que você não tem alternativas, você é obrigado a aprender, e nessa parte o brasileiro é espetacular”.

Desafios e oportunidades para internacionalização na visão de investidores

Bruno Drummond, CEO da Drummond Ventures, também participou de um dos painéis do evento. De acordo com ele, o empreendedor que deseja se internacionalizar precisa ter em mente algumas habilidades. Uma delas é estar aberto a testar novamente o MVP no ambiente que ele tá entrando. “Se ele não tiver essa habilidade, será uma perda de tempo”, disse.

Drummond também destacou que o primeiro grande benefício da internacionalização para o empreendedor brasileiro é a habilidade de sair, nas palavras dele, da “bolha brasileira”. “O Brasil é muito grande, mas ao mesmo tempo ele te deixa muito confortável. Se você ficar no Brasil por muito tempo, você vai ficar exposto às empresas entrando no país e eventualmente, tomando seu próprio mercado”.

Além disso, deu algumas dicas para quem deseja passar por este processo. “Teste seu produto ou serviço, veja se ele é aceitável fora do país. Venda. Nesse processo de vender, você vai criar músculo para a sua empresa. E tenha um plano, tem que ser detalhado. Dali para frente, você vai poder conseguir galgar para outros países”. Bruno também chamou a atenção especial para a receita final do projeto. “Uma das coisas que a gente tem visto muito nas startups brasileiras é que eles estão sempre olhando na parte de custo, mas nunca olham na parte de retorno daquilo”.

Flavio Pripas, sócio da Redpoint eventures, concordou com Bruno e ressaltou que o dinheiro não é um fator determinante para ajudar uma empresa com internacionalização. “Você tem que ter um produto que realmente vá fazer diferença na vida das pessoas.”

Além disso, reforçou que é preciso incentivar os empreendedores a pensarem grande, sempre. “Nos últimos 5 anos, deu para perceber uma mudança fundamental no empreendedor brasileiro que começa, em alguns pontos, a criar empresas já virando mercado global”. Já em relação às dificuldades enfrentadas, Pripas aconselhou olhar com atenção para o parceiro investidor. “O empreendedor que está buscando essa expansão, ele deve conhecer o melhor parceiro que tenha uma rede para abrir portas. Pode ser a diferença entre o fracasso e o sucesso desse plano de expansão”. Quando perguntado em que momento o empreendedor deve procurar um fundo de investimentos, no caso a Redpoint evventures, para captar recursos para internacionalizar, ele recomenda “o empreendedor deve conversar com a gente antes do processo de internacionalização, nós queremos te conhecer, acompanhar sua evolução e te ajudar”. Segundo ele, por exemplo, americano só compra de outro americano e contratar um executivo de vendas custa caro lá fora, ou seja, internacionalizar sai muito caro, então é muito importante que o empreendedor tenha parceiros que conheçam muito bem o mercado para onde ele quer expandir a operação. Participem de um processo de aceleração para conhecer melhor o mercado externo, além claro, de ter um produto muito consistente, por isso a Redpoint quer participar e apoiar o empreendedor desde o momento zero. 

Importância da cultura, educação e tecnologia no processo de internacionalização das startups brasileiras

Renata Zanuto, co-head do CUBO Itaú, afirmou que a criatividade tem sido um dos pontos fortes do brasileiro no quesito adaptação à pandemia, e isso passa pela questão da educação. “As possibilidades que o brasileiro traz são infinitas. Principalmente neste ano, pessoas e empresas estão vendo esse lado do empreendedorismo, digital, e a gente viu o quanto é fundamental as pessoas terem esse lado. Inúmeras iniciativas de educação com esse viés de empreendedorismo, de tecnologia têm surgido ao longo desses últimos anos justamente para a gente sanar essa lacuna de mercado que existe no Brasil”, disse.

Segundo ela, neste momento em que as startups estão cada vez mais evoluídas, essas empresas também estão contratando pessoas com certa formação tecnológica. “Para a própria evolução de startups e surgimento de outras, precisamos também dessas qualidades de pessoas, não só na questão de como empreender, mas de pessoas que empreendam e tenham esse olhar de tecnologia”.

Zanuto deu algumas dicas para quem quer começar a se internacionalizar e precisa se capacitar para isso. “Conte com iniciativas que consigam contribuir cada vez mais. Aproveitem todo o conhecimento disponível. Na internet tem uma série de iniciativas que podem ajudar também. Estejam conectados, entendendo o que está acontecendo. E tenham muito foco”.

Luciane Dalmolin, Diretora Regional da DELL Technologies, com ampla experiência em ajudar os pequenos negócios e startups a usarem tecnologia para acelerar o crescimento da empresa, esteve presente no Innovation Week. Ela contou que “muitas vezes, os empreendedores nos procuram com quase nenhum conhecimento a respeito do que precisam para embarcar as suas soluções e o nosso papel é fazer toda essa consultoria desde a base, e trabalhar não só no que a empresa está necessitando no momento inicial, mas sim visando o crescimento”. Ela enxerga que muitas empresas já iniciam suas operações de forma mais profissionalizada, dado o acesso que possuem ao conhecimento disponível. “As pessoas estão buscando esse conhecimento cada vez mais. Eu vejo as empresas iniciarem mais organizadas e com objetivos mais claros de onde querem ir”.

Ela também comentou como o processo de transformação digital, acelerado pela pandemia, foi importante no processo de retomada da economia. “As empresas mais rápidas, que já estão num patamar tecnológico superior ou com um pensamento mais acelerado, já fizeram uma retomada dos seus negócios melhor, porque sempre há oportunidade. E o que a gente viu, ao longo do ano, foram novos negócios surgindo”. E completou. “Eu vejo sim, as empresas vindo mais organizadas e com um olhar mais atento sobre o novo, sobre trazer inovação”.

Rafael Figueroa, CEO do Portal Telemedicina, uma plataforma baseada em inteligência artificial que permite aos médicos a emissão de laudos para clínicas e hospitais e que democratizou o acesso à saúde em todo o Brasil, falou sobre a experiência de internacionalização da empresa e como o Brasil leva algumas vantagens neste processo. “Tem muitos talentos aqui. Inclusive nós temos algumas vantagens em relação a outros ecossistemas. O fato de que temos que aprender a trabalhar com menos recursos, cria empreendedores mais resilientes e empresas que conseguem trabalhar diante de diversas adversidades”.

Segundo ele, as parcerias criadas pela empresa, que expandiu para países como Estados Unidos, França e Canadá, foram fundamentais no processo de internacionalização. “Acaba abrindo muitas portas e permitiu que a gente mapeasse os sistemas de saúde em todos esses países, o que jamais conseguiríamos sozinhos. Mas ao mesmo tempo, isso exigiu muito de nós enquanto empreendedores, para se preparar mesmo, porque a barra é alta. Quando tem essa parceria, eu acho que é a melhor sinergia possível e com certeza abre portas”.

Além disso, ele aconselhou quem deseja iniciar suas operações fora do Brasil. “Não façam sozinhos. Mapeiem as parcerias. Existem sim, muitos instrumentos, tanto brasileiros quanto dos outros países e quando feito esse match, e trabalhado junto, abre muitas portas e acelera o processo. Inovação aberta é o futuro”.

Diego Cueva, CEO da FieldLink Software, startup de soluções voltadas para a gestão de equipes remotas dos mais variados setores, disse que a questão da cultura de cada país deve ser levada em conta quando o assunto é internacionalização. “É muito particular a questão da cultura em alguns países. No caso da FieldLink, por exemplo, quando a gente começou a expandir para a Argentina, nosso primeiro negócio foi uma expansão de um projeto. Isso permitiu que a gente diminuísse risco para entrar em outros países”.

Ele contou que, para realizar a expansão, precisou fazer poucas adaptações em seu produto. “No nosso caso em específico, a gente não teve que fazer grandes alterações de software. O item mais importante foi a questão de adequação de atendimento, suporte e comercial. Aprender como comunicar em cada um desses países, como ser mais direto ao ponto em um país, no outro fazer uma conversa inicial, são coisas que a gente vai aprendendo e criando um pequeno manual de como lidar nos diferentes cenários que estamos entrando”.

Por fim, também falou da importância de fazer parcerias e destacou alguns pontos que os empreendedores precisam estar atentos. “Além das parcerias locais, você não deve delegar. Você como dono da empresa, precisa estar a frente dessa iniciativa, mesmo se precisar ir várias vezes nesse país para visitar, você vai fazer porque você precisa começar a conhecer as sutilezas desse novo mercado que vai entrar e fazer isso de casa é muito difícil”.

Wrap up e encerramento com Israel, Canadá e Alemanha 

Luciana Detoni, Diretora de Desenvolvimento de Negócios do Consulado Geral de Israel em São Paulo, agradeceu pela semana repleta de conteúdo e fez um balanço sobre o Startupi Innovation Week. “O evento foi muito bem pensado com o Startupi para que a gente mostrasse um pouco do ecossistema israelense, e também a oportunidade de parceria, para que as empresas brasileiras possam acessar esse ecossistema”.

Ela também destacou o comportamento do empreendedor israelense, sobretudo em relação à disposição de tomar risco. “Isso vem muito da história de Israel como país, como povo, história das pessoas em si. Isso é inerente à cultura, você olhar um deserto e fazer dele uma plantação”. E finalizou. “Eu creio que essa troca cultural faz com que o brasileiro vá diminuindo um pouco o receio de falhar”.

 

Arminio Calonga Jr., da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), também falou da satisfação em participar da troca de conhecimento entre os países. “A gente tentou fazer um mix de conteúdo, apresentar um pouco dos programas que o governo oferece para os brasileiros e como as startup podem se beneficiar desse ecossistema. Eventos como esse sempre são importantíssimos para poder conseguir falar mais diretamente com startups”.

Por fim, Bruno Vath Zarpellon, da Câmara Brasil-Alemanha (AHK), parabenizou os organizadores e reforçou que o evento foi importante para a entidade se aproximar ainda mais das startups. “Um outro ponto foi apresentar os ativos da Alemanha para quem quer ir para o país. Tivemos uma discussão muito legal sobre venture capital, que trouxeram algumas curiosidades bem interessantes também”, finalizou.

Confira abaixo o evento na íntegra:

Para Geraldo Santos, diretor-geral do Startupi, o Innovation Week marca o início de um ciclo de eventos que acontecerão em 2021 para levar cada vez mais conteúdo e informação de alto nível para o mercado brasileiro.


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